domingo, 4 de fevereiro de 2018

O dia que desmaiei pela primeira vez a bordo.

Oi Oi Oi povo do mar!
Segue mais uma história da nossa vida à bordo. Sim, pretendo que essas histórias se tornem um livro, mas como não me aguento, quero logo compartilhar com vocês o que escrevo.
Preparados? 
Quando conheci Fausto, ele estava construindo o Cat Guruçá, 62’ azul, e assim que entrei no projeto de morar e trabalhar à bordo, começaram as aulas teóricas sobre o assunto. Sou do tipo de pessoa que aprendo muito mais rápido com a prática e confesso que cada vez que ele repetia pela centésima vez uma aula teórica, eu o enforcava. Mentalmente, claro.
Então colocamos o Cat Guruçá na água e mil situações aconteceram até a história de hoje: A primeira vez que desmaiei à bordo (a primeira de muitas).
Havíamos participado da REFENO (Regata Recife - Fernando de Noronha) fazendo charter com um grupo de 18,DEZOITO, pessoas! A maioria dos tripulantes eram alunos de vela e dois professores. Um francês/carioca, do tipo que joga o aluno na jaula do leão e ele só sai de lá sabendo domar o bicho e o outro, um professor de São Paulo, um pouco menos rígido, que dava um chicote para o aluno, mas o jogava na jaula do mesmo jeito. Pensem nas tretas que rolaram?! Mas tretas boas e no final, todo mundo se deu bem! Em pensar que ontem, ouvi um pretendente a morar à bordo e viajar pelo mundo, reclamando que fez uma travessia e o capitão havia dividido os turnos, feito em dupla, de três em três horas. Segundo ele, turnos de três horas era muito cansativo. Ô Gzuis, paciência para esses novos velejadores que querem viajar sem molhar a bunda.
Olha eu mudando o rumo da história, foco Guta, foco!
Voltando,
Não me recordo a colocação, mas fomos um dos primeiros a chegar , nos áureos tempos da REFENO onde as inscrições para regata era limitada em 120 veleiros tamanha a procura. Então, fundeamos o mais perto da praia possível para facilitar o desembarque da galera.
Com dessoito pessoas a bordo, não é difícil imaginar como cheguei em Noronha, morta de cansada. 
Haveria um tradicional churrasco de bode perto do porto eu e toda turma estávamos super animados para o desembarque. Mas ouvi uma vozinha que me disse não vá. Meu anjo da guarda havia se manifestado + o meu cansasso, decidi ficar à bordo. 
Fiquei sozinha e capotei. Acordei com um balanço do mar diferente. Com fome, pensei em colocar água para esquentar e comer um miojo. Assim que liguei o fogão ouvi e senti uma porrada no casco de bombordo. Desliguei o fogão e corri para fora ver do que se tratava. 
Um veleiro estava no nosso costado. Supus que ele estava garrando (se soltando) e havia batido no nosso. Olhei o meu cabresto e a corrente estava certinha na água, estávamos aproados com o vento, aparentemente, nada de errado com a minha ancoragem. Corri para dentro e pedi ajuda pelo rádio VHF, só que ninguém respondeu. 
Nesse momento, outra porrada. Corri para fora, tipo, corri muito pra lá e pra cá, estilo papa léguas e para minha surpresa outro veleiro estava batendo no nosso. O anterior já estava bem na nossa proa. Demorei segundos que tinham a proporção de horas para perceber que o problema era o meu veleiro, no caso, um catamarã de 62’ que tinha pelo menos uns trinta veleiros menores fundeados na nossa popa. 
Porque no primeiro momento sempre pensamos que o errado são os outros? 
Daí bateu o desespero. O que eu faço, o que eu faço? O que Fausto dizia que tinha que fazer caso o barco garrasse? Não conseguia me recordar. Criei uma pasta mental: aulas chatas do Fausto e esqueci a senha. 
Pedi pelo-amor-de-Deus no VHF que continuava mudo. 
Então, em fração de segundos, consegui acessar a pasta. A sensação que tive era que estava morrendo afogada e consegui chegar na superfície e pegar ar (conheço a sensação de verdade), o meu corpo começou a trabalhar quase que no automático:
Liguei os motores com o piloto automático para avante na marcha mais lenta,
Corri para proa e comecei a puxar a corrente, pensei: 
Até eu puxar os 50 metros de corrente terei batido em mais algum veleiro.
Mas assim que comecei a puxar, com a ajuda do guincho, tirei o cabresto e uns 10 metros depois a corrente chegou partida. Eu nunca imaginaria que ficaria feliz pela corrente estar partida.
Então, como não precisei puxar os 40 metros de corrente restante, tive mais tempo para manobrar o Cat Guruçá sem que ele batesse em mais ninguém.
Naquela época eu tinha um problema sério com a minha pressão que por qualquer nervoso caia. Então danei a respirar e respirar para que ela não caísse. Corri na cozinha e enfiei uma colher de sal na goela abaixo. Respirando, respirando e pensando o que eu faria. 
Eu sabia que tínhamos mais corrente, mais duas âncoras reserva e estava pensando em deixar o barco à deriva para preparar o novo sistema de fundeio. 
Fausto que estava lá em cima do morro, batendo papo, tomando uma cervejinha e comendo uma carninha de bode, quando olhou para o mar e apreciar a vista, viu o Cat Guruçá zangando pela ancoragem. Diz ele que saiu numa carreira tão grande que suas perninhas curtinhas quase criaram asas. Um bote da marinha estava no píer e deu carona a ele até o Cat Guruçá. Quando ele chegou à bordo, já haviam dois rapazes que ouviram meu pedido de ajuda e foram tentar ajudar. Me recordo bem quando eles me perguntaram: Cadê o capitão? 
-Tá em terra, tô sozinha.
-Mas minha nossa, tu é arretada, conheço muito homem que não daria conta de um catamarã desse tamanho não visse?! 
Então continuei no timão enquanto Fausto preparava nosso segundo sistema de ancoragem. Preparou, fundeou e assim que ele pegou no timão eu caí, feito jaca madura, desmaiada. 
O que aconteceu afinal? Havia entrado uma forte ondulação devido a um furacão no hemisfério norte, a nossa corrente ficou presa em alguma pedra e com os trancos se partiu. Por isso em momento algum demos o costado para o vento o que ajudou a eu demorar para entender o que estava acontecendo. Sorte que não havia vento, só a ondulação. Outros veleiros tiveram o mesmo problema. Fausto contratou um mergulhador para recuperar a nossa âncora que acabou recuperando as dos outros também. 
A ancoragem toda ficou sabendo do “bafo” e me parabenizavam. Mas no fundo no fundo apesar de feliz por ter dado tudo certo eu sabia que tinha muito o que aprender e principalmente teria que descobrir como perder o medo. 
Anos depois e situações mais difíceis ainda superadas, descobri que para mim é impossível não sentir medo, mas consegui controlá-lo. Aprendi que o medo, o friozinho que sobe na nossa espinha, faz parte da aventura e sem ele, que graça teria? 
Guta Favarato



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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Você sabe o que significa experiencialismo?

Você sabe o que significa experiencialismo?

Dizem que é um novo estilo de vida que não gire em torno de ‘ter’, mas de 'fazer’. Um estilo de vida que se baseia em experiências.
A idéia de que mais posses significava mais felicidade nos transformou de pessoas zelosas e econômicas em consumidores desenfreados.
A desigualdade social tende a criar competitividade e sentimos inveja ao invés de alegria quando um amigo compra qualquer coisa que gostaríamos de ter. Posses e bens materiais não estão unindo as pessoas, eles estão nos separando.

Quando a sua perspectiva muda de materialista para experiencialista, você para de gastar tempo adquirindo coisas e trabalhando o máximo que puder para poder pagar por elas e começa a fazer escolhas de vida com base nas experiências.
Viver à bordo faz parte dessa nova era, trocamos o ter pelo ser e fazer, aprender e crescer. 

Usamos painéis solares e geradores eólicos para gerar nossa própria energia; Coletamos, bebemos e tomamos banho com a água da chuva ou dessalinizamos; Geramos bem menos lixo; Aprendemos a viver com pouco e causamos menos poluição a natureza. 
Recebi um e-mail de um cliente interessado em fazer charter, com um detalhe que me chamou atenção: Queremos morar à bordo, mas somos uma família Nutella. Não queremos economizar nada (água e energia), vou levar meu ar condicionado portátil (pq só durmo com o barulho dele) e minha esposa não vive sem secador de cabelo. Ou seja, vão de encontro a tudo que vivemos no nosso dia a dia. No que acreditamos ser melhor para NOSSA vida. 
Você pode se encaixar na turma dos Nutella, raiz, prestígio e sei lá mais quais classes foram inventadas, mas antes de se preocuparem com as mordomias que pensam em ter à bordo, prepararem-se para o convívio com a natureza. Muitos pretendentes da vida no mar se esquecem, ou nem sabem, que a natureza é do tipo de professora que adora fazer testes surpresa e que não costuma dar uma segunda chance. O despreparo significa reprovação com no mínimo o prejuízo financeiro. É claro que você pode morar à bordo no conforto e segurança de uma marina. Mas na minha opinião, o Pier será como um prédio e a Marina um condomínio, que no final das contas, não será muito diferente de terra porque você não ficará exposto as dificuldades normais do cotidiano do mar. Agora, se você for um “morador de rua” ou deseja viajar velejando, o mar não faz distinção entre as pessoas. Você terá que ser capaz de resolver um problema o mais rápido possível e dependendo da situação você tomara um banho de água salgada e gelada, terá ondas estourando no casco do seu barco que fará com que tudo trema e pareça que vai desabar na sua cabeça, você fará manobras que deixarão seu corpo exaurido e com prováveis marcas roxas que você não terá idéia de como conseguiu; sentirá frio na barriga ou as pernas bambas ou o coração saindo pela boca e muito provavelmente todas as opções acima.

À bordo vivemos a vida intensamente, a natureza sempre nos testando, mas oferecendo uma elevada diversificação de experiências e sensações que nos preenche de um prazer de superação, que para nós é essencial.
Vocês podem estar pensando na resposta que dei ao cliente certo? 

Ainda não dei nenhuma. Que resposta eu deveria dar a uma família que está condicionada a dormir ouvindo o barulho de uma máquina ao invés de ouvir os pingos da chuva no convés, das craquinhas estalando no do mar, da cigarra e dos passarinhos cantando ao amanhecer? 
Guta Favarato

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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Senta que lá vem história!

Oi, oi, oi povo do mar, tudo bem com vocês?

Como como sei que tenho muitos leitores avessos as redes sociais, estou copiando o que escrevo no facebook para cá. Prefiro escrever no face porque o feedback das pessoas vem na mesma hora e o principal, acreditem, não preciso escrever título. Sou péssima para escolher títulos e nesse post, perdi quase 10' e não me veio nada na cabeça.

Senta que lá vem história vocês já conhecem. Bom para passar o tempo rsrsrsrs

Há muitos anos, estávamos fundeados com o Cat Guruçá, azul, 62 ' em frente a Vila do Abraão, na Ilha Grande (Angra dos Reis - Rio de Janeiro). A bordo duas irmãs do Fausto, cunhado, sobrinhas e uma amiga da família. Havíamos tomado banho, jantado e fomos para cama dormir enquanto o restante da família papeava na sala. Verão. Um calor do cão. Assim que Fausto abriu a gaiúta (como chamamos as janelas de um veleiro) entrou um bafo de vento forte e quente. Foi engraçado que na mesma hora nos olhamos e pulamos da cama correndo para sala. Fausto já foi para o timão e eu atrás do meu kit emergência (óculos para miopia e luz de cabeça). Não me recordo se estava com os cabelos compridos, caso positivo, devo ter prendido o cabelo (causa de muitos acidentes a bordo e quase ninguém fala).
Uma das irmãs do Fausto, estava com a gaiúta da sala aberta: - Que ventinho bom para secar o cabelo, disse ela.
Eles não tem a noção do que está por vir, pensei. Na verdade, nem eu esperava as fortes emoções que teríamos naquela noite, porque sim, os perrengues só acontecem a noite.
Liguei o rádio no canal 16 e foi uma agonia. Várias pessoas pedindo ajuda porque seus barcos estavam garrando (se soltando) com o vento que estava em torno do 35 nós. Fauso pediu para que todos a bordo ficassem de olho, nessas horas é bom que a tripulação, mesmo sem nenhuma experiência participe e assim não entre em pânico. Manter as pessoas ocupadas é o melhor a se fazer. O maior perigo em uma situação daquelas era se algum outro barco garrasse e viesse para cima de nós.
Fausto mandou que todos ficassem de olhos abertos, mas o que funcionou muito bem foram os ouvidos da nossa amiga.
-Fausto, tem alguém gritando HELP!
Barulho do rádio, do vento (que já estava em 45 nós nas rajadas) dos estais de outros veleiros (som que especificamente odeio), uma bagunça.
-Sim, tem estou ouvindo um HELP, disse Fausto.
- Gutinha, pegue a lanterna grande! Rápido!
E assim Fausto começou a iluminar o breu na nossa popa, de onde parecia que vinha um pedido de ajuda. No mesmo instante vimos um bote, que com o vento forte não conseguia ir adiante.
A partir daí meus queridos, eu me arrepio até de lembrar.
Haviam duas mulheres, quatro criancinhas e o marinheiro no bote que quando viram o nosso barco começaram a gritar desesperadamente. O marinheiro acelerava e as ondas + o vento quase viravam o bote. Eles gritavam de lá, nós de cá. Fausto gritou para que o marinheiro tocasse o bote devagar, sem acelerar até que a rajada passasse. Foram uns dois minutos de agonia que pareceram uma eternidade. O cara conseguiu chegar na nossa popa e Fausto pegava as crianças pelo braço como se fossem bonecos e literalmente os jogava para dentro, antes que outra rajada entrasse. As crianças assim que chegaram a bordo vomitaram, tremiam choravam. O marinheiro parecia bêbado, mas não, ele estava em estado de choque.
Mais calmos, demos banhos nas crianças, tiramos as roupas molhadas e as colocamos em colchetes na sala. Quentes e protegidas. Elas simplesmente apagaram, dormiram em segundos.
Fizemos um café para o marinheiro que olhava para o nada. Ele falava sozinho, como se tentasse entender o que havia acontecido. 
Uma das mulheres, mãe das crianças, era australiana. A outra, tia, americana (EUA) que morava em São Paulo. Ela havia alugado uma escuna para passear pela região com a família do irmão. Estavam na vila do Abraão (em terra) quando começou a ventar, então decidiram ir embora para a escuna, mas como não cabiam todos no bote, mandaram as mulheres e crianças irem primeiro. Só que o vento aumentou de intensidade muito rápido e a escuna que eles estavam, foi um dos barcos que garraram. O marinheiro quando chegou onde o barco deveria estar não o encontrou, decidiu voltar para terra, mas se não fosse a gente no meio do caminho, uma tragédia poderia ter acontecido.
Terminou?
Nãaaao meu povo!
A americana queria avisar ao irmão (que estava desesperado em terra) que elas estavam bem e a bordo conosco. Mas se hoje o sinal de telefone na Ilha Grande já é ruim, imaginem há uns 10 anos como era? Péssimo!
Rádio VHF craudiado de pedidos de socorro e um babaca resolveu colocar o hino do Flamengo inutilizando o rádio para todos. 
Entre várias ligações, a americana conseguiu falar com o irmão, que havia pedido ajuda aos bombeiros e já estava a bordo da escuna, procurando pela família.
O cara avisou (não pediu) que iria parar a contra bordo e Fausto não permitiu. Não colocaríamos o nosso veleiro em risco desnecessariamente.
O cara teimou que queria buscar os filhos!
Ô filho duma égua (pq foi isso que pensei) deixa o vento passar, as crianças estão dormindo, não tem mais perigo, amanhã é outro dia, mas não. O cara pediu que o marinheiro, que estava na lua, coitado, fosse para a escuna, que havia fundeado (errado) bem na nossa proa, com o risco de de pegar nossa corrente.
O marinheiro foi e trouxe o "super men" que entrou sem pedir licença já brigando com a irmã. Bateção de boca e a irmã não queria sair do nosso barco. A mãe das crianças muda.
O cara acordou as crianças e começou a evacuação, porque era o que parecia. Que havíamos sequestrado a família dele!
Gritos, choro, uma confusão geral.
Fausto ordenou que não nos metéssemos.
E lá foi o cara embora, sem dizer um obrigado.
É nessas horas que tenho certeza que temos anjos da guarda nos iluminando. E literalmente Fausto foi o anjo que pegou a lanterna e foi iluminando o caminho do bote até a escuna, que quase chegando o pior aconteceu.
Ainda ventava forte, ondas e em um segundo o bote virou. Todo mundo dentro da água. Me recordo de ver os bracinhos das crianças sacudindo. Alguém na escuna começou a puxar um por um e Fausto do lado de cá iluminando. O restante da nossa família com o coração na boca. Eu já não tinha mais voz para tanto grito. 
Todos foram resgatados pela pessoa a bordo da escuna.
Na mesma hora levantaram âncora e sumiram na escuridão.
Nunca mais tivemos notícias.

Essa foi uma das várias histórias reais que presenciamos durante o tempo que moramos a bordo, causado principalmente pelo despreparo e arrogância. 
Uma série de erros que poderiam por duas vezes ter causado uma tragédia.
Quer alugar um veleiro/escuna/lancha?
Procure saber sobre a experiência do capitão/imediato/marinheiro. Experiência é fundamental para que em uma situação como essa, sejam tomadas as decisões corretas.

A foto abaixo já é do nosso atual, o amarelo, Guruçá Cat em um vento de 50 nós em Bali - Indonésia. Eu estava sozinha a bordo quando meu vizinho James mandou essa foto que ele tirou a bordo do catamarã dele.. Foi sinistro, mas essa já é uma outra história, que acho, já contei aqui!
Coloquei a foto só para vocês terem uma noção do vento.



PS: Não reparem os prováveis erros de português. Escrevi rápido, como sempre, para esvaziar a cabeça que teimava em relembrar essa quase história de terror.

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E vocês, que título dariam para essa história?

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A aposta


Estava usando o celular, esperando a hora para entrar no trabalho. Eram 5:30 da manhã, um frio danado e quando eu já ia entrar, comecei a escutar a conversa de três homens que fumavam. Um deles, inglês, colega de trabalho, estava reclamando que os turistas/imigrantes sujavam demais a cidade. Eu já fiquei brava, porque trabalhei como cleanner em um teatro frequentado por praticamente 90% ingleses e eu passava a noite toda retirando lixo do carpete vermelho. Fui escutando e meu sangue começando a ferver. 
O cara fumando.
Não agüentei e comentei:
- Engraçado, falando dos outros mas você joga lixo no chão!
Meeeeee? Com a cara de o-mais-ofendido-do-mundo.
Sim você! Afirmei, mesmo com a cara feia dos outros dois homens juntos.
Eu provo, quer apostar?
Para quem não sabe, os ingleses adoram uma aposta. São consideradas os maiores apostadores do mundo. Apostam em corrida de cavalos,cães, lutas, tudo. Ou seja, chamei o cara pra briga. 
Aposto 10 pounds que você joga lixo no chão. Estendi a mão firme, já esperando que ele fosse esmagar meus dedos pela raiva que sentia nos olhos dele. Ele apertou com firmeza, e disse: Aposto 50 pounds.
Ok!
Então tá: Uma pergunta: você fuma?
Ele me olhou mais furioso ainda. Acho que sentiu o rabo e as orelhas crescendo. O tempo todo ele fumava e jogava as cinzas no chão, até pisar no restante (que não sei o nome). Para mim isso é jogar lixo no chão, falei.
Ele pediu um minuto, foi ao banco quase a nossa frente e me entregou o dinheiro. 
Entrou para a empresa vermelho ( de raiva) e eu com o sorriso “Monalisa"
Uns dois dias depois, esse cara veio me agradecer, disse que já havia ganhado 200 pounds apostando com os amigos! 
Recordei-me dos episódios dos Trapalhões, onde o Mussum pegava o Zacarias em uma pegadinha, que pegava o Dedé, mas nunca conseguiam pegar o Didi. 
Uma hora ele vai topar com um Didi por aí e vai perder mais do que ganhou usando a minha “esperteza”.
Mas o que essa foto tem haver com a história?
Descobri esse carbonara uma feira que só acontece aos domingos aqui em Londres e já havia quatro semanas que eu não tinha folga no domingo, então juntando a vontade + o pagamento feito com a grana da aposta... o sabor estava esplêndido!


terça-feira, 26 de setembro de 2017


Olá povo do mar!

Têm vídeo novo no canal. Quem ainda não assistiu, segue o link, é só clicar!






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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Aprender a velejar em catamarã

Bom dia povo do mar!

Sempre recebo e-mails de pessoas interessadas em aprender a velejar em um camatarã. É um tipo de trabalho, que dá trabalho rsrsrsr e nós preferimos continuar somente fazendo charters com foco em passeios, mas que, para quem têm realmente interesse em aprender, acaba absorvendo muito da vida a bordo. 
Não conhecíamos ninguém que oferecia curso de vela em um catamarã, até que o capitão Pieter,  parceiro de muitos anos, abriu duas turmas para travessia de ida e volta: Angra dos Reis x Florianópolis.
No balanço geral foi um sucesso. Teve gente que adorou, teve gente que desistiu no meio do caminho. Você só conhecerá seu comportamento, se estiver a bordo! Ficar no sofá da sua casa, imóvel, assistindo vídeos das experiências de outras pessoas é inspirador, mas você só terá as suas experiências
flutuando,
balançando,
economizando água,
economizando energia,
fazendo turnos,  etc…
O friozinho na barriga que sentimos, quando levantamos âncora e começamos uma viagem que nunca sabemos como será, só a bordo queridinhos rsrsrsrrsrs
Eu li em algum lugar que frio na barriga significava “medo do desconhecido”. O cara que falou isso deve ser velejador! rsrsrrsrsrs
Agora em setembro são mais duas turmas abertas com um novo roteiro: Angra dos Reis para Ilhabela (com possível paradas nas ilhas das Couves, Ilha Anchieta, Saco de Ribeira e talvez ate uma volta na Ilha). E de Ilhabela voltando para Angra dos Reis (pode incluir uma volta na Ilha Grande).
Navegação mar aberto e navegação a noite.
Duração de 5 dias.
Turmas com máximo de quatro alunos. Dependendo do nível de experiência dos alunos o Pieter adequará roteiros e atividades.
As datas:
Angra – Ilhabela: 16/09/2017 a 21/09/2017
Ilhabela – Angra: 23/09/2017 a 27/09/2017

O catamarã é um Fontaine Pajot 40 pés e o Pieter é um capitão com experiência internacional, recém chegado de uma viagem pela rota do Atlântico.  Para mais informações, entrem em contato pelo whatsapp (24) 99654068 ou pelo e-mail: gurucacat@hotmail.com







Nossa, deu até saudades do friozinho na barriga agora… É um medo gostoso que só!