domingo, 21 de junho de 2015

Curiosidades e experiências em terras Indonésias

Os motoristas não respeitam o pedestre. Pensei que fosse somente o caso da cidade de Jayapura mas não, em todos lugares que passamos na Indonésia o pedestre não é respeitado. Você pode ficar o dia inteiro na faixa de pedestres que ninguém para. Tínhamos que acenar, e as vezes nem assim paravam. O jeito era esperar até não ter carros ou motos para atravessar. O risco de ser atropelado era enorme e ainda ruas com mão inglesa.

Apesar da falta de respeito para com os pedestres, o trânsito fluía de uma forma incrível. Haviam muitos carros, muitas motos mas eles se respeitavam. Os carros dão passagem para os motoqueiros, não existe stress, não vimos ninguém xingando, brigando, buzinando. Impressiona, tanta calma no trânsito. Em três meses não vimos nenhum acidente. 

Eram meio “abaianados”. Bom dia na língua local significa Salamag Pagi, então eu dizia: Salamag Pagi, e eles respondiam paguiiiii. Baiano, principalmente do interior é meio assim também né?! Damos Bom dia! E eles respondem: Diaaaaa.

Os frangos vendidos nos supermercados eram praticamente codornas de tão pequenos. Como só comem frango e peixe, acho que a demanda é enorme e eles não dão conta de dar hormônios comida suficiente para os frangos crescerem até um tamanho razoável. Aliás, eles comem muita coisa em tamanho pequeno, até minúsculos, como camarões e peixinhos salgados. Misturou com arroz jasmine (um tipo de arroz “unidos venceremos”) e tascou pimenta, tá pronto o rango do dia.

Os indonésios em geral comem muito pouco, o nosso prato básico de arroz, feijão, carne e salada é praticamente o dobro do que eles comem normalmente. É raro ver pessoas acima do peso, principalmente entre os homens, geralmente muito magros.

20141223_013410Uma marmita comum por lá: Peixe frito, saladinha e arroz “unidos venceremos”, geralmente comido com as mãos.

Funcionários de bancos SUPER simpáticos. Os seguranças abriam a porta acenando com o chapéu, ofereciam água, chá, café, eu me sentia uma milionária que ao invés de estar trocando US$ 100 estava para pegar uma mala com 100 milhões de dólares. Coisa de filme , eu logo viajo na maionese!hahahaha

A moeda indonésia se chama rúpia, e um  US$ 1 por valia 12,600 rúpias, ou seja, quando tocávamos US$ 100 recebíamos 1 milhão e 260 mil de rúpias. A sensação de ser milionária voltava! Fausto não entendia porque eu sempre queria trocar o dinheiro hahahahaha

Os restaurantes tipo self-service tinham uma maneira interessante de expor a comida, cada pessoa se servia sempre pegando pela parte de cima. Tudo limpo e sem bagunça.

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20150131_132415Lula que parecia um carrapato gigante! Minha imaginação é fértil rs.

Bananas  verdes fritas, eram a batata frita local. Só que na minha opinião, completamente sem gosto.

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Quando fomos transferidos para o bairro Docsmilan, começamos a tomar uma sopa, vendida em carrinhos nas ruas. Era muito barata e gostosa.

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Tinha churrasquinho para comprar? Sim! Micro churrasquinhos que não davam nem para “tapar o buraco do dente” e ainda com molho doce.

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Galera, até cobra do mar eles comem. A foto não ficou boa mas eram cobras vivas. O povo escolhia, colocava dentro de uma sacola, pesavam e iam embora. Em Singapura encontramos um restaurante chinês com um prato dessa cobrinha. Servidos?!

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Esse menino estava entregando jornal descalço. Perguntei se não tinha um sapato. Ele respondeu que sim, mas que preferia andar descalço. “Só uso sapato para ir a escola”. Então tá!

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Escolas, haviam muitas escolas pelas quatro cidades que passamos: Jayapura, Sorong, Ambon e Bali. O governo fiscaliza a regularidade das crianças nas escolas. Tivemos contato com muitas delas e todas sem exceção foram educadas. Com uma média de cinco filhos, a Indonésia têm muitas crianças. Vão a escola e depois ficam o restante do dia brincando nas ruas. Pulando elástico, nadando, cantando e dançando. Recordei na minha infância várias vezes, dava gosto de ver tanta alegria.

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IMG_0139Literalmente subiam pelas paredes.

Uniforme escolar. Fofas!

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Os Indonésios, como em todos os países que passamos, adoram o Brasil e o futebol brasileiro. Havia um jogador chamado Thiago brasileiro que jogava no time de Jayapura e os nativos se gabavam desse jogador (que deve ser tratado feito rei por lá), muito comum, assim como nas Ilhas Salomões vermos alguém usando a camisa da seleção brasileira, ou uma mochila etc. Fizemos um passeio com o Sebastian e a Sandra, Argentinos do veleiro Club e na mesma família de cinco filhos, dois irmãos estavam vestindo a camisas das nossas seleções. Que coincidência!

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As motos são usadas para tudo que vocês possam imaginar.

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As mulçumanas adoram um brilho! Como ficam com praticamente o corpo todo coberto, caprichavam na maquiagem e nos acessórios como sapatos e bolsas.

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Biquíni Mulçumano.

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Laxantes, temperos e molhos Indonésios. Tudo “me dava na barriga”

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Embarcações de pesca tradicionais.

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Fotos, pediam para tirar fotos conosco em todos os lugares. Vida de celebridade cansa! rsrsrsrs

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Motos com a chave na ignição e capacetes soltos, ninguém rouba ninguém.

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Imagine o choque de ir ao banheiro e encontrar isso:

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Fiz um vídeo contando uma situação engraçada que passei usando essa privada e como desenvolvi “técnicas” para não cair dentro do vaso hahahaha . O vídeo já está no nosso canal no Youtube, agora estou fazendo vídeos com o celular e consigo carregá-los mais facilmente. Clique em vídeos no alto do blog e divirta-se!

Ô povo para gostar de pimenta, credo!

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E quando pensamos que já vimos de tudo…

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Um pastor fervoroso fazia uma espécie de show com um homem dentro de um saco no meio da rua. O cara ficava em pé, depois caia no chão e o pastor lá, rezando e gritando. Fazia sucesso! Se a moda pega no Brasil…

Até logo,

Guta

domingo, 14 de junho de 2015

Dia-a-dia em Jayapura-Indonésia 2

O tempo passava e nada do CAIT ficar pronto. Para piorar, a Capitania dos Portos mandou que saíssemos do único fundeio possível porque um navio cheio de carros de guerra etc.. chegaria para uma exposição na cidade. O governo está investindo mesmo no setor bélico e faz exposições por toda Indonésia.

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Acabamos indo parar no costado do Argentino que já estava encostado no barco da marinha local. Estava muito bom para ser verdade e o que não sabíamos é que dias depois, umas três lanchas em exposição, levariam a população para um passeio pela baía, e os caras mandavam ver nas lanchas. Faziam marolas enormes, e em uma delas o Argentino bateu com muita força no seu costado de bombordo e quebrou seu guarda mancebo, do nosso lado, bateu em nosso fusil e chegou a entortar um parafuso. Tínhamos que sair dali, se não destruiríamos os nossos barcos com tanta porrada. 

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Acabamos sendo mandados para um bairro chamado Docs Milan, considerado um bairro perigoso, praticamente uma favela. Um veleiro Neo Zelandês que havia perdido o mastro, passou por Jayapura, fundeou nesse bairro para fazer o conserto do mastro e foi assaltado. Bem, não havia outra alternativa além rezar para que nada de ruim acontecesse conosco.  Logo no caminho, quando começamos a passar pelos casebres conjugados a beira da água foi arrepiante. Imaginem todos os moradores saindo de suas casas e gritando: Mister, mister! Acenando! Pulando! Crianças, jovens, adultos! Não sabíamos para onde olhar, para quem acenar, de tanta gente que nos gritava. Uma loucura! A recepção foi maravilhosa!

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Ficamos a contra bordo do Argentino novamente em uma doca de um estaleiro meio que falido. Era tranquilo passar pelo estaleiro e pegar uma van para irmos até o centro. Na verdade ficarmos nesse bairro foi muito mais legal do que no centro. Tinha vários mercadinhos, lojinhas, restaurantes, crianças, muitas crianças que estavam de férias, então nós fomos a atração. O Faísca ia a loucura!

20150114_173302Nessa foto o veleiro Argentino Club já havia partido.

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Como era véspera de Natal e ano novo, qual era o “tchã” dos nativos? Soltarem bombas. Quanto mais alto o barulho melhor. Todos os dias depois do expediente havia uma espécie de competição entre os bairros, e ainda bem que o Faísca não tem medo do barulho de bombas, se não, teria ficado traumatizado. Olhem a cara dos anjinhos e as “bazucas” em suas mãos. Os adultos usavam umas maiores ainda. Eles colocavam álcool, sacodiam e acendiam essa bazuca, com a pressão saia um barulho assustador. Tomei vários sustos, depois acostumei. Foi assim até o reveillon, com mais de duas horas de tiros de bazuca depois da virada.

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Começou outro problema. Em Jayapura não teríamos como abastecer de diesel. É proibido vender diesel nos postos de gasolina para estrangeiros por causa de atentado em Bali “500 anos” atrás e por causa do problema entre o governo da Indonésia e o da Papua (foi essa desculpa que nos deram). Agora ferrou de vez, porque a próxima perna de quase 900 milhas seria no contra vento e contra corrente. Acabamos descobrindo que nativos compravam o diesel nos postos e revendiam para nós. Seria a única alternativa, se na segunda leva de diesel não tivessem desaparecido com todas as bombonas do Argentino e com o nosso dinheiro, pagamento de 200 litros. Daí fomos conhecer a máfia para conseguirmos abastecer. Todos queriam tirar uma casquinha de nós, e o preço foi ficando cada vez mais alto. Achamos um absurdo as forças armadas não oferecerem esse apoio aos velejadores, um absurdo em um país imenso como a Indonésia você não poder abastecer. Descobrimos que teríamos que fazer um processo com um agente, para que ele conseguisse em Jacarta uma carta de liberação para compra de X quantidade de diesel. Nem preciso dizer que o preço dessa carta, além de demorada era alto. Começamos a ir de posto e posto perguntando se poderíamos abastecer e conseguimos um que depois das cinco da tarde, nos vendiam 200 litros por dia, pagando ao invés de 6,70 rúpias o litro, 8 rúpias por litro. Conseguimos um senhor com uma Van de transporte e começamos o trabalho de formiguinha, enchendo bombonas no posto, transportando para o barco e passando para os tanques. No final das contas de 8 rúpias, um gerente quis nos cobrar 12 rúpias, mas já tínhamos o suficiente para a próxima perna e mandamos ele pra China. Todos os velejadores que forem para Indonésia têm que saberem que terão que comprar bombonas para abastecerem e que ou terão que pagar propina nos postos ou para agentes do governo.

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20150111_173412As crianças sempre querendo ajudar.

Foi esse inferno em todos os lugares que passamos. Pernas com média de 900 milhas, contra corrente e completamente sem vento. Não esperávamos gastar tanto dinheiro em diesel. Foi um baque no orçamento. O argentino Sebastian optou em arriscar tentar novamente seguir pelas Filipinas, passando pelo lado norte de Bornéu, chegando em Singapura, rota onde teoricamente teria vento. Felizmente deu tudo certo para eles, velejaram direto. Nós depois do trauma do tufão, esquecemos essa rota por completo e fomos capengando, passando pelas cidades de Sorong, Ambom (possível abastecer com funcionários da marinha por 20,000 rúpias o litro!) até chegarmos em Bali. Foi difícil, gastamos muito mais que imaginávamos, mas valeu a pena, porque Bali, é praticamente um país a parte, e foi uma excelente experiência conhecermos essa diferença entre Bali e o restante da Indonésia. Até Bali, navegamos umas 1.900 milhas motorando, as vezes com 1.5 nós de velocidade devido ao vento e corrente contra.

PS: US$ 1 = 12,600 Rúpias.

Continua…

Até semana que vem!