domingo, 26 de outubro de 2014

Moorea - Minha ilha preferida

Moorea fica somente há 30 milhas de Papeete e tivemos que usar os motores para chegarmos até ela. Nesse mesmo dia, haveria um Raly de velejadores e uma regata de canoa Polinésia, ou seja, essas trinta milhas estariam cheias de barcos.

IMG_8459Moorea a nossa proa.

Saímos mais cedo que a galera para conseguirmos um lugar melhor no fundeio, pequeno e fundo pra burro. O mais raso que conseguimos fundear foi em 15 metros.

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Mesmo não participando do Raly, acabamos participando das festas. Até baguete quentinha levaram no nosso barco.  Deixávamos o nosso dingue, usávamos a internet e tomávamos banho no Hotel Bali, tudo de graça. As festas foram ótimas, rolavam brincadeiras com os velejadores o dia todo e durante a noite jantares com apresentações de dança Polinésia. As brincadeiras eram uma pagação de mico danada, mas ninguém ligava. Uma vida duuuura Smiley piscando

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Durante essas festas conhecemos o Russ, marido da Karin do catamarã Moonwalker. Acompanhamos a volta ao mundo deles, mas não nos conhecíamos pessoalmente. Como esse mundo é pequeno, a Karin nos avisou que o Russ estaria em Moorea para divulgar sua cidade na Nova Zelândia. Lembram-se que falei que os Australianos e os Neo Zelandeses competem por velejadores entre si? Então, os Neo Zelandeses  patrocinavam esse Raly e as festas em Moorea.

Como o Russ já deu  uma volta ao mundo, nos passou dicas preciosas dos lugares que pretendemos passar.

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Moorea é um espetáculo! Caminhamos muito, alugamos um carro e passeamos pelos principais hotéis e pousadas de lá. Muitas praias ficavam dentre desses hotéis e pousadas, acabamos matando dois coelhos …

Quando eu postei fotos no facebook, a Heloísa Schurmann Formiga e o Roberto Barros (o Cabinho) comentaram que Moorea havia sido a ilha preferida deles. Só depois que chegamos a Bora Bora é que pude concordar. Moorea também foi a minha ilha preferida. Fausto gostou mais de Maupiti. Moorea têm praias tão belas quanto Bora Bora mas a parte de terra é mais bonita. Não têm nada a ver de Bora Bora ser mais turística, eu até gosto de ver gente etc.… Moorea era “mais família”, mais aconchegante.

Caminhar pela beira da estrada já rendia a feira de frutas da semana. Muitos pés de fruta plantados na beira da estrada, e era só pegar a fruta. Quando dentro de algum quintal, era só pedir. Bananas, graviola, limão, grapefruit, carambola. Fui pedir a uma senhora para pegar carambola no quintal dela e a senhora já queria que eu almoçasse com ela! Os Polinésios são muito gentis.

20140714_162521Para quem não conhece: Carambola

20140710_192819Graviola

IMG_8476Estrada em manutenção e um semáforo  para o controle de tráfego a bateria.

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Alugamos o carro de uma brasileira que foi casada com um francês e mora na ilha há anos. A Sandra, uma figurassa, nos levou nos principais pontos turísticos de Moorea. Aliás, vale muito a pena alugar um carro e dar a volta na ilha.

Em uma dessas paradas, fomos em um altar que antigamente era usado para sacrifício de pessoas capturadas das tribos inimigas. Sacrificavam e depois comiam porque se acreditava que comendo o inimigo, absorviam toda a força e outras qualidades que ele tivesse. Pois bem, eu subi e tirei trocentas fotos nesse altar. Depois fomos saber que isso era proibido, podendo acarretar em até seis meses de cadeia ou fazendo trabalhos sócio-educativos. 

IMG_8518O altar de sacrifícios e canibalismo

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IMG_8483Um coqueiro com torcicolo.

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20140707_201605Nossos tripulantes José Carlos e Tânia.

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Moorea é bem cultivada com plantios de frutas, verduras e hortaliças. Vimos tanques de criação de camarão, e pastos verdes com muitos bois.

P7090023Plantio de abacaxi.

Passeamos, passeamos, passeamos. Um dia sozinha no barco entrou um ventão com rajadas de 40 nós (essas coisas só acontecem quando estou sozinha). O Raly já havia acabado e a maioria dos veleiros retornado a Papeete, a ancoragem estava vazia. Ao nosso lado um catamarã de um casal de Alemães que conhecemos de vista desde Cartagena. Eles também estavam fazendo charter com um casal e um filho.  Um pouco atrás de nós, uma monocasco de um casal de Americanos. Quando entrou o ventão, já fiquei pensando que se o barco garrasse, o que deveria fazer, na verdade recapitulando o passo-a-passo na emergência. Já aconteceu comigo sozinha em Fernando de Noronha com o cat de 62’ e dei conta do recado, graças a Fausto ter falado um milhão de vezes no meu ouvido. Acho que nunca contei essa história aqui, um dia eu conto!

Quando olhei para o catamarã ao lado, não estava ao lado e sim bem atrás de nós dando o costado, o catamarã estava garrando. Peguei a buzina e começei a fazer barulho. O americano também. Dai saiu um cara que era o tripulante do charter que não sabia o que fazer. Eu gritava para ele ligar os motores e ele respondia que não sabia como fazer, estava sozinho a bordo. A sorte é que a âncora dele voltou a unhar e o barco não foi para a praia. Nisso o cara começou a se desesperar e implorar para que eu fosse ajudá-lo. Nessa hora foi difícil. Fiquei sem saber se deveria deixar o nosso barco e ajudá-lo ou se deveria ficar a bordo caso o nosso barco também garrasse. O cara gritando, o vento soprando forte, eu não sabia o que fazer! Nessa hora o nosso barco deu um tranco. Corri e joguei mais corrente. E o cara gritando…  Seria muito difícil eu conseguir baixar o nosso dingue com quarenta nós de vento sozinha. Ir nadando? E se o meu barco garrasse, como eu voltaria até ele? Pensei muito, mas não tinha como ajudá-lo. O Americano estava com a esposa a bordo. Colocou o dingue na água e foi até o catamarã. Ele tentou recolher a âncora, mas pela expressão dele quando viu o guincho desistiu, então ligou os motores, orientou o cara e retornou ao seu barco. Depois com os motores ligados, fui orientando para ele ficar de proa para o vento, mas nas rajadas ele não conseguia, o barco dava o costado para o vento e ele quase ia parar na praia novamente. Quase enfartei umas 10 vezes, fiquei rouca. Depois que o vento diminuiu, o americano foi em terra procurar o alemão proprietário do barco. Felizmente encontrou o sujeito que fundeou novamente. Um detalhe: Conhecemos esse barco em Cartagena, e lá ele garrou com os culos de Polo, os pirajás de lá. Em San Blás, a mesma coisa, com a entrada dos ventos fortes diários ele também garrou, e essa garrada de San Blás eu até tenho filmada! Ou seja, só que a gente sabe, esse catamarã garrou três vezes. Ou a âncora dele é ruim ou o cara não sabe fundear. Eu achei que ele jogou pouca corrente. Acontece, já aconteceu conosco  por vários motivos diferentes. Já tivemos a sorte de um grupo de velejadores praticamente salvar o nosso barco em Vitória, neste caso,foi devido ao fundo ruim e informação errada. Pensando nisso eu fiquei com um peso na consciência. Uma situação difícil, que Deus seja testemunha que fiz o que pude. Felizmente, o pior não aconteceu.

Até a próxima,

Guta

domingo, 19 de outubro de 2014

Vídeo Polinésia Francesa – Ilhas Sociedade

Meu vídeo preferido (até agora) dos mais de 40 que já postei no YOUTUBE. Fiz um mix das ilhas sociedade pelas quais passamos: Tahiti, Moorea, Huahine, Bora Bora e Maupiti.

Eu só iria postá-lo depois dos posts de todas essas ilhas, mas estou ansiosa para que assistam logo Smiley piscando.

Já expliquei mas não custa repetir. Se acessarem esse vídeo pelo canal no YOUTUBE, e mudarem o símbolo na rodinha a qualidade fica muito melhor.

Polinésia Francesa

Gostaram????

Guta

domingo, 12 de outubro de 2014

Papeete capital do Tahiti- Parte 3

Só uma palhinha dos veleiros no cais principal da marina Taina:

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Esse catamarã das fotos acima praticamente tinha um campo de futebol na proa e uma quadra de tênis na popa (exagerada) espaço do salão mesmo, relativamente pequeno.

Algumas curiosidades:

  • Praticamente todas as mulheres polinésias usam flores na cabeça. Coroas de flores naturais ou florzinhas solitárias. Coques no alto da cabeça, o penteado preferido. Aliás, o cabelo da maioria das polinésias são maravilhosos, do tipo de fazerem inveja na Glória Pires.
  • Os homens também usam flores pequenas de um lado da orelha.

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  • Colares e brincos de pérolas também são  muito comuns mas o pareô ou a nossa canga, que há 20 anos era comum, agora raramente é usado.
  • Os seguranças e policiais do Tahiti são escolhidos em agência de modelos. ha ha
  • Tamancos estão na moda, um mais terrível que o outro. ha ha ha
  • Não têm lixeira nos banheiros públicos. Têm papél higiênico mas não têm lixeiras. Odiava jogar papél dentro do vaso sanitário, coisa proibida a bordo.
  • A passagem de ônibus era mais barata se comprássemos a ida e volta juntas.
  • Fabricam famosos óleo de coco, que dizem ter 1001 utilidades.

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Até a próxima ilha que apontei na foto acima, Moorea.

Guta

domingo, 5 de outubro de 2014

Papeete capital doTahiti- Parte 2

Pensávamos que as coisas no Tahiti seriam mais baratas do que nas Marquesas e Tuamotous (exceto as pérolas), mas nos enganamos. Restaurantes e comida nos supermercados, mais caros. Não sei se nos atóis e ilhas mais distantes a comida é subsidiada. Enquanto pagávamos 1.200 Francos Polinésios por um prato de filé com fritas e salada em Fakarava, em Papeete custava 3.500 Francos Polinésios. Mesmo assim, acho que em todo lugar do mundo existem opções mais baratas. No Carrefour, eles tinham várias opções de quentinhas e sandubas, com preços que variavam entre 200 e 700 Francos. No mercadão do centro também. Muitas opções de quentinhas, até de sushi e sashimi. As quentinhas, como dizem os cariocas ou marmitex, como dizemos nós capixabas não são de alumínio e fechadas. Lá, elas são de plástico transparente, dá para você ver a comida e eram tão bonitas, que sempre me deixavam na duvida do que comer. Tudo parecia ser delicioso!

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Outra coisa muito comum por lá são os sandubas de baguete. Você escolhe o recheio e sai comendo pela rua. Na hora do almoço, é normal ver pessoas com sandubas enormes nas mãos, comendo e andando, ou paradinhos em um cantinho.

Logo que chegamos na Polinésia e fomos comer fora estranhamos o tempero, melhor dizendo, a falta de tempero e sal na comida. Depois de um bom tempo nos acostumamos.

A marina era linda e fomos muito bem recebidos na recepção. Como estávamos na alta temporada a marina estava lotada e não tinha poitas para aluguel. Estimei ter uns 400 veleiros por lá, e todos os dias entravam e saiam vários.

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Podíamos deixar nosso bote no cais por quanto tempo quiséssemos e jogávamos lixo fora de graça. O banho seria somente para quem estivesse usando os serviços da marina mas como estava lotada, a gerência concedeu o banho de chuveiro morninho também grátis. Como não tínhamos o cartão magnético para abrirmos o banheiro (a coisa lá é chique), ficávamos esperando alguém sair para entrarmos. Banheiro feminino virava masculino, masculino virava feminino, e no final do dia tinha até fila.

Uma coisa engraçada: No banheiro feminino, a água era fria, e o chuveiro tinha um sistema de pressão, ou seja, o tempo de água era cronometrado mas era só apertar o botão que caia água novamente, mesmo assim era até para mim, que economizo água, um tempo muito curto.

No banheiro masculino, a água era quente e o chuveiro normal. Ficava explícito que para a marina as mulheres gastavam mais água e tinham que ser controladas. Porém, nos dias que passamos lá observei que os homens gastavam muita água. A maioria ficava no mínimo 10’ embaixo do chuveiro com água caindo direto. Também constatei e fiquei triste com a constatação de que, a maioria dos velejadores não economizam água porque têm a consciência de que é o certo a se fazer. Economizam porque não têm em seus barcos em abundância. Quando a água é de graça, disponível como no chuveiro da marina, eles gastavam normalmente.

A lavanderia era paga, custava o equivalente a R$ 20 uma máquina de 10 quilos. Quebrou o maior galhão, eu estava com muita roupa acumulada, principalmente lençóis e toalhas.

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Saindo da marina, andando uns 5 minutos para o lado esquerdo, ficava um hiper CARREFUR (lá se pronunciava CARFUR) com lojinhas, banca de jornais, correios e um restaurante onde assistimos aos jogos da seleção.

Demos a volta na ilha de ônibus, e batemos muita perna pela cidade que era limpíssima e organizada.

IMG_8353Mercadão municipal

20140624_163945Tentações

20140624_162903Coroas de flores frescas são vendidas no mercado.

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Os nossos tripulantes José Carlos e Tânia conheceram um casal pelos seus passeios, o Axel um câmera men de uma emissora local e sua esposa professora ( o nome dela era bem diferente para nós e me esqueci). Por coincidência, o Axel havia conseguido comprar dois ingressos para final da copa no Brasil e estava com a passagem aérea também comprada, só não havia reservado hotel. Dai entrou o José, que ofereceu seu apartamento em Copacabana para o Axel e o filho ficarem. Depois ficamos sabendo que eles adoraram o Rio (aliás, quem não gosta?!), adoraram o Maracanã, fizeram muitas compras, e de quebra tiveram as filhas do José (que falavam Inglês e Francês fluentemente)de guia pelos pontos turísticos da cidade. Até uma amiga das meninas se animou com as visitas e os levou para passear. Sortudos, não tinham nem como não gostarem! Pela troca de gentileza entre os casais eu acabei me dando bem, porque fomos convidados para jantar na casa deles. Aproveitei para estrear um vestido que havia comprado em Cartagena e nunca usado. Felizmente o mar estava tranquilo e não molhei o bumbum/vestido novo de água salgada usando o bote (quem têm um veleiro me entenderá).  Conhecemos toda família  e dentre os vários pratos servidos (foi um verdadeiro banquete!) comemos um strogonof de camarões  ao curry. Não sou muito chegada a curry mas estava bem suave e ficou delicioso! Nunca havia pensado em camarão+creme de leite+curry. Aprendi mais uma receitinha… O José e a Tânia também ganharam dois ingressos para o Heiva, um festival de dança polinésia que acontece no mês de julho. O Alex, buscou-os e os trouxe de volta ao barco. Todo mundo feliz!

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IMG_8336José Carlos nosso tripulante topa tudo!

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IMG_8385Casa/barcos ou barcos/casa

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Continua…