domingo, 19 de agosto de 2018

Último post desse blog.


Manter redes sociais ativas é difícil, mas manter um blog é tecnicamente complicado. Quando começei, escolhi uma plataforma que hoje está obsoleta em tempos onde tudo é superado na velocidade da luz. O aplicativo onde minhas fotos ficavam em exposição acabou e as fotos se foram com ele. Tenho backup, claro, mas quem gostava de ver as fotos da construção que postei aqui com tanto carinho e dedicação detalhando legenda por legenda, não tem mais acesso. 

Fiquei quase seis meses sem uma foto no banner de abertura porque a foto antiga estava hospedada em uma plataforma que também acabou e eu não conseguia alguém, que soubesse colocar uma foto nova porque os técnicos simplesmente desaprenderam como a plataforma que uso funciona.  
Agora, os comentários também desapareceram.

Também tive problemas com o canal no Youtube. Lembro que em meu primeiro vídeo usei uma música do Lulu Santos. Meses depois, recebi um email do Youtube avisando que a Alemanha havia proibido meu vídeo de ser visualizado no país porque eu estava violando as leis de direitos autorais de lá. Pensei: Tô caaagando para os alemães! Quero que meu vídeo seja assistido no Brasil.
Na época se usássemos músicas com direitos autorais e o canal não fosse monetizado, não havia problemas. Havia sim uma troca de favores: Eles usavam meus vídeos para propagandas em troca das músicas. Nunca ganhei um centavo com o Youtube, muito pelo contrário, só tive despesas. Resumo da ópera, hoje, mesmo não sendo monetizada, mesmo eles fazendo propaganda nos meus vídeos, ganhei uma espécie de cartão vermelho no canal. Não tenho acesso a várias ferramentas oferecidas pela plataforma para melhorar meu conteúdo, não posso fazer vídeos ao vivo por exemplo. Meu canal não é recomendado, meu canal não cresce.E a gente trabalhar e não ter um retorno desanima. 

Além dos problemas técnicos, a cada post publicado em qualquer rede social abro caminho para pessoas que a maioria nem conheço me julguem. Dou munição gratuita para um inimigo, mesmo que ele não se considere como tal, ainda.
Gerar conteúdo de relevância e mantê-lo ou consegui-lo (para alguns) é um trabalho dificil. O que começou como um hobby, hoje virou um trabalho, que não é remunerado, além de termos aberto nossa vida para críticos cujas intenções não tem nada de nobre.

Quando morei em Londres, trabalhei com uma francesa que era um amor e uma Lituana que era detestável. Aprendi com as duas.
Depois de passar por uma situação injusta ouvi a francesa dizer: As pessoas nunca estão satisfeitas.
A Lituana depois de passar por um esporro merecido e perguntada se havia ficado chateada ela respondeu: Absolutamente não! Só fico chateada com pessoas que tem algum significado na minha vida, com as outras, entra por um ouvido e sai pelo outro. 
Estou praticando receber críticas pejorativas e esquecê-las , admitindo a mim mesma que por melhor que eu faça as pessoas nunca estarão satisfeitas.

Deixei de almoçar em várias vezes na volta ao mundo para pagar o acesso a internet e poder carregar um vídeo no youtube ou um post no blog. Voltei chorando várias vezes para o barco porque com o vídeo quase carregado horas depois, a conexão caia e eu perdia tudo. Fiz sacrifícios para manter um blog/canal que era um hobby e nunca me deu um retorno financeiro e agora se tornou um trabalho com cobranças, críticas, metas a cumprir. Eu sumi por um tempo, adivinhem o porquê?

Com os novos canais sobre náutica no youtube, o número de pessoas interessadas em adquir; morar a bordo aumentou. E o que está acontecendo é que a maioria dessas pessoas veem tirar suas dúvidas conosco, e não com as pessoas dos canais que eles descobriram e apoiam financeiramente.  Fazemos um trabalho de assessoria de graça.
Já respondemos respondemos dúvidas de pessoas de várias partes do Brasil, de Portugal e até Austrália, mas quando começam a cobrar rapidez por essas respostas, a coisa se complica. Somente semana passada foram onze pessoas que entraram em contato conosco perguntando de tudo um pouco. O que observamos é que antigamente as pessoas nos acessavam com respeito e agradeciam nossas respostas e opiniões. Hoje, somos acessados como se fôssemos um Google e com a obrigação de responder (somente o que eles gostariam de ouvir) imediatamente.

O que antigamente nos fazia sentir lisonjeados pela confiança que nos depositavam, hoje também nos desanima. 
Muitas das pessoas que nos apoiam (moral) nos incentivam a entrar no Apoia-se (financeiro). Relutei por muito tempo a idéia de que alguém pudesse pagar pelas nossas experiências adquiridas, mas parece que as pessoas não valorizam o que têm de graça além de muitas das vezes recebemos a ingratidão em troca. 
A questão não é o valor da contribuição e sim o afastamento voluntário dos indesejáveis.

Contratei uma pessoa para fazer um blog novo, em uma nova plataforma e esse post desabafo será o último desse blog que em maio completou 10 anos. Tá velho o bichinho, faltando um bocado de dentes...

O novo blog e canal do Youtube fazem  parte de uma nova Guta que foi obrigada a recomeçar.

O nome escolhido para essa mudança: Guruçá  “Ao Sabor do mar”.
Poeticamente “ Ao sabor” significa destino. Além de nos identificarmos, o nome rimou, e quem me acompanha sabe como adoro uma rima rsrsrs


Porque apoiar?
Temos muitas informações a serem compartilhadas depois de tanta experiência acumulada em anos construindo, trabalhando com o barco e viajando pelo mundo. Tudo o que compartilhamos até agora foi feito com nossos recursos, um trabalho voluntário e feito com muita perseverança. 

Seu apoio será utilizado em novos equipamentos, na dedicação de mais tempo na geração de conteúdo para o blog, youtube e gerenciamento das redes sociais. 
Gastos com a manutenção do blog, acesso a internet para postagens, o trabalho de edição, resposta aos e-mails/mensagens e horas de estudo em vídeo aulas em temas específicos (cada dia lançam uma novidade)e os inconvenientes me motivaram a criar essa campanha. 

Quem se tornar um apoiador terá o acesso a um grupo no whatsaap onde pretendemos responder várias das perguntas que recebemos diariamente sobre vida a bordo: Manutenção, alimentação, dia-a-dia, equipamentos indispensáveis, guias náuticos, etc...


Você não é obrigado a nada e nunca será!Como também não somos.
Apoie se quiser, o quanto puder e se achar que merecemos.

Acessem o novo blog: Ao Sabor do Mar
Inscrevam-se novo canal no youtube: Guruçá - Ao Sabor do mar
Novos vídeos e posts todos os domingos as 9hs.

PS: Se você quiser comentar esse post, infelizmente por aqui não é mais possível, mas faça no blog novo!


Agradeço a compreenção,
Até lá.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Uma opção para Refeno


Olá Povo do mar!

Quem aí quer participar da Refeno?
Nós não participaremos esse ano, mas gostaria de indicar, de olhos fechados o casal Bruna e Jairo do veleiro Caboges. 

Seguem as informações que a Bruna me passou:

O Veleiro Caboges é um barco de aço de 37 pés, construção francesa projeto Caroff, modelo Bulle de Soleil. É um barco forte e estável, foi feito para ir para a Antártida, e está conosco há 5 anos.
Possui um quarto de casal fechado, um quarto de casal aberto, uma cama de casal na sala e dois beliches de solteiro, também na sala.
Temos banheiro com chuveiro quente e uma cozinha completa. Roupas de cama e banho. Ventiladores, mas no barco costuma ser sempre fresquinho.
Somos um casal gaúcho que soltou as amarras do Iate Clube Guaíba para viver no mar.
Jairo(33) é Capitão e Bruna(30) Arrais.
Vivemos de Charter pela costa do Brasil, onde nosso maior foco é Angra dos Reis e região, porém em tempo, conseguimos preparar e equipar o barco para realizar o sonho de participar da regata mais famosa e charmosa do Brasil: a Refeno.
Jairo, veleja a mais de 10 anos, e Bruna a 7. 
Nosso barco possui: Piloto automático, VHF fixo e portátil, GPS, Epirb, Spot, bote de apoio com motor de popa, salvatagem completa, incluindo todos os pirotécnicos e balsa salva vidas. Temos gerador eólico, placas solar, gerador a gasolina, e mais o motor de centro de 90hp.

Acabamos de fazer a manutenção do barco e, estamos saindo amanhã, dia 13/07 de Porto Alegre.
Venderemos todos os trechos, até Fernando de Noronha.

Trechos e Valores

 - Porto Alegre/Rio Grande: 160nm - R$500
 - Rio Grande/Floripa: 386nm - R$1.000
 - Floripa/Ilhabela: 290nm - R$1.000
 - Ilhabela/Angra: 79nm - R$500
 - Angra/Cabo Frio/Búzios: 137nm - R$800
 - Búzios/Abrolhos/Salvador*: 660nm - R$3.000
 - Salvador/Recife*: 380nm - R$1.500
 - Recife/Noronha: 290nm - R$5.000**
Total de Aproximadamente 2.400nm

*Poderá haver outras paradas, conforme necessidade ou previsão do tempo.
**Este valor não inclui inscrição na regata. Neste valor está incluso o retorno, que será até Cabedelo(100 inscrição a parte, que inclui feijoada e premiação), e, apenas a alimentação durante a travessia(ida/volta). Sendo responsabilidade de cada um a alimentação durante a estadia na Ilha. Para pernoite embarcado durante a estadia na ilha, será cobrado um acréscimo de R$600(3 a 4 dias). 

 - Disponibilizaremos 4 vagas para os trechos e para a Refeno.
 - Alimentação inclusa durante as travessias. Durante a estadia em Noronha, e, havendo necessidade de embarque em data anterior ou até mesmo estadia posterior no barco, as despesas com alimentação, serão de responsabilidade de cada um.
 - Datas de saída de cada trecho a definir.






Instagram:@veleirocaboges
https://www.facebook.com/veleirocaboges/
Contato: veleirocaboges@gmail.com
Whats:(51)9.80181999


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Novo canal no Youtube

Oi gente,
Tudo bom com vocês?


Estamos fazendo uma renovação nas nossas redes sociais, tudo por conta de problemas técnicos.

Em breve um novo blog com atualizações semanais.  
O novo canal no Youtube já está no ar:

Guruçá "Ao Sabor do Mar"

Foi difícil escolher esse nome, mas quando descobri que poeticamente "sabor" significa destino, bati o martelo e fui contra a quase toda família que havia escolhido outro nome.

Para mim que divulgo sobre náutica em geral desde do falecido Orkut, que tem um blog há 10 anos e que posta vídeos há anos também, confesso que deu um frio na barriga recomeçar do zero.

Mas creio que quem gosta do nosso trabalho vai migrar para nossos novos canais, certo?

Seguem abaixo os novos vídeos:






Inscreva-se! 
Sugestões e críticas construtivas são bem vindas.










domingo, 17 de junho de 2018

Ser brasileiro

Viajar velejando pelo mundo nos proporcionou experiências fantásticas!
Arrisco a dizer que somos o país mais querido do mundo.
Descobri que “Brasil” é uma palavra mágica que foi capaz de tirar sorrisos do mais carrancudo inspetor ao mais tímido pescador.
Todas as vezes que dizíamos ser brasileiros, mesmo não falando a língua local , éramos lembrados de um jogador de futebol, de um cantor, de uma modelo, do carnaval.
Os gestos surgiam, as brincadeiras, músicas eram cantadas. Queriam mostrar de alguma forma que nos conheciam.
E qual o problema em sermos lembrados por ter o melhor futebol do mundo?
Por sermos alegres?
Por termos mulheres bonitas?
Fomos bem tratados em países que dão valor ao que conquistamos: a simpatia e respeito de um mundo que não se resume em Europa e Estados Unidos.
Estou extremamente feliz em saber que hoje, várias Ilhas no Caribe, a Polinésia, as Ilhas Salomões, países asiáticos e Africanos estarão vibrando por nós!

Temos que aprender a nos valorizar e termos consciência que a maioria dos nossos problemas seriam resolvidos nas urnas.
Não é preciso deixar de torcer por algo para que isso aconteça.

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Essas crianças “sarará crioulo” na foto, conhecemos na ilha Honiara, capital das Ilhas Salomões (perto da Austrália).
Tem os cabelos loiros naturais, devido a uma mutação genética que só acontece por aquelas bandas, ainda não se sabe o porquê.
Quando dissemos que éramos brasileiros foi uma gritaria! Todas falando ao mesmo tempo, até que dei a palavra a uma delas que disse com toda convicção:
- Você sabia que o Neymar pintou o cabelo para ficar igual a gente?
Eu queria abraçar a inocência daquela criança.
Ganharam uma rodada de geladinho.

Siga-nos pelo insta: @aosabordomar
Em breve novo canal no YouTube e novo blog.

domingo, 6 de maio de 2018

E o Lord Jim afundou.

Estávamos trabalhando quando recebi uma mensagem avisando que o Veleiro Lord Jim havia acabado de afundar. Filmei ele garrando, quase batendo em nós, mastro caindo, rebocagem mal feita, mas o fim mesmo, ele não quis que eu mostrasse.

Agora está no fundo, não tão fundo o suficiente para que ele ficasse totalmente submerso, partes do mastro estão aparentes. Foi colocado uma bóia de perigo isolado e veremos se será o suficiente.

Agora, começaram a depená-lo. Fausto disse que quando ele passou pelo furacão no Caribe, na época, a lei era que se um veleiro estivesse afundado e sem um responsável, qualquer um poderia pegar o que quisesse. Não sabemos se a lei continua a mesma no Caribe e se é válida aqui no Brasil, só sei que, qualquer peça de bronze do Lord Jim, deve valer uma boa grana em antiquários, principalmente na Inglaterra, já que o veleiro é Inglês e tem uma história respeitável.

Hoje pela manhã uma pessoa mergulhou devidamente paramentado (até bóia de sinalização usou), deu umas marretadas e arrancou alguma coisa. Foi embora em menos de 20 minutos.

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Lord Jim ainda não virou casa de peixes, mas já está rendendo bons mergulhos no estilo “caça ao tesouro”!

 

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Histórias da vida no mar

E aí povo do mar, tudo bom?

Estou escrevendo o livro da nossa viagem de volta ao mundo e dia sim e outro também quase tenho ataques de pânico por me sentir tão perdida com tantas informações. O pior é que sou mentalmente desorganizada e quando tento focar no livro da viagem, a cabeça começa a pensar em um dos outros três livros que rascunhei. É como se fosse uma alto sabotagem, porque escrevo um monte, mas a sensação é de que nada vai para frente.

Na construção do Guruçá Cat, em vários momentos a gente trabalhava por dias em uma peça, mas o trabalho não aparecia, e a gente ia desanimando quando não víamos o resultado do trabalho. Daí Fausto sabiamente pulava para uma outra peça mais simples que ficava pronta rapidinho e o ânimo voltava.

Não estou conseguindo adaptar essa “psicologia” que ele usava na construção para minha situação atual: Perdida, cheia de incertezas, sem saber como me organizar e o que fazer primeiro. Infelizmente não tenho nenhuma “peça” que fique pronta rapidinho. 

Agora por exemplo, abri o computador e ao invés do livro, estou aqui, choramingando para vocês.
Ontem, tentando dormir, porque tem dessa também, estou caindo de sono, mas a cabeça teima em pensar e enquanto eu não descarregar o pensamento, não durmo ou durmo mal.
Ontem, recordei de duas histórias legais que passamos durante todo esse tempo morando a bordo. São tantas histórias, que olhem só, renderia outro livro!

Aprendi a não aceitar convite de qualquer refeição de velejadores solitários. As minhas experiências com velejadores solitários estrangeiros foram de barcos sujos e fedorentos.
Aqui no Brasil somos muito festeiros e adoramos convidar outros velejadores para o nosso barco, mas lá fora não é assim. Principalmente com europeus. Eles são muito reservados, aceitam  prontamente a um convite ao seu barco, mas raramente te convidam de volta. 
Na nossa viagem preferimos nos relacionar com famílias, não temos filhos, mas tínhamos o Faísca, um cachorro, que praticamente nos tornava uma família e nos aproximava das outras. As crianças o adoravam! Contamos nas mãos os veleiros que nos relacionamos de “verdade”, de um ir ao veleiro do outro, mas não sentimos falta nenhuma desse tipo de relacionamento. O nosso propósito era conhecer os lugares o povo, suas culturas e não ficar tentando fazer amizadinha com o vizinho temporário.

Então foram poucos os velejadores solitários que nos relacionamos, amém!
Não vou dizer a nacionalidade de ambos, só para rolar uma curiosidade hehehe

O primeiro morava em um monocasco com a boca bem grande (largo) e uma decoração interessante: Era cheio de almofadas coloridas, tecidos tipo cetim, me fez imaginar um quarto de um sultão, cheio de pompa. Sujo o veleiro não era, mas o cara não gostava de banho e não tinha uma mulher para obrigá-lo a fazê-lo. Ele só tinha duas camisas que se não estivessem bem presas no varal, fugiriam nadando de tão surradas e mal lavadas, ou seja, rolava um cheirinho de urso a bordo (creio que urso seja fedorento).

Dentro do veleiro, ele armou a mesa que estava na forma de cama, alguns veleiros pode-se usar de ambas as formas e colocou uma panela de pressão no centro. Disse que havia aprendido a receita quando passou por Salvador... Pensei: Ai-Meu-Deus!
Quando abriu a panela, quase cai dura. O cara havia feito um tipo de feijoada, que como ele mesmo disse: Na comida baiana não pode faltar cominho e leite de coco né?! Não sei de onde ele tirou isso! Feijoada com leite de coco, Gzuis, como me safo dessa?
Reclamei do calor,  que estava ficando enjoada dentro do monocasco e pedi para comer do lado de fora. Dei uma de atriz, porque olha, fingi que comia tudo e ainda elogiava, só que a minha parte os peixinhos comiam, cada vez que o cara entrava para pegar alguma coisa que eu inventava: Uma faca por favor? Tem guardanapo? Velejador solitário não liga para esses detalhes. Mais difícil do que fingir, era não rir da cara que Fausto fazia cada vez que dava uma garfada. Pela primeira vez achei que Fausto não iria comer alguma coisa. Assim que chegamos em casa Fausto começou a reclamar, enfiava o dedo na guela querendo vomitar. E ele ficou puto quando soube que eu não havia comido nada.
- Bem que achei estranho você tão quieta!

Fausto, não vou mais almoçar ou jantar em nenhum barco de velejador solitário, nem adianta ficar falando na minha orelha...

Até que apareceu um colega que ele não via há anos…

- Não vou, vai você sozinho!

- Você é a minha esposa, quero que ele te conheça nhê, nhê, nhê e a boba aqui cedeu.

Ficamos no cockpit (a varanda do barco). Fausto tomando uma cervejinha e eu uma coca cola, mas já preocupada com o que iria ser servido. Não aguentei e perguntei.
- Pasta com molho foi a resposta. Fiquei mais tranquila, até sentir uma coisinha andar pelo meu braço. Olhei , mas não achei nada. Estava escuro. Coloquei meu braço apoiado na mesa e senti outra coisinha. Olhei e nada! O seu fulano, o senhor pode acender a luz? O cara enrolou e não acendeu. Recolhi meus braços e fiquei quieta. Quando o jantar começou a ser servido, a luz foi acessa e eu nunca havia visto tanta baratinha em um só lugar na vida! Haviam várias correndo pela “casa”. E o velejador agia como se nada estivesse acontecendo... Eu não tenho medo de barata, mas dá nojo comer com um monte delas passeando na sua frente. Pedi licença , peguei meu chinelo no bote e começei a matar as baratas que chegavam perto de mim. Cara de pau por cara de pau né? Daí começei a pensar nas baratas que haviam passado em cima do prato que estava na minha frente, na panela em cima do fogão e fiquei embrulhada. O cara não saia da mesa e não adiantou eu dizer que estava esperando meu prato esfriar (na primeira virada de rosto do velejador iria tudo pra água) que o cara ficava falando: Experimenta, experimenta! Aff, não teve jeito. Coloquei a primeira garfada de espaguete na boca. Puta merda, era pimenta pura! O tal molho era a mistura de várias pimentas. Haaaa vá a merda! Comer pimenta cheia de baratas já era demais para mim. Reclamei pro cara na boa, que era muito apimentado, que eu não comia pimenta e devolvi o prato. O velejador fez uma cara de mendingo chateado saído direto do filme Os Miseráveis, e eu nem tchum! Ele deveria me agradecer por eliminar pelo menos umas 100 baratas do barco dele, isso sim. Hoje, pensando bem, eu deveria ter dado de uma mulher “normal”, ter gritado quando tivesse visto a primeira barata e corrido para o bote. Teria me poupado do climão.

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