segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Passamos por um Typhoon ( tufão ou furacão) na micronésia

E ai pessoal, tudo bom? estão curtindo nossos posts programados?  Nas redes sociais consigo colocar fotos e dar notícias em tempo real. Aqui no blog, os posts e vídeos são programados, principalmente devido a dificuldade de acesso a internet. Só assim consigo  manter o blog ativo com uma postagem por semana.  Estou explicando para que as pessoas que nos acompanham somente pelo blog não fiquem perdidas. Enquanto vocês ainda estavam lendo sobre a nossa passagem pela Polinésia Francesa mas nós já estávamos em Kavieng, na Papua Nova Guiné, seguindo viagem para as Filipinas, com passagem por algumas ilhas na Micronésia.

No post de hoje tentarei descrever como escapamos de uma das maiores forças da natureza, nas bandas por onde estamos, chamado de tufão (furacão). Não sou lá uma boa escritora, e nesse caso  é muito difícil descrever os sentimentos que nos envolvem sabendo do perigo que estava a poucas horas de nós.  Depois continuaremos com os posts programados ok?!

Os velejadores que estão saindo do oceano pacífico e não querem passar pelo estreito de Torres, têm a opção de ir até Kavieng, bem ao norte da na Papua Nova Guiné. Kavieng  é considerado um lugar seguro (infelizmente diferente de outros lugares na Papua), e se tornou um lugar de encontro de velejadores. De lá, vão para a Indonésia, Micronésia ou Filipinas. Ficamos quase um mês em Kavieng  esperando a temporada de tufões acabar na Micronésia, teoricamente no mês de novembro. Nas Filipinas é possível ter tufões durante todo o ano, mas os meses de janeiro, fevereiro e março são considerados seguros. É raro ter tufões durante esses três meses por lá.

Conhecemos vários barcos que estavam chegando das Filipinas, seguindo viagem para a Nova Zelândia ou Austrália. Pegamos informações com eles e perguntamos sobre o tempo, afinal, eles navegaram mais de 1700 milhas durante a estação de perigosa. Tiveram sorte, nenhum tufão se formou durante essas travessias. Navegaram abaixo da latitude de 10 graus,como todos os guias informam. Se navegássemos abaixo da latitude de 10 graus estaríamos safos (seguros), os tufões só se formam acima da latitude de 10 graus, mais precisamente entre 10 e 13 graus. Abaixo disso, somente storms (tempestades).  Então, decidimos seguir viagem em dezembro, na verdade, zarpamos de Kavieng no dia 24/11. Uns cinco dias antes de nós, zarpou o veleiro CLUB do argentino Sebastiam e a Sandra, e uns dois dias depois, outros dois veleiros americanos. O argentino iria para umas cinco ilhas na Micronésia e os americanos iriam direto para Palau, um arquipélago com taxas super caras para veleiros, mas um dos points de mergulho mais famosos do mundo.  Como o Sebastian nos passou dicas legais dessas ilhas na Micronésia, decidimos parar por lá também, seguiríamos para o atol Wolai, ao invés de seguir direto para as Filipinas. Essas ilhas que escolhemos estavam na latitude média de 7 graus, portanto, bem safos, segundo os guias.

Tínhamos mais ou menos uns 600 litros de diesel a bordo, e achamos que seria o suficiente para ultrapassar os doldruns (uma zona completamente sem vento no mar perto do equador) e depois que ultrapassássemos os doldruns, e entrasse o vento predominante, os ventos alísios, que no hemisfério norte são os ventos de nordeste, chegaríamos nas Filipinas, safos de uma região de pirataria. É, isso mesmo, além do perigo de tufões havia o perigo da pirataria. Mas a vida no mar é assim mesmo. Estamos sujeitos a condições de tempo ruins (para nós a navegação mais comum), furações, tsunamis, pirataria, containers, baleias, troncos de árvores etc.. Em qualquer parte do mundo têm uma coisa ou outra. 

Zarpamos no dia 24/11/2014 rumo a Wolai atol na Micronésia. Navegamos uns sete dias com os motores e velas. Muitos pirajás infernizando. Faltando uns dois dias para chegarmos ao atol o vento nordeste entrou. Estávamos com uma média de 8 nós de velocidade e bateu a dúvida: Agora que o vento entrou, paramos no atol ou seguimos direto para as Filipinas? Fausto decidiu parar no atol. Baixamos as velas e com os motores ligados um dos rotores do motor de bombordo quebrou (lógico, quando estávamos entrando no atol). Ficamos com o motor de boreste em uma baixa rotação, fora do atol, enquanto Fausto colocava um rotor novo. começamos a entrar no atol e novamente outro problema no motor de bombordo. Uma braçadeira do sistema de exaustão do motor quebrou, jogando água e fumaça para dentro do compartimento. Fausto desligou esse motor que resoveu dar chiliques na hora errada e entramos no atol com somente o motor de boreste. Tudo nos guiava a entrar no atol. Assim que fundeamos em nove metros de profundidade, Fausto foi consertar a braçadeira da mangueira e jogar fora o restante de água que a bomba de porão não jogou. Tudo limpo, tudo funcionando bem. Quando pensávamos que iríamos relaxar, dois garotos com uma canoa catamarã, um tipo de embarcação local, vieram nos avisar para falarmos com o Matias pelo canal 16 no VHF. O Matias era um tipo de capitão dos portos do atol. Assim que entramos em contato, ele falou exatamente essas palavras: Têm um tufão se formando a 170 milhas a leste daqui com ventos de 45 nós (ainda uma tempestade tropical). A previsão é que ele chegue aqui no atol amanhã pela manhã e se torne um tufão, com ventos de 80 a 125 nós. Com 125 nós, nenhum coqueiro fica de pé! Se preparem para o pior. Ai meu Deus, o que vai ser do Guruçá!?  O comunicado já foi horripilante, mas a frase ”se preparem para o pior” me deixou em choque.

Alguns minutos de silêncio. Fausto calmo, tranquilo  perguntou-me se eu queria ir para terra. – A gente começa tudo de novo Guta. O que importa é a nossa vida. Ainda meio zonza, respondi que não, que ficaria com ele (claro, ele não sairia do barco). Não dá para descrever a sensação que nos envolve quando recebemos uma notícia dessas. É uma sensação ruim, muito ruim.

Pedi que o Matias nos enviasse uns rapazes para ajudar ao Fausto a retirar a vela grande, enquanto eu arrumava uma mochila com algumas peças de roupas, passaportes etc. Se não tivesse jeito de salvar o barco, salvaríamos nossas vidas.

Os rapazes vieram, nos ajudaram a retirar a vela e as pranchas de stand up. Amarramos muito bem as genoas. Jogamos 100 metros de corrente com a nossa âncora Rocna de 40 kg. Não havia necessidade de jogar duas âncoras em linha. O grande problema aqui, seria a corrente quebrar. Como o fundo era areia e coral, a corrente poderia ficar presa em um coral e em uma rajada de vento, com um tranco,  quebrar-se. Confiávamos na âncora, mas não na corrente. Temos a bordo mais uma âncora Rocna de 30 kg e 100 metros de cabo grosso. Caso a corrente quebrasse, jogaríamos essa outra âncora com o cabo e rezaríamos para que o cabo não pocasse até que o tufão fosse embora.

As 4 hs da tarde os ventos de nordeste começaram a aumentar e a chover muito. O tempo estava nublado, as nuvens penteadas. O Matias me passava a posição da tempestade tropical pelo VHF (naquele momento com ventos de 45 nós) e a previsão ainda era de que ele passaria pelo o atol. Para ser considerado um tufão alguns guias dizem que os ventos devem passar de 64 nós, outros, que ventos devem passar de 70 nós.  De qualquer forma, para mim, 64 ou 70 nós seria vento pra cacete!  Logo depois o Matias se despediu. Iria com a família para um abrigo do outro lado do atol mas que o Alan, um professor da escola local continuaria me passando as coordenadas da até então, tempestade.

As 20hs a notícia foi péssima. A tempestade que já estava com 65 nós subiu um pouco mais para o norte e só estava a umas 53 milhas de nós. Na ancoragem os ventos chegavam a 50 nós nas rajadas, e Fausto ajudava com os motores. Ele se antecipava a cada rajada e acelerava os motores avante para aliviar a pressão  na corrente. Chovia muito. Uma chuva congelante e um vento quente. A lua cheia desapareceu. Só teríamos a próxima posição em duas, três horas, e foi ai que começei a ter diarréia. Já ouviram a expressão “cagar nas calças”? Pois é, aconteceu comigo, de tanto medo. Minhas pernas tremiam, eu não tinha controle sobre elas. Andava de um lado  para o outro sem parar, respirando fundo para que a pressão não caisse e dava uma corridinha ao banheiro de 5 em 5 minutos. Fausto tremia de frio, mas estava em uma concentração, que tenho certeza de que ele ficaria dias daquele jeito se precisasse. Assim que o vento dava uma “amenizada”, trocávamos suas roupas molhadas por roupas secas e outra roupa de tempo seca também. Era tanta chuva que a roupa de tempo não segurou muita coisa. Eu preparava chá e café para tentar aquecê-lo.

Quando o vento chegou a 50 nós nas rajadas nossa biruta parou. Fausto começou a guiar-se de ouvido. Acelerava quando as rajadas chegavam. Até que em um momento não havia mais rajadas. O vento pocava forte sem parar. As ondas cresceram muito dentro do atol, e batiam de lado no Guruçá. Cada vez que o Alan me chamava pelo rádio VHF, meu coração parecia que iria sair pela boca. Uma nova coordenada e para o nosso alívio o já classificado como tufão com ventos de 125 nós, havia seguido para sudoeste e não para o norte como previsto. Estava passando ao sul de nós. Caraca, que alívio! Saltos de alegria! Até que enfim uma previsão errada que nos beneficiou! Sempre navegamos com previsões do tempo que nunca batem com a realidade. Dessa vez, comemoramos o erro. Porém, apesar de não ter vindo para cima de nós, como o tufão praticamente dobrou de força e provavelmente tamanho, os ventos jogados para o atol também aumentaram. O Alan nos passou um rádio perguntando se ainda estávamos na âncora, que o vento estava chegando a 68 nós nas rajadas. – O vento está em 68 nós Faustooooooo! Seguuuuura peão! O Alam dizia: Não queremos tirar o barco de vocês da praia! E assim foi, noite a dentro. Depois não consegui mais contato com o Alan. Lá pelas 5 da manhã o vento diminuiu para 30, 35 nós e estabilizou nessa velocidade. Fausto foi descansar, estava com os dedos duros, mãos e pés enrugados por causa  da água gelada. Ficamos o dia inteiro com rajadas de 35 nós e ondas grandes dentro do atol.

Quando recebemos a notícia de que o tufão provavelmente passaria por cima do atol, chegamos a pensar (eu pensei) em tentar fugir para sudoeste, mas Fausto achou melhor ficarmos e enfrentarmos o que desse e viesse. Poderíamos perder o barco, mas certamente não perderíamos as nossas vidas. Foi a decisão correta. Como o tufão não subiu para o norte e continuou a sudoeste, ele teria nos pegado em alto mar, e provavelmente eu não estaria aqui contando essa história. Desde o começo, o rotor quebrado, depois a braçadeira da mangueira, Fausto estava certo, tudo dizia para ficarmos no atol.

Essa foto que tirei do nosso Ipad foi a trajetória que a tempestade tropical e depois o tufão Hagupita seguiu. O círculo em vermelho era onde estávamos, e pelo ponto azul embaixo da seta em vermelho, realmente tudo indicava que ele subiria para o norte a passaria por nós. O tempo de espera entre saber se ele passaria ou não por nós foi terrível. Conseguem imaginar a angústia?

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Somente no dia seguinte o tempo melhorou e fomos em terra. O nativos estavam trabalhando na limpeza do atol. Muitas bananeiras e coqueiros caídos. Conhecemos o Matias e o Alan pessoalmente. O Alan parou de nos enviar notícias porque o rádio VHF dele havia acabado a bateria. (demos o nosso VHF de mão de presente a ele). Eles nos disseram que o tufão chamado de Hagupita havia se tornado um super tufão e seguia rumo a Palau, depois, pela previsão, seguiria para as Filipinas. Sabendo disso, abortamos nossa travessia para as Filipinas. Tanto o Matias como o Alan nos ajudaram muito, passando as posições do tufão, sempre querendo saber se estávamos bem, se precisávamos de alguma coisa. O Alan ficava com uma lanterna piscando de tempo em tempo na praia, para que tivéssemos noção da nossa distância de terra.

Os dois nos contaram que no ano passado um catamarã Americano, de um Texano foi parar na praia, no mês de novembro. Ele jogou a âncora e corrente mais uma outra âncora com um cabo. Nas rajadas de 50 nós o barco garrou, mas ele não havia percebido que o cabo da segunda âncora havia se partido. Quando  deu avante com os motores o cabo enrolou em um dos hélices, ele deu o costado para o vento e ondas, não conseguiu controlar o barco com somente um dos motores e foi parar na praia. Os nativos o ajudaram a colocar o catamarã de frente para as ondas (no braço), amarraram um outro cabo na proa do barco, um nativo mergulhou e amarrou esse cabo em um coral no mar. O catamarã se manteve de proa para as ondas na praia. Mesmo sendo de fibra, teve avarias em várias partes no fundo do barco. Os nativos ajudaram o velejador a fazer alguns reparos possíveis. Depois o cara contratou um barco que o rebocou até Yap, uma ilha há 378 milhas do atol Wolbai. Esse catamarã está lá até hoje, um ano depois, ainda sendo reformado. Por isso o Alan estranhou termos aguentado na âncora com 68 nós de vento. 

Depois de ter escutado essa historinha macabra, o Matias recebeu a notícia de que mais duas tempestades tropicais estavam se formando a nordeste, que poderiam se dissipar ou se tornarem outros dois tufões. Nesse momento eu surtei. Queria ir embora de qualquer maneira. Fausto me acalmou, dizendo que iríamos embora imediatamente, mas tínhamos pouco combustível. Foi bom termos pouca água e pouco combustível durante a passagem do Habu Pita, se tivéssemos  com os tanques de água e diesel cheios (1200 litros cada), seria provável, com o barco mais pesado, que a nossa corrente não aguentasse os trancos durante as rajadas.

Essa tempestade tropical começou a se formar na latitude de mais ou menos 6 graus, desceu para 4 graus e 54 minutos, subiu ao norte novamente e e se tornou um tufão em 6 graus. Ou seja, a zona de segurança, para navegação a menos de 10 graus foi para o brejo.  Então colocamos o limite de 3 graus como segurança. No atol não havia diesel para comprar, não teríamos diesel para retornarmos para a Papua ou Indonésia mas teríamos diesel para chegar nesse limite de segurança. Os rapazes vieram a bordo ajudar ao Fausto a recolocar a vela grande e no mesmo dia a noite zarpamos com o as velas e os dois motores  em 1750 rotações, na velocidade entre 7 e 8 nós. Queríamos sair dali o mais rápido possível!

Estou escrevendo esse post (no meu turno, agora 1:20hs) faltando 20 milhas para chegarmos em Vanimo na Papua Nova Guiné, fronteira com a Indonésia. Para entrarmos na Indonésia precisamos de um tipo de visto para o barco, então teremos que consegui-lo no consulado da Indonésia em Vanimo e só depois, seguiremos viagem, agora pela Indonésia. A travessia de Wolai até esse momento foi cansativa. Pouco vento, mar agitado, pirajás gigantescos. Era só abrir a vela grande para tentar captar algum ventinho que entrava um pirajá (tempestade) para nos dar trabalho, e o pior, a noite, teimam em tentar nos ferrar durante a noite. Um deles conseguiu. Com o vento aumentando, fomos rizar a nossa genoa maior e o enrolador travou. O vento foi a 38 nós. Quem veleja sabe o quanto escandalosa pode ser uma genoa panejando. Os ventos de pirajás vão de 5 nós para 35 nós, ou mais, em questão de minutos. Se não for safo, rasga-se velas, perde-se o mastro. Ainda temos uns 100 litros de diesel, mas estamos nas velas, com praticamente zero vento, em passitos de tartaruga (2 nós de velocidade), bom por um lado, assim não chegaremos  durante a noite, o que evitamos fazer em um porto novo. Estou contando as milhas para chegarmos. Estamos exaustos!

Um pouco mais cedo falei com um navio chamado Gloria Ace, e o capitão me disse que o tufão Hagupita seguiu rumo as Filipinas.

Fausto já passou por ventos de cinco furacões quando esteve em San Martin no Caribe em 1995 (agora seis com o Hagupita). A ilha era considerada um local seguro durante a temporada de furações, então muitos veleiros iam para lá. Os furacões passavam perto, com ventos máximos de 45 nós mas não por cima da ilha. Até que o primeiro, o furação Luiz passou e destruiu tudo. Fausto conseguiu sobreviver e salvar o barco. Sempre que ele me contava a história, de tudo o que  fez durante o furacão, eu ouvia como se fosse alguém  contando uma história de terror sabem?! Mas na prática, é muito, muito pior do que eu imaginava. O olho do tufão passou a 53 milhas do atol, com 125 nós de vento e nós pegamos 68 nós. Foi o suficiente para eu saber o quanto é apavorante. A espera de notícias, se o olho, iria ou não passar por cima de nós, era de uma angústia que doía.  A experiência do capitão foi fundamental. Fausto ficou horas aliviando a tensão da âncora com os motores e acalmando a esposa a beira de um ataque histérico.

Eu ainda estou meio “lesada”. Estou seguindo a nossa rotina normalmente, mas do nada começo a chorar. Não consigo dormir direito, acordo assustada com qualquer barulhinho que é normal para mim a bordo. Ainda tenho problemas intestinais. Estou completamente sem fome (olhando pelo lado bom espero que já tenha perdido uns kilinhos). Acho que foi muita adrenalina, muito medo mesmo, mas creio que com o tempo isso vá passar.

Hoje dia 15 de dezembro, já deveria ter colocado esse post no blog se tivesse conseguido acesso a internet aqui em Vanimo na Papua. Mas não têm. Conseguimos o visto para Indonésia e seguiremos para Jayapura a 30 milhas daqui amanhã cedo.

Preparando o barco, os argentinos Sebastian e Sandra chegaram na ancoragem. Foi uma festa nos reencontrarmos (colegas de tufão). Eles estavam em um atol mais a leste a ao norte de nós. Pegaram ventos máximos de 50 nós. Nos disseram que o Hagupita chegou com força total nas Filipinas, desalojou mais de um milhão de pessoas e até então, haviam 21 mortes.

Deveríamos ter sido mais cautelosos. Acabamos colocando nosso barco e nossas vidas em risco. Mas como dizem, Deus é brasileiro! Quando ele viu o Guruçá amarelão deve ter pensado: Brasileiros aqui?!– Equipe do tempo,  por gentileza, desviem esse tufão do atol Wolai imediatamente! Smiley piscando

Pode ter sido a minha promessa de ficar um ano sem comer chocolate também. (um sacrifício dificílimo para mim). Vai saber!? Só sei que tivemos sorte, muita, muita, muita sorte!

20141203_230924Nossa ancoragem em 9 metros de profundidade.

IMG_0007No dia seguinte ao typhoon

Que a sorte também esteja com vocês.

Até mais,

Guta Favarato

domingo, 14 de dezembro de 2014

Polinésia Francesa: Ilha Maupiti

Maupiti seria a última ilha que visitaríamos na Polinésia Francesa. O correto seria ir até lá, umas 30 milhas de distância, e depois retornar a Bora Bora para fazer o check out. Mas, ninguém faz isso. Fizemos a saída na Gerdamerie de Bora Bora e o oficial nos disse que só poderíamos ficar no máximo 24 horas em Maupiti. Só que, depois da saída meu bem, eles não estão nem ai para nós, e ficamos quase três semanas por lá. Acho que em Maupiti a nossa ficha caiu que o nosso sonho de conhecer a Polinésia estava acabando, e não queríamos ir embora. Só para constar, não pagamos nada por três meses de visto na Polinésia Francesa. Nem um carimbo no passaporte tivemos (estranho né?), além de não pagarmos nada ainda fomos agraciados com desconto na compra de diesel, impossível não amar!

Nos avisaram que o passe de Maupiti era um dos mais difíceis da Polinésia, tínhamos que observar a maré e contar com a sorte. Dependendo do vento e do estado do mar, a entrada do passe que é estreita e têm corais de um lado e do outro, quebram muitas ondas, dificultando tanto a entrada como a saída. Isso serviria de desculpa caso fôssemos fiscalizados pela imigração. “O mar estava ruim, não deu para sair!” E dependendo não dá mesmo, nós quase desistimos de entrar. Só conseguimos ver o passe bem de frente para ele, foi nítido, com a ajuda das ondas  quebrando de um lado e de outro. Por causa da maré, tivemos que entrar bem de tardinha, e eu quase tive um treco. Sinceramente, não sei se chegarei viva dessa viajem, é muita emoção para um coração só! Nessas horas Fausto têm um coração de gelo. Eu gritando: Joga pra boreste! Mais pra bombordo! E ele: – Calma, calma, tá tranquilo. Não foi mole não, senti muito medo ver as ondas quebrando nos corais tão perto de nós. O Guruçá literalmente entrou passe a dentro surfando. O capitão têm que ter muita “manha” do barco nas manobras se não báu báu. O canal era comprido, e demorou até fundearmos em frente a vila, só que, do outro lado do canal. Foi saímos de Bora Bora e o tempo mudou, pelo menos em Maupiti, das três semanas que ficamos por lá, mais da metade foi com dias nublados em com chuva, mas os dias de sol compensaram e muito!

Entrada do passe de Maupiti- estreito e com ondas quebrando dos dois ladosEntrada do passe de Maupiti. Olhando agora parece tão calmo mas tenho calafrios só de relembrar.

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IMG_9150Flores, muitas flores!

Diferente de Moorea e Bora Bora em Maupiti as casas não tinham muro (quando tinham era muros de flores) então eu pedia licença e ia entrando no quintal tirando fotos. Ganhava tímidos tchauzinhos e ainda perguntavam se eu queria água ou alguma outra coisa. Tô para conhecer um povo tão gentil.

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20140805_220220Uma igreja que ao invés de uma cruz, tinha uma âncora na entrada.

Praticamente em todos os quintais das casas haviam túmulos. Cada família enterra seus mortos no quintal da sua casa.

IMG_9174Essa casinha era um túmulo.

Em frente de onde estávamos fundeados havia uma família que jogava bola todos os dias a tarde, e quando havia velejadores eles adoravam. Fizemos amizade com essa família e foi muito legal porque as crianças estavam de férias e arranjavam coisas para fazer todos os dias, éramos intimados a ir junto! As crianças de Maupiti com uns 12 anos para cima estudam em uma outra ilha, Raiatea. Depois se quiserem fazer faculdade vão morar em Papeete. O governo paga a hospedagem, alimentação e dão um tipo de bolsa família para os pais manterem os filhos na escola.

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Fomos com essa família a um local onde as arraias jamantas tomavam o seu café da manhã. O almoço era em outro lugar mas os nativos não contam onde é, um segredinho deles… Não foi muito legal porque haviam uns 30 turistas com uma extenção e a câmera GOPRO na ponta. As arraias, claro, pocavam fora. Os idiotas queriam tirar foto do fiofó da bichinha, só podia… Eu vi somente uma, fugindo, e Fausto não teve sorte. Peguei essa foto emprestada do CAT MOONWALKER para vocês terem uma idéia do tamanho delas.

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Depois do mergulho, fizemos um pick nick em uma ilha que pertencia a essa família. Nesse local, arraias de uma outra espécie são cevadas, coisa para turistas, mas eu amei mesmo assim!

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IMG_9248Os bobocas querendo fotografar dentro da boca da arraia…

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Agora olhem eu “me metidando” Smiley surpreso

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Maupiti foi a ilha preferida do Fausto na Polinésia Francesa.

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Durante nossa estadia na ilha, aconteceu o maior bafão (fofoca) de todos os tempos. Em Maupiti era um entra e sai de veleiros danado, principalmente catamarans de charter que fazem a rota Bora Bora - Maupiti. Dos veleiros que estávam viajando contamos sete catamarans e um monocasco. O monocasco pertencia a um Holandês que estava sozinho e não cumprimentava ninguém, o senhor era uma simpatia! Smiley sarcástico Pois esse Holandês subiu o morro de Maupiti, o principal ponto turístico de lá, e hasteou uma bandeira gigante da Holanda. Logo em seguida pegou seu veleiro e foi-se embora. Claro, o filho de uma égua não teve coragem de continuar na ancoragem, e a bomba caiu sobre os outros velejadores. Íamos em terra, com uma bandeira do Brasil amarrada na mochila, só assim o povo parou de olhar torto para nós! Conversamos com alguns nativos que nos disseram que se o Holandês fosse pego, ele seria uma pessoa não grata ou algo do tipo. Ele nunca mais poderia entrar em território francês. O povo tinha todo o direito de se sentir  ofendido. A maioria dos nativos não são lá muito chegados nos franceses mas nos Holandeses menos ainda. Eu tentando fazer piada, toda vez que comentavam o caso eu dizia que era pura inveja porque foram os franceses que se apossaram de suas terras e não os holandeses. Eles entendiam, e riam. No fundo no fundo, acho que eu estava certa. Pura inveja e falta de vergonha na cara. Nada contra Holandeses não viu gente, só que esse cara queimou o filme dos velejadores.  Provavelmente todos os outros Holandeses que passarem por lá não serão bem recebidos e nem saberão o porquê! Daí, vão sair falando mal do povo de Maupiti, e virará uma bola de neve. #coisademoleque! 

Subi esse morro de Maupiti e tive a vista mais espetacular da minha vida até hoje (espero ter muitas mais!). Continua…

Até semana que vem!

Guta

domingo, 7 de dezembro de 2014

Supermercados- o playground dos velejadores

Quando entrei em Tobago no primeiro mercadinho depois que chegamos fora do Brasil, fiquei extasiada! Língua diferente, produtos diferentes, muita coisa para  explorar. Quase dois anos depois, continuo assim. Chegamos em um lugar, e já logo vou procurar saber onde fica o supermercado, que na maioria das vezes são micro mercados.

Em Trinidad, eu e a Maite do veleiro Sobá íamos ao supermercado PRICE SMART, um SUPER tipo MACRO no Brasil.  Como não conhecíamos vários produtos, a gente comprava, testava e passava o feed back uma para outra se era bom ou não. O chato desse mercado é que tinha que ter um cartão de membro para poder fazer as compras. Pegávamos o cartão emprestado e fomos barradas com vários carrinhos de compras cheios várias vezes mas sempre dávamos o nosso jeitinho brasileiro,  pedíamos o cartão de quem estivesse na fila atrás de nós na cara de pau mesmo!  No final das contas, toda semana a brasileirada ia ao Price comprar coisas para o churrasquinho que fazíamos todas as sextas-feiras e para comer pizza da lanchonete que era barata e deliciosa. Um programão!  Falando sério, era emocionante o suspense se seríamos barradas no caixa ou não!

Quando chegamos em Aruba, conhecemos um velejador Alemão, não sei como surgiu o assunto e descobrimos que em Aruba tinha um PRICE SMART. Como o alemão estava de partida nos deu seu cartão fidelidade. Loiro e com um barbão, parecido com Fausto, fizemos várias compras sem problemas.

Quando fomos para a cidade do Panamá, praticamente todos os velejadores fazem suas compras de provisões nesse mercado, e  é uma emprestação de cartão direto e reto. Quando fomos fazer nossas compras, ficamos na dúvida se o cartão de Aruba, poderia ser usado no Panamá. Perguntamos a uma funcionária que também ficou na dúvida e foi perguntar a gerente. Putz, na hora pensei: Ferrou, se ela perguntar o nome “alemão” do Fausto, ele não vai saber dizer. O nome do cara é wolfgandjonet, não tínhamos ideia de como se pronunciava. Quando comentei com Fausto, ele começou a ficar nervoso, vermelho, já estava se entregando sem dizer uma só palavra. Eu já estava me ‘pocando’ de rir só de ver a cara de pânico dele mas a gerente, que acho, não quis pagar o mico de chamar o Fausto alemão com a pronuncia errada, só respondeu: Sim! Você pode usar o seu cartão em qualquer PRICE SMART de qualquer parte do mundo.

Quando o cartão venceu, paramos com a brincadeira e fomos fazer o nosso. O complicado como sempre é que nos pedem endereço, telefone etc.… Pegamos o nome de uma rua, inventamos um número, colocamos nosso telefone celular, que tínhamos de verdade e pronto. Pagamos U$ 35 pelo bendito! O valor do cartão era ínfimo, mas se tivéssemos feito logo que chegamos lá em Trinidad não teríamos essas histórias para contar e não teríamos nos divertido tanto!

Na maioria dos lugares que passamos até agora, os chineses estão reinando no ramo alimentício. Supermercados, lanchonetes e restaurantes, sempre têm algum chinês, na verdade um oriental (não sei a diferença entre eles), atrás do balcão.  Em alguns mercados, existem seções inteiras só de produtos orientais.

Em  Huahine e Bora Bora os mercados (oriental) eram grandes e com muitos produtos que eu não conhecia.

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Lata de ravióli e caneloni prontos. Comprei mas ainda não dei para o Fausto experimentar! hihihihi

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Latas de Paela, couscous. O arroz e o couscous a gente cozinha e depois é só misturar os molhos prontos. Isso era caro, fiquei na dúvida se deveria arriscar a comprá-los, e acabei não comprando.

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Açúcar da flor de coco, foi o que entendi! Também custava bem carinho.

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Iogurte que não precisa ficar na geladeira. Muito bom para velejadores!

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Leite de coco salgado engarrafado. Eles usam muito o leite de coco para cozinhar e fazerem o prato que acho ser o principal daqui: Peixe cru com leite de coco.

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Óleos de coco, essência de flores, bronzeadores do Tahiti. Via muitos turistas comprando,mas como sempre, tudo caro.

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Essa embalagem de leite condensado é show! Acho que ainda não chegou no Brasil, mas é muito prática, só usamos o que queremos e guardamos o restante na geladeira. Têm de creme de leite também.

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Encontrei fubá! Foi tanta emoção! Só faltava eu encontrar um quiabo para fazer um frango ensopado completo. Sonhar não custa nada né?

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E tchã tchã tchã tchã! Espinafre em lata que eu só havia visto nos desenhos do Popeye! Vou experimentar, porque estou meio fraquinha! Gargalhando

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Agora gente, uma coisa que não encontrei em lugar nenhum até agora, foi farinha de mandioca. Eu tenho guardada a sete chaves no barco, e só uso em ocasiões especiais. Então, quem sair para viajar como nós, e gostar de farinha de mandioca, tragam um estoque!

Inté,

Guta.

domingo, 30 de novembro de 2014

Dicas para conhecer a Polinésia Francesa pagando menos

A Polinésia é a realização de um sonho e vale MUITO, MUITO a pena conhecê-la.

“Poxa Guta, também é meu sonho, mas é um dos destinos mais caros do mundo…” (recebi vários comentários desse tipo). 

Realmente deve ser, se você for por uma agência de turismo, com todos os passeios incluídos etc.

Sol Primeira coisa é comprar a passagem aérea com MUITA antecedência. Os nossos tripulantes compraram passagens com três meses de antecedência e pagaram US$ 1800 ida e volta por pessoa via Chile. Passagens com embarque de madrugada e eles ainda tiveram sorte. Quanto mais cedo procurar melhor, aliás para qualquer destino de viagem, certo?! Raramente existem promoções aéreas para Papeete no Tahiti.

Sol Vocês chegarão na capital do Tahiti, Papeete. Para ir para outras ilhas pegarão voos domésticos da empresa Air Tahiti. Pelo que pesquisei, os preços desses voos variavam entre US$ 100 e US$ 300 ida e volta. 

Fiquem espertos com o peso das bagagens. A Air Tahiti só permite no máximo 10kg de bagagem por pessoa e cobram altíssimo pelo excesso. A grande verdade é que vocês não precisarão mais do que isso. Biquínis, cangas, roupas leves para caminhada, vestidos leves para jantares, bonés, óculos escuros, produtos de higiene, câmera fotográfica e só!

Fiquem atentos com a temporada de furacões que começa em novembro e vai até março, se encontrar passagens baratinhas demais pode observar que estará dentro da temporada de furacões. Têm que ser muito corajoso ou doido mesmo para viajar para qualquer destino na temporada de furacões. Não vale a pena colocar suas vidas em risco. 

Sol Os preços de hospedagem em toda Polinésia Francesa caíram de uns anos para cá, culpa da “crise financeira”  que afastou a maioria dos turistas europeus e principalmente por causa de furações que passaram e destruíram muita coisa em muitas ilhas. Em Bora Bora por exemplo, o hotel BORA que antigamente era sinônimo de ostentação está fechado, um dos que sofreram com furacões. Os preços variam pouco entre as ilhas e atóis. É claro que Bora Bora famosa em todo mundo custa mais caro mas Moorea que na minha opinião é muito mais bonita que Bora Bora ( só vendo para crer, ou tirar da cabeça toda propaganda de Bora Bora), têm catamarãs lanchas que saem diariamente da capital Papeete com somente 1 hora de viagem. Uma economia de até o equivalente a US$ 150 indo de avião.

Em Moorea conhecemos várias pousadas com bungalows de frente para praia deslumbrantes com preços de 100 euros a diária para um casal.  Existem muitas opções de hospedagem em casas de família também, com preços mais em conta ainda. É claro que ficar em um bungalow de frente para praia têm seu charme mas quem não liga para isso, ficar em uma casa de família é uma ótima opção. Se um dia eu voltasse a Polinésia eu ficaria em casa de família, motivos: É mais barato; Tudo perto, as casas de família são de um lado da rua, se atravessarmos já estamos na praia; Batemos perna o dia todo, pousada mesmo só para dormir; Os Polinésios são muito legais, ficar em uma casa de família e conhecer essa família é uma experiência que os hotéis não oferecem. Também encontramos camping em Moorea!

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É claro que opções caras é o que não falta. O hotel mais caro que perguntamos o preço  em Moorea  têm um nome principal (que não me lembro) mas é mais conhecido como o “hotel dos golfinhos” porque como o nome já diz, têm uns golfinhos para você nadar, tirar fotos etc. Lá a diária mais barata custava 500 euros. O bungalows nos motus (um pedaço de um atol, geralmente em lugares isolados) com piso de vidro transparente também são caríssimos.

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Sol Um prato bem servido de filé com fritas e salada custava o equivalente a R$ 25. É muito comum ver as pessoas comendo sandubas nas praias. Vão ao mercado, compram os ingredientes e os preparam. Nos mercados também têm opções de quentinhas, quiches deliciosas, cachorros quentes, salgadinhos tipo pastel. Dá para comer bem e barato. Nos hotéis e pousadas, também têm opções mais em conta. Se você quiser experimentar um típico jantar francês a luz de velas com entrada, prato principal e sobremesa vai desembolsar a partir de US$ 70 por pessoa.

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Sol Com relação a passeios  não posso dizer porque não fizemos nenhum passeio pago. Aliás muitos passeios pagos podem ser feitos de graça. Subir o morro de Bora Bora e ter aquela vista deslumbrante é de graça. Só treine antes de ir para lá, porque a subida é para os fortes. 

Fausto caminhou toda ilha de Bora Bora (32km) mas a maioria da galera dá a volta na ilha de bicicleta ou lambreta. Muito melhor do que alugar um carro na minha opinião.  Eu peguei muita carona em todas as ilhas e atóis. No atol de Fakarava, as pessoas paravam os carros perguntando se queríamos carona. Em Bora Bora, foi onde tive mais dificuldades ou seja demorei mais tempo para conseguir carona, mas nunca passou de 10’.  Quem dá carona são os locais e Bora Bora com muitos turistas, dificultou um pouco (fui mimada nas outras ilhas).  O legal de pegar carona com os locais é que eles gostam de conversar e sempre nos deram dicas ótimas. Não se acanhem, é só colocar o dedão e o carão. Não posso por a mão no fogo por ninguém porque doido existe em tudo quanto é lugar,  mas tô para conhecer lugares mais tranquilos do que aquelas ilhas. Você se sente livre leve e solto. Não existe aquela tensão de ser assaltado etc, enfim, coisas ruins que acontecem todos os dias nas cidades. Não senti nenhuma preocupação com relação a isso.

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20140721_190232Estrada em Bora Bora- Caminhadas tranquilas e vista sempre maravilhosa.

Vá para a igreja! Falando sério! Todos vão a igreja arrumadinhos. As mais jovens com seus cabelos trançados e com flores, as mais velhas com chapéus de palha e flores. Os cânticos são lindíssimos, hora dá vontade de dançar, hora dá vontade de dormir! Um programa diferente e bem legal.

Ilha com palmeira O sol é fundamental, mas isso é questão de sorte né?! Aquela cor linda e maravilhosa de água só é possível em dias de sol. Dizem que os melhores meses para visitar a Polinésia é de abril até novembro.                                   .  Nós chegamos e só pegamos tempo bom. Somente em Maupiti, a última ilha que ficamos, é que pegamos duas semanas de chuva, mas os poucos dias de sol compensaram.

Ilha com palmeira Nos meses de junho e julho acontece o HEIVA, que na língua local significa FESTIVAL. São competições de esportes locais,  regatas de canoas Polinésias e principalmente concursos de dança Polinésia que são lindíssimas. Geralmente essas apresentações são acompanhadas por uma bateria e um coral eu nunca havia visto nada igual. Em praticamente todas as ilhas e atóis nessa época estão acontecendo o HEIVA. Nós tivemos a sorte de assistir uma competição de canoas polinésia em Moorea e final de uma competição de dança em Bora Bora, ambas em julho.  Mesmo que você vá em algum outro mês não se preocupe. Em qualquer hotel e restaurantes há apresentações de dança com grupos menores e não menos bonito.

Ilha com palmeira Existem praias públicas e particulares mas que na verdade não são particulares. Complicou mas vou explicar: Algumas praias ficam dentro de hotéis ou pousadas mas todos têm servidão, ou seja, você pode passar por dentro do hotel ou pousada e curtir a praia. Nesses casos, eles chamam a praia de particular.  Em Moorea alugamos um carro de uma brasileira,  a Sandra que mora na ilha há anos e nos cobrou a metade do preço normal, que é de  US$ 100 e ela ainda foi de guia turística, uma figura! Acabamos conhecendo os principais hotéis e pousadas de Moorea. Todos são abertos ao público. Foi um passeio bem legal.

Ilha com palmeira Engana-se quem acha que as ilhas da Polinésia são somente destino de Lua de mel, muito pelo contrário!  Vi muita cena de comercial de margarina: A esposa tomando sol, o marido lendo um livro e as crianças na beira da água brincando, todos  na santa paz e tranquilidade. Não têm som alto, não têm farofada, não têm tumulto.

Ilha com palmeira Observei durante toda a nossa estadia por lá, que grande parte das pessoas economizavam. Todo mundo a caça de internet de graça, muita gente caminhando, comprando comida e bebidas em supermercados. Pessoas vestidas com simplicidade. Nada de ostentação, nada de gente metida a besta. A maioria das pessoas tinham cara do tipo: Ralei muito pra chegar aqui! Vocês me entendem?

Quando eu postava fotos por onde passávamos nessas ilhas, recebi vários “comentários lamentações”: É o meu sonho, mas é tão caro! Tenho certeza que a maioria delas nunca pesquisou nada a respeito. Conheço uma mulherada que gasta 300 paus em um sapato da nova coleção da AREZZO ( e são várias coleções durante o ano) sem pestanejar mas para viajar, sempre tudo é caro.

Você é um dos que sonham com a Polinésia Francesa? Comece desde já a procurar informações no google. Que tal começar a colocar o sonho em prática? Quando começamos a organizar um roteiro, pesquisar preços, ler informações, ver fotos e assistir a vídeos já estamos viajando.

Espero ter conseguido deixá-los tentadíssimos! hehehe

Uma má notícia: Passar dez, quinze dias em qualquer ilha da Polinésia é pouco. Nós ficamos três meses e estamos sofrendo de DPPF – Depressão Pós Polinésia Francesa.  Uma saudade que dói! Smiley piscando