domingo, 16 de agosto de 2015

Bali cultura e religião

Felizmente ainda tínhamos um mês de visto para explorarmos Bali. Logo no primeiro dia que saímos para passear (o primeiro dia foi intenso!) tivemos a sorte de presenciar uma cerimônia de funeral, falei assim no vídeo porque realmente não sabia como me referir, depois fui saber que se chama “ Cerimônia do ciclo final da vida”  onde acontece a cremação. Duas coisas  me surpreenderam:  Eles estavam comemorando.  A morte é um dos dias mais felizes da vida do morto. Deu para entender?!  O Balinês têm uma forte crença com a vida após a morte. Quando o morto é cremado, sua alma é liberada e capaz de prosseguir sua viagem para o céu depois de sua reencarnação ou pode também, imediatamente reencarnar em uma criança que está para nascer na família. As cinzas do morto são sempre levadas para o mar ou se estiverem longe, eles jogam em um rio que deságue no mar. A outra coisa que me surpreendeu é que eles cremam a pessoa em cima de troncos de bananeira a céu aberto para quem quiser ver. Em um momento havia um corpo e minutos depois mais nada. Tinha turista chorando, mesmo não conhecendo a pessoa para nossa cultura é chocante.
Engraçado é que eu e Fausto estávamos caminhando pela rua e começamos a ouvir uma música, depois um monte de gente enfeitada com bandinha tocando. Era carnaval no Brasil e eu logo fiquei animada, opaaaa! Será que têm carnaval aqui também?! Bobinha, de carnaval fui a um funeral Smiley de boca aberta
 
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Fiz um vídeo, mas não sei que diacho está acontecendo que não estou conseguindo postá-lo aqui, caso não apareça, é só clicar no link AQUI 
 
 

Continuarei o assunto porque a cultura/religião balinesa é fascinante mas complicada!

domingo, 2 de agosto de 2015

Bali- Indonésia

Assim que começamos a entrar no canal de Sanur o nosso amigo Ben que estava surfando começou a gritar e foi nos receber na ancoragem. O tempo estava bem feio e acabou caindo o maior toró. Havia muitas poitas disponíveis para aluguel, mas as que pegamos estavam sem manutenção fazia muito tempo e não eram confiáveis. Acabamos jogando ferro, longe da maioria das embarcações e bem próximo da praia de Sanur, uma orla linda, com várias pousadas e resorts.

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O Ben veio a bordo e foi aquela festa. A figura nos convidou para um churrasco de um amigo australiano que a mãe havia acabado de chegar em Bali para visitar. A senhora conseguiu esconder uma peça de carne australiana na bagagem, só para o filho comer um churrasquinho (coisa de mãe né?!) em toda Indonésia, Malásia e Tailândia é muito dificil encontrar carne de boi para comprar, quando encontrávamos ou já estava “verde” ou era muito cara. Lá fomos nós no churrasco. Caraca, tive que me controlar viu? Assim que coloquei aquele pedacinho de carne sangrento com uma gordurinha na boca, quase virei uma leoa e devorei tudo! Credo, baixou o instinto selvagem!  Não comíamos carnde de boi desde Samoa Americana, acho que há uns seis meses, pense na seca que nós estávamos!?

20150214_151552O Ben de braços abertos, a Rosângela e o filho deles Joshua (que da última vez que vimos tinha uns dois anos) o Dave e a mãe.

O Ben e família estão velejando pelo mundo e passam temporadas em terra, dessa vez estavam morando em Bali. Quando chegamos, eles iriam para as Filipinas no dia seguinte buscar o veleiro deles que estava em uma marina por lá, ou seja, foram horas intensas de valiosas informações que ambos nos passaram. O nosso muito obrigado ao casal Coração vermelho.

Da ancoragem até o resort onde deixávamos o nosso bote era uns 10 minutos motorando. Havia o problema da maré e a praia era de areia fofa. Subir o bote, mesmo com as rodinhas dava trabalho.

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Deixávamos o bote em frente a um resort e uma escola de mergulho e surf que o Dave é proprietário.

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Começamos a explorar a ilha. Bali têm muitas praias e têm a parte de montanhas. Nós já estávamos meio que saturados de praia, então focamos nosso tempo em conhecer o interior da ilha. Não, vocês não verão fotos da praia que a Julia Roberts fez o filme Comer, Rezar e amar. Sorry!

O bairro de Sanur é cheio de resorts e pousadas belíssimas. Quando passeávamos pela orla eu ficava de queixo caído com tanta beleza. Os jardins bem cuidados, a arquitetura e decoração  simples e ao mesmo tempo  lindas. Como dizia uma amiga argentina: Me encantantei! Os balineses são detalistas e fazem varios objetos de decoração espetaculares que são vendidos pelo mundo. O mais legal de tudo é que tanto os resorts como as pousadas eram “abertas” , tipo assim, podíamos passear por dentro dela e conhecê-las. Se tomássemos uma cerveja no bar, já podíamos usar a área de recreação, com aquelas piscinas que vemos em fotos de revistas  e ficamos babando sabem?! E ainda por cima com wifi liberado. Era o paraíso!

Você poderia cair no mar,

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Tomar banho de água doce,

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Pular na piscina,

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Fazer uma massagem,

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E tomar sol. A vida de turista é basicamente assim em Bali.

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20150304_151643Praticamente todas as pousadas tinham uma biblioteca.

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Era assim ô: Pousada “aberta” (sem portões ou muros), passarela/ciclovia e praia do outro lado.

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Uma coisa interessante em Bali são os portões das casas. Alguns têm estátuas uma de cada lado do portão para proteger contra entrada dos maus espíritos (falarei sobre a religião em um outro post), daí eu virei a paranóica dos portões, queria fotografar todos os que via. Fausto teve muita paciência comigo em Bali, coitado, a cada passo eu dizia: Péra aí um pouquinho; Só um minutinho…

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Depois de tanto bater perna, no final do dia sempre terminávamos no happy hour do bar Bambú, em frente a praia.

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Na boa, o bairro de Sanur era tão legal que prendia a gente, era difícil querer sair para conhecer outros lugares.

Até semana que vem!

domingo, 19 de julho de 2015

Navegação pela Indonésia

Quando o nosso CAIT ficou pronto (uma espécie de visto para o veleiro navegar em águas Indonésias) já estávamos com o barco pronto para partirmos. Já havíamos “perdido” mais de um mês dos três meses de visto concedidos a nós e a Indonésia é um país gigante!

Com relação ao CAIT e ao visto, a Indonésia concede três meses renováveis por mais três, só que o valor praticamente dobra para a renovação, ou seja, pagaríamos uns US$ 500 só pelo CAIT e nem sei mais quanto pelos vistos pessoais, além de toda burocracia novamente. Outra coisa que descobrimos é que teríamos que fazer o chek Inn e check out em cada porto que parássemos, até ai tudo bem, só que cada porto tinha uma espécie de autonomia e poderia cobrar taxas de “passagem pelo porto”. Existe uma lei na Indonésia, daqueles tipos de leis absurdas que na prática não funcionam, mas que alguns portos estavam exigindo. Teríamos que pagar 80% do valor do barco em dinheiro, um tipo de seguro, caso acontecesse algo com o barco naquele porto. Se não acontecesse nada, o valor seria integralmente devolvido. A pergunta é: Quem tem xxxx mil dólares (ainda tinha que converter em rúpias) para deixar como um “calção” para qualquer governo?  Então teríamos que fazer nossa navegação passando direto por essas ilhas mais BURROcráticas e ao mesmo tempo observar a nossa autonomia para conseguirmos chegar em ilhas onde pudéssemos abastecer de diesel, outra maratona complicada. A Indonésia é toda complicada gente…

Temos quatro tanques de 300 litros ou seja 1200 litros de diesel cabem na traseira do Guruçá e ainda assim, tivemos que abastecer em Ambom e Bali. Como pegamos corrente contra o tempo todo, diminuiu bastante a nossa autonomia, benditos motores YANMAR, aguentaram o tranco sem reclamarem (temos dois motores de 39hp) . De Jayapura até Bali foram quase 1900 milhas nos motores. Depois mais de 900 milhas de Bali até a Malásia. Praticamente navegamos a Indonésia até a Tailândia onde estamos agora só nos motores. Zero vento.

Fiz uma montagem bem tosca com as fotos abaixo para ficar mais fácil de explicar.

Mapa 1

Jayapura(1) até Sorong (2) , foram umas 700 milhas no contra vento e contra corrente. Um colega Canadense saiu rumo as Filipinas e retornou ao porto dois dias depois para comprar mais bombonas e mais diesel. A corrente estava tão forte que ele não conseguiu vencê-la. Naveguei para trás, disse. Para nós foi o pior trecho, o Guruçá deu boas cavalgadas, pulou, bateu bastante contra as ondas.

De Sorong(2) saem muito barcos de charter para Raja Ampat, uma lugar belíssimo que infelizmente não tivemos tempo de conhecer. Por esse motivo o diesel era controlado para as embarcações e só poderíamos comprar através de um agente, com o prazo de no mínimo 2 semanas para a autorização.  Acabamos desistindo de abastecer em Sorong pois tínhamos diesel para chegarmos até Ambom, bem na boquinha, mas chegamos.

Ambom (3), estávamos zerados de diesel, e para comprar só no cambalacho. Conhecemos um garçom em um restaurante que nos levava todos os dias a tarde em um posto para abastecermos nossas bombonas. Uma semana perdida só para abastecer no ritmo de formiguinha. Conseguíamos comprar somente 200 litros por dia. O interessante é que na ancoragem haviam outros velejadores que estavam pagando o triplo do valor do diesel para oficiais da marinha (no mesmo esquema de formiguinha, ou seja no máximo 200l por dia). Passamos o contato do nosso garçom topa tudo e eles super nos agradeceram. 

Em Ambom, estávamos em quatro veleiros. Três catamarãs e um monocasco de ferro e cimento. O monocasco era um barco antigo e muito pesado, ele não teria autonomia para chegar em uma ilha “menos complicada”  no motor. Um casal de norte americanos tinha um catamarã que era “muito baixo”, como era um catamarã de série também antigo, o capitão não queria forçar o barco no contra vento e corrente. Ele sabia que o barco “bateria muito” contra as ondas e decidiu poupar o barco.  Esses dois veleiros iriam esperar o vento virar, o que teoricamente aconteceria em abril, mas que na prática, só aconteceu em junho.  Nessa de esperar o tempo virar, um por não ter autonomia e outro para poupar o barco, ambos tiveram que renovar seus vistos. Como o norte americano já havia renovado por 90 dias seu visto, teve que sair da Indonésia e foi de avião até Singapura. A família canadense do monocasco com esposa e três filhos (que não têm desconto por serem crianças) tiveram uma porrada no orçamento. Nós tínhamos que estar em Bali em uma certa data porque uma irmã do Fausto viria nos visitar, a mesma coisa com a  outra família norte americana que também receberia visita em Bali. Pensamos o seguinte: Nosso barco é forte. Foi construindo para aguentar tranco mesmo, esse não seria um impedimento. Se  ficássemos esperando o vento virar, teríamos que renovar os vistos. Com a grana da renovação colocamos diesel e pocamos fora!

De Ambom (3) até Bali (4) foram mais ou menos (preguiça de ligar o GPS) 860 milhas, contra corrente mas praticamente sem vento, menos mal. 

Mapa 2     

Uma outra opção seria navegar pelo “lado de fora” da Indonésia onde geralmente têm vento. O problema é que são ventos inconstantes e se tiver um furacão pelas bandas da Austrália, a a ondulação bate nessas ilhas de fora e o mar vira um inferno. Soubemos de um velejador americano (os americanos vivem em contato entre si) que passou pelo lado de fora, nosso colega disse que ele era do tipo que dizia nunca “rasgar dinheiro com diesel”  deu o azar de pegar as ondulações que chegaram de um furação que passou perto da segura Nova Zelândia (veremos até quando) e acabou perdendo estai, cruzeta, passou o maior perrengue. Acabou se desgastando e gastando dinheiro do mesmo jeito, na verdade pior do que comprar diesel, deve ser importar alguma coisa na Indonésia..  

Mapa 3 Lado sul  ou lado de fora do Arquipélago

Uma coisa boa na Indonésia é a cobertura de internet (é assim que se fala?) mesmo no mar, quando passávamos perto de alguma ilha, por menor que fosse, tínhamos acesso a internet pelo celular. Assim avisei no facebook que estávamos indo para Bali e daí o Ben, um Inglês casado com a Brasileira Rosângela que não víamos há anos, nos passou as coordenadas para entrarmos em Sanur, segundo ele, muito melhor do que ficar no porto de Benoa. Se ele não tivesse nos avisado não teríamos entrado em Sanur. O guia que temos (uma porcaria por sinal) as dicas do Noonsite (que sempre se isenta de tudo)  o mapa do Navionics e Open CPN não mostram que existe uma entrada para essa baía. Um completo absurdo porque existem umas 300 embarcações fundeadas lá. A sinalização de entrada é confusa, feita por nativos com boias, não dá para confiar. Entramos com as coordenadas que o Ben nos passou e foi tranquilo. Um mês antes um monocasco tentou entrar sem as coordenadas, somente se orientando pelas boias, o Ben estava surfando nas ondas dos corais e viu o cara entrando errado, gritou, tentou avisar mas foi tarde demais. O cara acabou batendo nos corais e perdeu o barco.

Não poderia esquecer de citar que a maioria das ancoragens pela Indonésia são profundas (média de 35 metros de profundidade) e com fundo de pedras. Ouvimos vários casos de velejadores que perderam suas âncoras que entocaram.

Mapa 6Pelo mapa do Navionics estávamos fundeados em corais (5)

O casal de norte americanos que citei acima, muito simpáticos e educados, passaram pelo Brasil na sua primeira volta ao mundo. Estão na segunda volta ao mundo e morando a bordo há uns 35 anos. Para nossa tristeza, eles também foram assaltados no Brasil, em Belém e isso em 1981! O cara contou toda a história do assalto violento, da incopetência da polícia e nos perguntou: As coisas mudaram por lá?! Smiley triste

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No caminho até Bali tivemos mais um por do sol show de bola literalmente!

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Não poderia terminar esse post sem agradecer as CENTENAS de mensagens carinhosas de apoio a perda do nosso tripulinha Faísca. Ele era um mascote muito querido por praticamente todos que nos acompanham e não sabíamos o quanto! Obrigada de coração. Coração vermelho