domingo, 20 de abril de 2014

Molas, uma obra prima das índios KUNA- San Blás

Há uns anos, conhecemos um casal de alemães na ilha de Itaparica, em Salvador. Quando fomos a bordo do barco deles, a primeira coisa que “bati o olho” foi em um quadro na parede. A Ingrid me explicou que era um artesanato que ela havia comprado em San Blás no Panamá, durante a primeira volta ao mundo deles (estão na terceira volta ao mundo).

Fiquei pensando: Poxa, será que um dia vou conhecer esse lugar? Pois conheci, e comprei muitas molas! hehehehe

Quando estivemos em San Blás, não consegui filmar ou fotografar muita coisa. As índias, que eram muito “arredias” não se deixavam fotografar, ou cobravam, e caro. Já havia desistido, quando em Porto Belo, em um galpão, elas vendiam a mola. As índias de Porto Belo, eram um pouco mais simpáticas, e por um verdadeiro milagre ( e algumas molas compradas), deixaram eu fazer esse vídeo.

Expliquei o que sei sobre as molas no vídeo, mas aqui no post, vou passar para vocês um pouco da cultura dos Índios KUNA, o pouco que consegui descobrir.

A mola é considerado um trabalho sagrado. É um trabalho manual, que só é feito por essas índias, não é conhecido em mais nenhum lugar no mundo.

Reza a lenda, que as KUNAS aprenderam a fazer a mola com uma irmã que veio do céu. Pelo que entendi, foram três mulheres (ou anjas para mim), que vieram do céu para terra, cada uma representando alguma coisa. Uma irmã fazia as molas; Outra trazia o conhecimento da medicina; Outra representava o ouro. De acordo com as índias, em uma época de muita desunião entre os membros das tribos, essas irmãs vieram a terra, no caso, para o território KUNA, para trazerem o conhecimento a união, e o amor. Só as mulheres que recebiam esses conhecimentos, e não os homens, porque eram as mulheres que geravam uma vida, que cuidavam da família e da casa. Elas eram especiais (concordo plenamente!rs). Essa cultura foi mantida, a cultura KUNA é matriarcal, é a mulher que dá a primeira e última palavra.

Nessa história da mulher ser especial, toda a família quer ter uma filha. Quando uma menina nasce, é aquela festa! E a partir do nascimento, o pai deve começar a juntar dinheiro para a grande festa, que é comemorada quando a menina vira moça. São dois dias de festa sem parar. O pai têm que ter dinheiro para comprar uma X quantidade de arroz; de peixe; açúcar; um tipo de cachaça;…; etc.… não pode faltar comida de jeito nenhum. O pai é praticamente obrigado a fazer essa festa, porque se não, estaria condenando a alma da filha, depois da morte, ela não entraria no reino dos KUNAS, e dificilmente arrumaria um marido. Quem iria se casar com uma amaldiçoada?!

Somente as mulheres podem fazer a mola, que significa ROUPA na língua KUNA e a maioria delas se vestem com elas. Antigamente, elas eram usadas somente como roupas, mas hoje são vendidas como artesanato, em vários lugares no Panamá.

Outra coisa interessante na cultura KUNA: Como ter uma filha é algo muito especial, todos querem tê-la. Enquanto na maioria das culturas, ter um filho homem é o “tchã”, em San Blás, quanto mais filhas melhor, porém caso uma família tenha quatro filhos homens seguidos, eles podem eleger o quinto filho para ser criado como menina desde bebê. Fazem tudo que uma mulher faz, inclusive podem usar e costurar a mola.

Na cultura KUNA, o homoxessualismo é natural.

Sei que é errado “dar pitaco” na cultura dos outros , mas caramba, nascer homoxessual é uma coisa. Ser criado como tal é outra. Sei lá, acho que essas pessoas devem sofrer um bucado. O que as crenças das pessoas não faz, não é?! 

Molas das índias KUNA

É lindo, ficou bom, ficou legal! Assista aê!

domingo, 13 de abril de 2014

Alimentação e organização

Quando trabalhávamos com charter no Brasil, organizar as refeições era o mais complicado. Quando os clientes decidiam levar comida para o barco, na maioria das vezes faltava. Então, começei a oferecer um cardápio para os clientes, eles escolhiam o que queriam comer, eu fazia as compras dos ingredientes em função dos dias e do número de pessoas,  e preparava as refeições. Resolvemos o problema. Mesmo assim, cada charter era uma caixinha de surpresas. Fui aprendendo na prática o quanto comprar pelo número de pessoas. Não podia comprar muito, se não o cliente poderia achar que eu queria ficar com o restante das compras, e não podia faltar de maneira alguma. As pessoas querem vir ao barco relaxar e comer!

Crianças comem muito  a bordo! Como gastam muita energia brincando, comem feito adultos. Já tive pais que ficaram impressionados como os filhos comeram bem no barco. Em casa era diferente. Como diz Fausto: O melhor tempero para comida é a fome!

Acabei trazendo a organização dos charters para as viagens também. Para não ter erro e não faltar nada durante uma travessia, eu preparo cardápios. Por exemplo:

Imaginem uma viagem que o tempo estimado de chegada são de 5 dias dependendo do vento. Esse “dependendo do vento” complica um pouco, a viagem pode ser mais rápida, como pode ser mais lenta. Então, sempre penso em refeições para pelo menos cinco dias a mais.   

Preparo cardápios para 10 dias. Nos primeiros dias, preparo refeições com alimentos frescos, carnes. Sempre saímos com alguma coisa pré-pronta, caso eu passe mal. Geralmente fico enjoada no primeiro dia.

  1. Almoço: Lasanha – Jantar: Lasanha que sobrou do almoço
  2. Almoço: frango ensopado com polenta - Jantar: Cachorro quente
  3. Almoço: Frango assado e salada - Jantar: Sopa de legumes
  4. Almoço: Arroz, feijão, salada e bife…

Vou fazendo assim. Faço cachorro quente logo no começo, porque o pão se estraga logo; Uso o frango (coxa e sobre coxas)nos primeiros dias porque ocupam muito espaço no congelador; Folhas em geral duram pouco, são comidas nos primeiros dias também, e assim vai.

Deixo as refeições usando enlatados por último: Espaguete com atum, macarrão com molho branco, arroz com lentilhas e linguicinha etc.… Claro que sempre tenho biscoitos, miojos, sopas prontas etc.

Nas nossas próximas travessias Panamá-Galápagos-Marquesas, etc., farei a mesma coisa, dependendo do número de pessoas que tivermos a bordo. Só que nesse caso, terei que comprar o triplo de comida porque iremos para lugares remotos, e caros. Também terei que pensar em refeições de “uma panela só” e evitar de usar o forno para economizar gás de cozinha.

Tenho uma listinha das minhas provisões a bordo. Sempre que pego alguma coisa, corrijo a lista. Assim sei o que tenho, e não perco com alimentos vencidos.

IMG_6478Minha listinha, que vai desde alimentos até produtos de limpeza

IMG_6483Cereais e macarrão sempre dentro de potes ou garrafas pet para evitar a infestação de garrunchos.

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Nunca contamos com a pesca.  Se pescarmos bem, se não, não têm problema.

Dá trabalho, mas é chato quando você quer fazer alguma receita e falta isso, falta aquilo. Assim o risco disso acontecer é muito pequeno.

IMG_7167Arroz e lentilhas guardadas em garrafas pet com folhas de louro que evitam garrunchos.

IMG_7175E depois guardadas no nosso porão. Caso Deus que nos livre, o porão encha de água, com essas garrafas não perdemos nada.

IMG_7353O primeiro dia de compras- no total foram três dias comprando. Até enjoei.. rs

IMG_7357Total de 600 latas de cerveja. Queriam levar mais, mas a prioridade é a comida!

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Peguei uma dica da Paula do catamarã Pajé, e comprei uma máquina de empacotamento a vácuo. Não tinha mais garrafas pet para guardar cereais e alguns como trigo por exemplo, nunca comprava em grandes quantidades porque umideciam a bordo. Feijão é uma praguinha também, mesmo em garrafas e com folhas de louro, costumava dar garrunchos. Agora, espero acabar com o problema.

Também usarei para embalar carnes, vou aproveitar melhor o espaço do congelador.

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Gostaram das idéias?

Vocês que não moram em um barco, podem usar essas idéias em suas casas também! Experimentem! Smiley piscando

domingo, 6 de abril de 2014

Vídeo: Piratas de Porto Belo-Panamá

Mais uma historinha sobre piratas, dessa vez no Panamá.
Um pequeno lapso da minha parte. O nome de um dos piratas que tacavam terror em Porto Belo, é Henry Morgam, e eu chamei  o falecido de Hary.
Uma outra coisa que só fui saber depois que fiz o vídeo: Porto Belo recebe mergulhadores de várias partes do mundo interessados em encontrar o caixão do Henry Morgam. Esse pirata foi tão gente boa em vida, que depois de morto, colocaram-no em um caixão de chumbo e o jogaram no mar. Hoje, ele é considerado um herói pelos ingleses, que ofereceram a recompensa de 1 milhão de libras, para quem encontrar o caixão.
Pensando bem, a Inglaterra  deveria considerar todos os seus piratas ou corsários heróis mesmo né, se não fossem eles, o que seria a inglaterra nos dias de hoje?! Alguns outros países também dever ter seus heróis Smiley virando os olhos
PS: Esse post é programado, e no momento, estamos em Galápagos Arco-íris

domingo, 30 de março de 2014

Porto Lindo-Porto Belo: Ancoragem dos barcos abandonados.

Começei escrevendo esse post de Porto Lindo, à 43 milhas de San Blás-Panamá. Ficamos impressionados com a quantidade de veleiros abandonados por lá. São barcos de vários tamanhos e nacionalidades, construídos com diversas matérias primas (madeira, alumínio, aço, fibra). Passamos por Porto Belo e agora aqui na cidade do Panamá, também vimos muitos barcos abandonados.

As histórias são muitas. Um exemplo é esse catamarã da foto abaixo que estava em uma poita ao nosso lado. Nos disseram que o dono foi preso aqui no Panamá, e não tiveram mais notícias do velejador.

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Esse outro catamarã, foi comprado por um casal que está reformando a parte interna por lá e que devem retirar o barco da água para fazerem o restante depois.

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Sabemos de três barcos recém comprados sendo reformados. O ruim é que na época chovia muito e era muito úmido também. Mas com barco recém comprado o pessoal está com todo gás e nem liga para esses detalhes.

IMG_6206Esse foi comprado por um Colombiano que também está na luta, trabalhando a bordo.

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Têm veleiro escondido no meio do mangue, abandonado há vários anos.

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Outros estão sendo cuidados por nativos, mas quando fomos nos informar, “sentaram o pau” reclamando que os velejadores se foram há anos e a maioria não paga pelos serviços. E mesmo assim, eles continuam cuidando e não roubam nada dos barcos. Aliás, têm veleiro muito velho, com churrasqueira, com gerador, radar, com dingue a vista que ninguém mexeu.

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Fizemos amizade com um brasileiro que já mora aqui na cidade do Panamá há dois anos e ele nos disse que são muitos os motivos que levam uma pessoa a abandonar o veleiro. Ele conhecia pelo menos uns três casos de tripulação traumatizada. Como o caso de um velejador americano que saiu com sua família para o Equador, pegou uma tempestade, um dos estais partiu e o cara chegou em estado de choque na cidade do Panamá, foi embora e nunca mais retornou. O veleiro estava “zero bala” e equipadíssimo.

Existem casos de velejadores solitários que morreram a bordo e a família não veio buscar o veleiro ou de velejadores solitários que foram visitar a família, morreram e a família provavelmente não sabe onde o veleiro está.

Diferente de Porto Lindo e Porto Belo, que os nativos não mexem em nada dos veleiros abandonados, aqui na cidade do Panamá,  depenam tudo. Todos os veleiros abandonados aqui não têm nada a vista. Já vimos veleiros abandonados até sem gaiutas! (as janelas de um veleiro).

Esse catamarã azulzinho estava abandonado em uma ilha perto daqui da cidade do Panamá. Havia ido parar em pedras e se quebrou bastante. O dono simplesmente largou o barco na praia e foi embora. Um tempo depois um francês correu atrás, localizou o dono que deu o barco para ele. O fundo foi todo recuperado e agora o cara está reformando a parte interna.

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IMG_6813Um Beneteau antigo

Quando saímos do Brasil, vários amigos nos pediram para ficar de OLHO nos preços de barcos aqui fora. Não é lenda de que no Caribe encontra-se veleiros monocascos com bons preços e em bom estado de conservação.

Entre os catamarãs a coisa muda de figura. Conversamos com um famoso vendedor de barcos em Grenada que nos disse ter uma lista de espera para catamarãs. Muita gente está optando por morar a bordo e os cats são os mais procurados. O cat mais barato que vimos foi um de 38’ com mais de 12 anos de uso por charter pelo Caribe, sem equipamentos, os dois motores teriam que ser trocados, enfim daria um trabalhinho para estar no “jeito”, por US$ 200 mil.

Em Trinidad um colega comprou um veleiro de 45’ em ótimo estado de conservação por US$ 30 mil. O antigo dono era um americano que tinha seu dinheiro aplicado em imóveis nos EUA. Quando veio a crise por lá, o cara foi embora para os EUA e nunca mais voltou. Na verdade os US$ 30 mil foram para pagar a dívida na marina.

Nessa mesma marina, estavam dando, isso mesmo, dando veleiros. A marina foi comprada por uma empresa e ela teria que “se livrar” de vários veleiros abandonados na mesma condição citada acima. Tinha veleiro de ferro e cimento que seria destruído, porque ninguém queria.

Passeando pelas marinas em Trinidad encontra-se muitos barcos a venda com bons preços.

Infelizmente no Brasil não é permitido a importação de veleiros usados, somente de novos e pagando altíssimos impostos, mas para quem quer viajar pelo mundo, seria uma boa ideia comprar um barco usado por aqui.

Entre os barcos abandonados, teria que ser um bom  detetive para encontrar os donos, tarefa que não parece ser impossível. Para encontrar o dono do nosso  catamarã  vizinho seria só procurar pelas prisões de estrangeiros aqui no Panamá!Smiley sarcástico 

Essas fotos eu tirei de barcos que estavam perto da gente, deu preguiça de ir mais longe. No meio dessa galera, têm vários outros:

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Antes que me perguntem, não tenho mais informações sobre os barcos, não sou broker (quem sabe um dia), então não adianta perguntar, porque tudo que sei, já escrevi.

Estou dizendo isso porque no post do Monocasco diferente, choveu perguntas de qual era o estaleiro, qual era o preço do barco, enfim, a galera ficou louca com o barco e me deixou louca também!

Recebemos e-mails de muitas  pessoas que estão na dúvida em qual barco comprar e pedem a nossa opinião. Gente, de longe e sem ver o barco, fica complicado né?!

Se quiserem barco barato, não têm jeito, têm que “investir” viajando procurando de marina em marina. A maioria dos barcos baratos não estão em anúncios pela internet.  E além de bater perna, têm que rezar para ter a sorte do nosso colega. De estar no lugar certo na hora certa! Smiley piscando

E ai, gostaram?

PS: Esse post é programado. Nesse momento já estamos em Galápagos.