domingo, 22 de março de 2015

Volta ao mundo no dedão.

Quando conheci o Polonês Michel e ele me disse que estava dando uma volta ao mundo de carona, não me surpreendi, já havia conhecido várias pessoas fazendo o mesmo, mas quando ele me disse que largou o curso de medicina no terceiro ano para viajar, fiquei impressionada. O curso de medicina é concorrido quem qualquer país do mundo né?

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Michel disse que um dia, sentado na cadeira da faculdade pensou: O que eu estou fazendo aqui? Só tenho 23 anos. Vou me formar, trabalhar, construir um patrimônio, constituir uma família, para só depois dos 60 anos ou mais me aposentar e poder “curtir” a vida?! Porque não faço isso agora que estou novo?! Assim ele trancou a faculdade, vendeu o pouco que tinha e uma poupança guardada para ele desde criança para a faculdade (a mãe revoltada não ajudou em nada na sua “loucura”), e saiu de mochila nas costas para conhecer o mundo. Isso há três anos, e ele pretende ficar viajando por mais três. Conheceu toda a europa, américa latina (inclusive o Brasil de cabo a rabo), América central, Polinésia Francesa, Nova Zelândia, Salomões. Conosco foi até Kavieng na Papua Nova Guiné, com o objetivo de chegar a Austrália.

O Michel era um cara esperto, do tipo de aprende a língua local em meses. Falava inglês, espanhol, alemão, francês e inclusive o português. Aprendeu nos seis meses que passou pelo Brasil. Era simpático e prestativo.

– Michel, você gostou do Brasil?

- Amei Guta, ainda mais depois que descobri que ser Polonês no Brasil era o máximo!

- É mesmo, eu não sabia disso! Como assim?

- Todas as vezes que eu dizia ser polonês, as pessoas não sabiam onde ficava, então eu dizia que era a terra do Papa João Paulo II. Daí logo se recordavam (vocês brasileiros gostavam muito dele né?), então, tudo ficava mais fácil para mim. 

Bobo nada!

Não pensem que ele têm alguém bancando sua “loucura”. Ele trabalha sempre que pode no que dá. Trabalhou em uma ONG no Panamá que precisava de um tradutor. Como garçom em restaurantes, colheu kiwis na temporada da Nova Zelândia e estava indo para a Austrália para tentar algum trabalho, pois a grana estava acabando. Em todos os lugares por onde passa, ele tenta trabalhar como voluntário em hospitais e postos de saúde. Pretende escrever um livro sobre essas experiências na área de saúde pública.

Antes de chegar em Gizo, o Michel participou de uma ação voluntária de dois veleiros Neo Zelandeses, um trabalho muito parecido com o que o Márcio do projeto Velejando com Deus faz no Brasil. Saíram da Nova Zelândia, e pegaram só “pauleira” até chegarem nas ilhas San Cristóbal, um grupo de ilhas pertencentes as Salomões, só que bem distantes da capital. Levaram muitas doações de roupas e remédios. Muitos remédios para verminoses e sarna. Doenças comuns por lá, principalmente entre as crianças. Apesar dos nativos terem remédios naturais para ambas doenças.

Em tudo quanto é lugar nas Salomões, vimos posters da princesa ou condessa (?) Kate e o príncipe Willians. Nos disseram que o ano passado, eles visitaram as Salomões e que foi um “furdunço” na cidade. De anos em anos a realeza Inglesa faz aparições pelo arquipêlago. O engraçado é que a Inglaterra, os “colonizadores” das Salomões, largaram aquele povo por lá a Deus dará. Não têm nenhuma organização de ajuda a população local. As organizações que ajudam, com serviços médicos, dentários (o maior problema) e outras coisas são da Austrália e da Nova Zelândia. Agora, vá falar mal da Inglaterra para ver no que dá!? 

Michel nos contou que infelizmente estavam começando a diagnosticar casos de AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis no país. Como poucos sabem o que é uma camisinha, é questão de tempo para as novas gerações serem contaminadas. Apesar das escolas, muitas escolas, as professoras que são evangélicas ou freiras, se recusam a dar aulas de educação sexual. Não transar antes do casamento! Pronto e acabou. Essa é a lição ensinada.  

Os casos de malária são cada vez mais raros, e uma curiosidade. Sabem o que mais mata turistas nas Salomões? Traumatismo craniano por queda de cocos. O ano passado, as únicas duas mortes de turistas nas ilhas foi por esse motivo.

Como trabalhou com esse grupo de ajuda, Michel conseguiu carona no navio de transporte local, de San Cristóbal para Gizo, onde o capitão não cobrou a passagem e ainda deixou que ele dormisse em sua cabine, se não, ele dormiria bem pertinho de vários porcos.

DSC_0255O povo dorme na parte de cima e  porcos na parte de baixo.

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Em Gizo-Salomões ele foi pedir abrigo na igreja católica local. Da igreja, foi parar na casa das freiras, que moravam em uma ilha em frente a Gizo. Trocava trabalhos manuais (limpeza da caixa de água, conserto do painel solar, vazamento do telhado etc.…) por comida e cama. Pelo que nos contou, se quisesse ficaria por meses por lá, como tinha muitas histórias para contar, estava sendo tratado feito rei. Até carne de porco assado ele comeu! Iguaria que só os padres tinham direito. E eu fiquei com água na boca (já faz meses que não comemos carne de boi ou porco).

Levamos a figura conosco até kavieng, de lá ele queria passar por mais duas cidades para ter uma noção do sistema público de saúde da Papua e queria chegar em uma vila que de acordo com suas fontes de informação, ainda praticavam canibalismo. Ele queria conhecer a doença que pessoas que comem carne humana desenvolvem. Quando contei isso no face, disseram que era mentira, que o canibalismo foi erradicado na Papua há muitos anos. O Michel nos disse que foi erradicado teoricamente mas não na prática.

Em Kavieng conhecemos um casal de Australianos que passaram pelas ilhas Lousiades na Papua Nova Guiné, e nos contaram que nessas ilhas os nativos não comiam carne humana porque gerava a tal doença, mas que eles descobriram que comer somente o cérebro humano não fazia mal. Em algumas vilas, quando uma pessoa morre, seu cérebro é comido por parentes e amigos para que a inteligência do morto seja absorvida pelos vivos. A Australiana, encafifada foi procurar no google essa história, e leu que essa prática havia sido extinta em 1996 por um grupo de médicos, sociólogos e o escambal que obrigou o governo da Papua a acabar com qualquer tipo de canibalismo, fosse comer cérebro de morto, fosse comer um dedinho do pé. Que estávamos em uma época civilizada e não havia mais necessidade disso. Então, para os “ingleses verem” o canibalismo foi extinto. Assim, de um dia para o outro. Se organizações religiosas tivessem entrado para parada eu até acreditaria, mas na Papua existem pouquíssimas igrejas, o povo não é lá AINDA não é tão temente a Deus.

A ilha PAPUA é dividida ao meio, uma parte pertence a Papua Nova Guiné, e outra parte pertence a Indonésia, que praticamente tomou essa parte da Papua Nova Guiné para si e explorando somente o litoral. Até pouco tempo atrás, ainda haviam movimentos do “povo das montanhas” na parte Indonésia querendo independência. Daí o governo indonésio “descobriu” o bolsa família, que apaziguou os ânimos por lá. Turista não sobe as montanhas de Jayapura cidade na Indonésia que faz divisa com Vanimo na Papua Nova Guiné. Conhecemos um militar que jurou que existem tribos que comem seus recém nascidos mortos. Que existe uma tribo somente de mulheres. As mais bonitas vão até a cidade e seduzem homens dentro de padrões considerados importantes para elas. Sequestram, levam esses homens para a tribo e os obrigam a terem relações com todas elas. Depois os matam. As mulheres que engravidam, quando nasce uma menina é motivo de festa, quando nasce um menino, ele é sacrificados e comido. Esse cara disse que fizeram até um filme baseado nessa tribo, um filme com o Nicolas Cage, A Colméia, ou uma coisa do tipo, vocês se lembram!? Quando algum homem desaparece na cidade, logo colocam a culpa nas “mulheres viúvas negras” das montanhas.

São muitas histórias que escutamos, e sinceramente, eu não duvido de nada nesse mundo!

Começo a escrever sobre uma assunto e termino em outro que não têm nada a ver. Prazer, essa sou eu,Guta Favarato Smiley confuso     

Seguem umas fotos profissionais que o Michel tirou dessas ilhas mais afastadas nas Salomões. As religiões ainda não baixaram por lá (acho que a distância ajuda, para a sorte deles). Dançar, andar pelado, comer carne de porco e várias outras coisas ainda não virou pecado. Que Deus proteja esse povo o máximo de tempo possível dos que usam seu nome em vão.

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Essa sequencia de fotos é mais irada ainda:

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Pescando para levar peixinhos para o gatinho.. Coração vermelho

O Michel não se arrepende nem um pouco de ter trancado o curso, e disse que vai retornar a faculdade com uma boa “bagagem”, sem dúvidas. Isso claro, se ele voltar vivo da tal vila canibal.

– Michel, você não acha que os nativos canibais, podem quer comer um estrangeiro curioso que passar por lá?

– Mas Guta, eu sou muito magro, não valeria a pena.

– hahaha magro para fazer um churrasco querido, mas você bem que daria uma sopinha!

– Eu, uma sopa? Não tinha pensado nisso…

Somos loucos? Sim, não ou com certeza? Smiley piscando

Mas e vocês, apoiariam um filho que resolvesse sair pelo mundo afora?

domingo, 15 de março de 2015

Ilhas Salomões – Parte 3

Depois que saímos de Mbili uma vila logo na entrada do Marovo Laggon, fomos direto para a vila de  Telina. Queríamos conhecer John Waine, um escultor que o Hélio Setti citou em seu livro, como tendo as esculturas mais belas de toda as Salomões.

Olha, para nós com um catamarã e somente 1 metro de calado, passamos apertos, nem consigo imaginar um monocasco com quilha por lá. A cor da água era tão clara, que a impressão era de que bateríamos no fundo a qualquer momento. Com o tempo, pela diferença na tonalidade das cores da água (eu ficava na proa com os zóios abertos), já sabia mais ou menos em que profundidade estávamos. A carta da Navionic, que temos no IPAD, tinha muita coisa errada. Lugares que diziam ter 20 metros de profundidade e que tinham 2, 3 metros. Em um ponto havia um coqueiro plantando no meio do laggom. Puta merda, isso que isso quer dizer? Para não passarmos pelo lado de la, ou o lado de cá perguntou Fausto. – Como é que eu vou saber! Diacho! Tivemos que parar em vários pontos e seguirmos só no sapatinho. Com profundidades em menos de 3 metros, Fausto dava a ré. Havia muitos cabeços de coral, maiores que a profundidade demarcada na sonda. Quando chegamos na vila de Telina  não sabíamos por onde entrar para fundear. Chegamos em um ponto que dava para ver os corais de cima do barco, com profundidades de menos de três metros. Temos um guia a bordo que dava as coordenadas do fundeio, só não dizia por onde teríamos que passar (sem bater em nada) para chegar até ele. Não demorou muito e um casal em uma canoa veio nos ajudar. Descobrimos o “passe” e fundeamos na saída de um rio, com fundo de areia e lama. Uma coisa que conseguimos fazer foi não fundear em nenhum fundo de coral, seria até pecado, destruir aquelas maravilhas com nossa âncora.

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20141017_163022O dia nublado, imaginem ensolarado?! Dava medo!

Infelizmente os escultores nessa vila não eram organizados como em Mbili, e de hora em hora, alguém nos chamava oferecendo cavas. As crianças também vinham com suas canoas e ficavam pedindo doces. Faísca quase mordeu a mão de uns dois que tentaram subir no barco.

Conhecemos o John Waine e sua família. Ele nos disse que tentava organizar a venda de cavas pela vila mas que as pessoas não respeitavam o combinado. Com o John Waine (que é uma celebridade local), fomos em uma outra vila no dia de feira de frutas e legumes. Tivemos que esperar o culto a céu aberto terminar, por mais ou menos uma hora e depois a feira abriu.

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IMG_9751Olhem o John Waine ai genteee!

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Ficamos viciados em um tipo de castanha que lá era chamada de Maria. Castanha do Pará, nozes, pistache, castanha de caju. A Maria colocaria todos no chinelo, era muito mais gostosa.

20141019_100559A castanha escura ainda têm a popa (parecida com a nossa castanheira) depois a semente já seca.

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20141015_202647A gente não comia muito não…

A família do John Waine era “bem de vida” nos padrões das Salomões. Como ficou famoso entre os velejadores, e fez muitos amigos, principalmente Australianos e Neo Zelandeses, ele negociava cavas com essa galera a um preço justo. Suas filhas faziam cestos com um outro tipo de planta comum por lá, e os filhos também faziam cavas. Todos seus filhos e filhas eram casados e moravam cada um em suas casas mas no mesmo terreno. Além disso, a família plantava, criavam galinhas, tinham uma horta. Também fizemos troca com toda a família, eles eram bem bons de jogo. No showroom, onde ficavam as esculturas e cestos, quando eu gostava de alguma coisa e perguntava o preço, um dos filhos dizia: Espere um pouco, isso foi feito pela minha irmã mais velha. Deixe eu perguntar o que ela quer em troca. E assim sucessivamente.

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IMG_9762Fiz trocas com duas dessas bolsinhas da foto, não dá para ver direito mas o trabalho é esplêndido!

IMG_9733Fazendo os cestos

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IMG_9738Ralando o coco que lá faz o papel do o nosso arroz.

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O John Waine, desde 1980 criou um livro de visitas para os velejadores que passam por lá. Tentamos encontrar alguma coisa do Hélio Setti mas não conseguimos. Muitos livros estavam velhos e se estragando devido a humidade.

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John e seu filho encontraram uma caveira em uma caverna  dentro de um tipo de uma “casinha” feita com a mesma palha que eles usam para fazerem as bolsas e cestos. A história correu, e um grupo de pesquisadores ingleses bateu na casa do John pedindo para ver o artefato arqueológico (?). Fizeram um teste e a caveira tinha mais de 300 anos. Claro que quiseram comprá-la, mas John não vendeu e a partir disso, os pesquisadores começaram a organizar excursões para dentro da mata para tentarem encontrar novas caveiras. Deram com os burros na água e saíram cheios de mordidas de mosquitos.

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Gostei de saber que minha bolsinha pode durar mais de 300 anos. Será passada de tia para sobrinha, porque do meu mato não sai cachorro. Smiley triste Foi feita com o material do “caixão” da caveira, na foto acima.

Conhecemos uma outra família de escultores que tinha uma história interessante. A esposa de 42 anos estava grávida quando um casal de velejadores americanos passou por lá. Uma coisa bem comum é eles pedirem para um estrangeiro escolher o nome do filho (umas duas grávidas me pediram isso). Então ficou combinado que se nascesse um menino se chamaria Scot e se fosse menina, não sei porque esqueci (sorry). Nasceu um menino o Scot. Tempos depois, um australiano que vai as Salomões todas as férias comentou com essa família que o casal de americanos haviam sido sequestrados por piratas quando seguiam para o mediterrâneo e acabaram sendo assassinados. Eu não “dei um Google” para confirmar a história, mas foi assim que chegou aos nossos ouvidos. O nativo gostava de dizer que o Scot, continuava vivo. O que não deixa de ser uma verdade.

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A distância entre as vilas não é medida por milhas andadas e sim pela quantidade de litros de gasolina gastado. Por exemplo: Perguntei: – Qual a distância entre Mbili e aqui a vila de Telina? – São uns 6 litros de gasolina. Smiley piscando Muito práticos! 

As crianças vão a escola pela manhã e a tarde pegam suas canoinhas e ficam remando para lá e para cá brincando, crianças de tudo quanto é idade. Andou? Já está em uma canoa com o irmão de uns 4 anos como responsável, coisa que mãe brasileira arrancaria os cabelos…

Vi e filmei uma cena linda em que as crianças estavam cantando, isso em umas 10 canoinhas, todas cantando juntas, algumas levantavam e faziam uma dancinha rapidinha porque as canoas eram do tipo que viram com  qualquer movimento brusco. Fiquei até emocionada de tão lindo, a simplicidade de como eles cantavam e brincavam. Quando fui transferir o vídeo, apertei um comando errado na câmera e apaguei tudo. Chorei de raiva! Bem, não poderei compartilhar com vocês, ficará somente na minha memória. Depois da cena linda e de um garotinho se arrumar todinho com o uniforme da nossa seleção para nos visitar, como estávamos indo embora, dei uma de Tia em dia de Cosme e Damião e liberei doces para a criançada.

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Os nativos há milhares de anos, faziam suas canoas da única árvore possível para isso, a GOITI, leve e com um tipo de óleo que impermeabilizava a canoa naturalmente. O governo, que sempre pensa no bem estar do povo, abriu concessão para que os chineses explorassem essa madeira. Retiraram tudo, só ficaram as árvores plantadas nos quintais das casas. Depois disso, o governo abriu uma linha de crédito para que os nativos pudessem comprar canoas de fibra (muito mais duráveis). Adivinhem qual era a empresa que venderia as canoas de fibra e motores de popa? A mesma empresa chinesa que explorou as árvores, literalmente um negócio na China (para os chineses).  Só que as canoas de fibra com o motor de popa, custavam o preço de um carro zero, e nos dias de hoje, mais de 20 anos depois, ainda têm gente pagando o empréstimo que pegaram com o governo.  É mole?

Ficamos menos tempo do que pretendíamos. Toda hora vinha alguém oferecer alguma coisa no barco. O Faísca trabalhava direto, e as crianças maiores, quase adolescentes começaram a jogar água nele para poderem subir a bordo. Fiquei arretada, quando vi e botei todo mundo pra correr. Todos sumiram por uns dois dias, depois começaram novamente.  O guia que usamos usou o termo ‘pestering” para essa e outras ancoragens, o que na prática significava: Gente te enchendo saco toda hora.

Essa amolação acontecia nos dias se semana, aos sábados onde respirar tudo era proibido, não se ouvia um barulhinho sequer,  era o único dia que nos deixavam em paz no barco.

Como todas as outras vila eram classificadas pelo guia como “pestering”, e nosso visto estava para vencer, pocamos fora direto para Gizo (pronuncia-se Guizo), a antiga capital de onde faríamos os papéis de saída.

Gizo era uma vila também. Conseguimos acesso a internet no Gizo Hotel, grátis caso bebêssemos um refrigerante ou uma cerveja. Claro, que os preços eram o triplo dos outros bares, mas tínhamos que levantar as mãos para o céu mesmo assim. Nas Salomões a cerveja nacional SOLBREW é um orgulho para o povo (provavelmente uma das poucas empresas que existem por lá). Eles produzem um tipo de cerveja com whisky, e outros dois tipos de cerveja normais. Fausto experimentou as duas e não gostou. Uma era muito forte segundo ele. Eu que não bebo, não tenho parâmetros para julgar, mas experimentei e achei a cerveja salgada. É possível produção? Smiley nauseado A outra cerva, Fausto disse que tinha gosto de xixi! – Fausto, você já bebeu xixi por acaso? – Não mas parece o cheiro do xixi do Faísca. Então corrigindo, a outra cerveja, tinha gosto de xixi de cachorro. Essa eu nem quis experimentar.  Mais tarde, já na Indonésia, onde não encontramos cerveja nenhuma para comprar, a cerveja salgada ou de xixi desceria redonda. Caneca de cerveja

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20141021_113102Posto de gasolina de Gizo

Almoçávamos em um restaurante bem em frente a ancoragem. Uma comidinha gostosa e barata.

20141021_155043Lula gigante cortada em palito, batata doce e salada.

Até descobrimos um restaurante ching Ling que vendia peixe empanado frio com batata doce. Delicioso! Nas ruas também haviam muitas pessoas vendendo o combo peixe empanado + batata doce, só que o empanado ficava murcho. Nesse restaurante que ficava dentro de um mercado, o peixe era de carne branquinha e torradinho.

20141030_150134Vendedora de peixe + batata doce nas ruas.

Em Honiara na capital e em Gizo, só encontramos asinha de frango para comprar. O que eles faziam com o restante dos frangos, não descobrimos. Só tinha asa, ia asa mesmo! Botei minha churrasqueirinha para funcionar!

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Fausto foi caminhar pela estrada afora e conheceu muitos cantinhos bonitos. No dia seguinte fomos de caminhão (o meio de transporte local) até o ponto final e depois caminhamos de volta. 

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Em Gizo conhecemos outros veleiros. O James e a família americana em um Lagoon 50’, um casal de Canadenses com três filhos em um monocasco de uns 40’ antigo de ferro e cimento e também um casal de Sul Africanos, skippers de um catamarã de 40’ muito metidos a besta para o nosso gosto (os skippers são quase sempre metidos, raras exceções).

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Todos iríamos para o mesmo lugar, Kavieng, na Papua Nova Guiné.  No dia anterior a partida, usando o wifi do hotel, conheci o Michel, um cara que largou o curso de medicina no terceiro ano para sair em uma volta ao mundo de carona. Acabamos dando carona para o Michel até a Papua, mas isso é assunto para o próximo post!

Antes de terminar,

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Um dos netos do John WaineNão é uma gracinha?! Coração vermelho