terça-feira, 15 de agosto de 2017

Aprender a velejar em catamarã

Bom dia povo do mar!

Sempre recebo e-mails de pessoas interessadas em aprender a velejar em um camatarã. É um tipo de trabalho, que dá trabalho rsrsrsr e nós preferimos continuar somente fazendo charters com foco em passeios, mas que, para quem têm realmente interesse em aprender, acaba absorvendo muito da vida a bordo. 
Não conhecíamos ninguém que oferecia curso de vela em um catamarã, até que o capitão Pieter,  parceiro de muitos anos, abriu duas turmas para travessia de ida e volta: Angra dos Reis x Florianópolis.
No balanço geral foi um sucesso. Teve gente que adorou, teve gente que desistiu no meio do caminho. Você só conhecerá seu comportamento, se estiver a bordo! Ficar no sofá da sua casa, imóvel, assistindo vídeos das experiências de outras pessoas é inspirador, mas você só terá as suas experiências
flutuando,
balançando,
economizando água,
economizando energia,
fazendo turnos,  etc…
O friozinho na barriga que sentimos, quando levantamos âncora e começamos uma viagem que nunca sabemos como será, só a bordo queridinhos rsrsrsrrsrs
Eu li em algum lugar que frio na barriga significava “medo do desconhecido”. O cara que falou isso deve ser velejador! rsrsrrsrsrs
Agora em setembro são mais duas turmas abertas com um novo roteiro: Angra dos Reis para Ilhabela (com possível paradas nas ilhas das Couves, Ilha Anchieta, Saco de Ribeira e talvez ate uma volta na Ilha). E de Ilhabela voltando para Angra dos Reis (pode incluir uma volta na Ilha Grande).
Navegação mar aberto e navegação a noite.
Duração de 5 dias.
Turmas com máximo de quatro alunos. Dependendo do nível de experiência dos alunos o Pieter adequará roteiros e atividades.
As datas:
Angra – Ilhabela: 16/09/2017 a 21/09/2017
Ilhabela – Angra: 23/09/2017 a 27/09/2017

O catamarã é um Fontaine Pajot 40 pés e o Pieter é um capitão com experiência internacional, recém chegado de uma viagem pela rota do Atlântico.  Para mais informações, entrem em contato pelo whatsapp (24) 99654068 ou pelo e-mail: gurucacat@hotmail.com







Nossa, deu até saudades do friozinho na barriga agora… É um medo gostoso que só! 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

#GUTAEMLONDRES

Oi Oi Oi povo do mar, tudo bom com vocês?

Eu Guta vou bem obrigada. Meio sumidinha né? 

Tem gente que adora mandar recadinho reclamando da falta de postagem, minha orelha arde viu?! Deus castiga também! rsrsrsrs

Agora falando sério, não tenho tempo nem para dormir direito pessoal! Para quem ainda não me acompanha pelas redes sociais, estou em um intercâmbio ferracional, aqui em Londres. Mas o que é ferracional Guta? É aquele intercâmbio onde você só se ferra e quer voltar pra casa nos primeiros 10 dias. Eu que me considero uma pessoa forte e experiente já estou aqui , me ferrando há dois meses e um pouquinho e não tem um dia que não penso em voltar. 
Minha chegada aqui foi mega tumultuada porque além de estudar inglês eu teimei que queria trabalhar também, já que tenho o passaporte italiano. Uma vida de imigrante por seis meses, mas na minha cabeça eu tinha 17 aninhos e estava indo para Disney, só pode , porque nunca quebrei tanto a cara como aqui. A idéia que eu tinha de Londres era completamente diferente da minha imaginação e do que o povo "vende" por ai como uma vida maravilhosa. Cof cof, cof...

Cheguei com uma tosse alérgica que nada fazia parar. E tossir aqui dentro de um metrô é ser olhada como se eu fosse uma tuberculosa em estágio terminal. Correr atrás dos documentos; Aprender a se movimentar pela cidade; Comer comida congelada; Ficar até de madrugada enviando curriculum por sites de empregos; Fazer entrevistas;  Não entender porcaria nenhuma desse povo que tem um ovo na boca e o mais difícil, entender como tudo funciona no menor tempo possível para não cair em roubas e perder dinheiro.

Além das dificuldades normais de quem se muda, mesmo que temporariamente para um outro país, eu tive dois incidentes que me deixaram muito, mas muito derrubada. O primeiro, foi um assédio sexual por parte de uma colega de escola. A menina simplesmente apertou um dos meus seios e me fez perder duas noites de sonho com nojo e a sensação de eu de alguma forma fui culpada por aquilo. Setá que eu aparentava ser lésbica para ela tomar essa iniciativa? Sinceramente, não desejo isso para ninguém! Demorei a processar o que aconteceu. Que eu não tive culpa nenhuma da safadeza alheia. Aliás, a mesma sem vergonha, atacou outra menina. 
Segundo, quase morri. Eu estava em frente a uma estação de metrô usando o celular, em cima da calçada, ao lado de um poste, quando um carro desgovernado veio em minha direção. Só tive tempo de levantar a cabeça, ver o carro, virar cara pro lado e pensar: Morri! Mas não, o motorista desviou, raspou no poste e bateu de frente a uma parede, embaixo de um túnel. A polícia apareceu em dois minutos. Fecharam a rua, socorreram o motorista e anotaram meu número. Eu só chorava, em estado de choque. As pessoas que estavam perto vieram me acudir, foram super gentis dizendo que eu era muito sortuda. Well, não foi dessa vez, ainda tenho que fazer alguma coisa nessa terra. O problema foi que eu fiquei sonhando vários dias seguidos com o carro na minha direção. Até agora escrevendo, tenho arrepios. Enfim, foi difícil, e como eu não estava embaixo das asas do Fausto, mais difícil ainda. 
Já passei por dois empregos diferentes e agora estou trabalhando na padaria de um grande supermercado que só vende alimentos orgânicos. Faço sucos e bebo sucos o dia todo (tô cagando feito uma pata) e agora começei a fazer café, na máquina italiana. Café orgânico, claro, descafeinado também, chás e uns trocentos tipos diferentes de leite:  leite de arroz, amêndoa, soja baunilia, soja magro, soja gordo, leite de aveia, de coco, enfim, fazer o café não é difícil, só requer prática, o difícil é entender o que os caixas escrevem no copo. Uns garranchos que qualquer professora iria a loucura! 

Agora parece que as coisas se acalmaram pro meu lado e espero que continue assim até a volta para o Guruçá em dezembro, talvez antes hehehehe

Seguem algumas postagens que fiz no facebook contando um pouco dos meus causos aqui:

"Sou a mais nova intercâmbista na terra da rainha mais famosa do mundo (Inglaterra, para quem não sabe hehehe). Após somente três dias, como muito observadora que sou, já vou fofocar, se não, cadê a graça!?):
Estamos na primavera e o sol se põe quase as 10hs. Muitas flores e pássaros que cantam até a "noite".
Mesmo com sol e calor, o povo está sempre de casaco. Parece que tem preguiça de tirar. Estranho.

Tudo é longe. Até dentro das estações eu ando pra burro! E o sobe e desce escada?! Já não tô comendo quase nada e fazendo tantos exercícios, voltarei magrinha. 
A comida, sem comentários. 
Vejo vários James Bonds todos os dias. Os homens são elegantes e na maioria mais bem arrumados que as mulheres. Essas aliás não colocam as pernas de fora. No máximo uma pantacourt ou saia midi. Saias mais curtas elas estão de meia calça e tênis. A maioria de tênis! 
Tô bem na moda por aqui com a pantacourt que já uso faz tempo. Ninguém fica me zuando que falta uma parte da minha calça, ou que estou de pijama. Também não acham a saia midi, comprida demais. 
Quem bota as pernas no sol são as mulheres do Leste europeu. Caramba, vão ser bonitas lá longe! Bem maquiadas, loiras, altas com pernas tão compridas que parecem ser de pau. E ainda colocam salto alto. Eu deixo de olhar os "James Bond" para ficar tentando achar defeito nas "Sharapovas". Quem nunca!? 
Os preços de roupas e calçados em geral são muito baratos. Comprar um tênis de boa qualidade por o equivalente a R$ 15 é de chorar de alegria pq eu tô aqui.
Nas escadas rolantes existe uma regrinha. Quem fica a direita pode ficar de boa, parado. A esquerda é para quem tem pressa. Eu, que não sabia, tomei uma cotovelada na costela. A mulher pediu desculpas, mas não dei. Tá doendo até agora. Educação na base da porrada, a gente vê por aqui. 
Aliás, aqui se pede desculpas pra tudo (igualzinho na África do Sul). O ônibus freia bruscamente, todo mundo se toca, e começa um pedindo desculpas ao outro. Chega a ser chato e eu já tô ficando paranóica. Encostei em alguém já peço desculpas, credo. 
Disseram que eu iria me apaixonar por Londres. Eu heim?! Paixão foi pela Polinésia Francesa, por Londres, não sou tão facinha assim não .
E antes que perguntem, eu e Fausto estamos separados, mas estamos juntos.
E para terminar, meus agradecimentos a 
Luamar Guimarães Freire Mariz, anos atrás conheci muito rapidamente em uma REFENO (Regata Recife - Fernando de Noronha) e que se tornou minha amiga de Facebook. Ela abriu as portas de sua casa e me deixou em um quarto presidencial. Para quem não sabe o valor de aluguel de quatro /casa aqui em Londres é absurdamente caro. Todo apoio que recebemos quando chegamos em um lugar diferente é super importante! O mais engraçado é que a Lua viajou para o Brasil no mesmo dia que vim para Londres e ainda não nos encontramos pessoalmente. Pensa na confiança dessa pessoa?! Agradeço também a Mariana Garcia Markoska, também amiga de Facebook que me deu muitas informações valiosas e sempre me respondeu com muita boa vontade e simpatia 
Agora vou dormir, pq tenho que acordar cedo e preparar a merenda para ir para escola"

   
"Boa noite gente do mar, de terra, aéreos (sei que tem um monte).
Obrigada pelas dicas, felicitações e good vibes na minha estadia aqui em Londres. Vamos a mais um capítulo da novela?! 

Desde que cheguei só faz sol. Dizem que é praticamente um milagre cinco dias de sol e calor. Hoje me pareceu que as pessoas acreditaram no tempo bom e vi menos casacos e mais pele de fora. 

Vim para estudar, mas não tenho 15 anos com papai pagando meu curso né?! Então, também comecei a procurar trabalho, até pq quem me conhece sabe que não consigo ficar parada. Me inscrevi em diversos sites de empregos e recebi diversas propostas. 

Garota de programa logo de cara. Mandei um emoji com o dedo do meio.

"Uma proposta para ser babá, mas o salário alto demais para ser verdade. Claro que teria uma bizarrice: Eu teria que dormir na mesma cama da criança e abraçada pq ela tinha problemas com sonhos ruins, medo etc. Agora imagine vc contratando uma babá para isso?! O pior, eu aceitando?! Eu heim! 
Fui convidada para fazer um treinamento como segurança particular! Disseram que eu tenho o perfil. Gostaria de saber quais os critérios de escolha.
Fiz um treinamento para garçonete em uma rede de churrascaria brasileira. Praticamente todos funcionários brasileiros. Bom salário, gorgetas, pessoal legal, mas não me senti a vontade. Um incômodo tão estranho que pedi para sair antes da hora. Acho que o fato da maioria só falar português iria atrasar meu desenvolvimento com a língua inglesa. Trabalho garantido que dispensei pq meu anjinho da guarda mandou e quando ele manda eu obedeço. O lado bom? Comi um pratão de arroz e feijão + frango assado depois de dias de Mac Donald e comida sem sabor congelada".



"Vou fazer mais duas entrevistas amanhã, cruzando os dedos! 

O curso de inglês foi meio que uma ratoeira. Mas no bom sentido, creio eu. Eles entraram em contato, em um dos vários sites que me inscrevi, e marcaram para uma entrevista. Chegando lá, me deram um teste escrito cheio de pegadinhas que claro, fui mal. Daí fui chamada por uma gerente que propôs o curso de inglês e fazendo o curso eu seria encaminhada a um emprego. Acabei fechando o contrato pq o valor está bem em conta e eles também oferecem cursos de barista (que sempre quis fazer) entre outros. Carteira de estudante com vários descontos e desconto de 30% no cartão Oyster para passagem de metrô /ônibus que é super caro aqui. O emprego garantido deixei de stand by e to correndo atrás por conta própria. Estamos praticamente na alta temporada e tem muitos empregos disponíveis. O bicho pega é na baixa. 

Com o teste escrito fui colocada no básico. O curso tem flexibilidade de horários, pq a maioria trabalha, e tem gente de tudo quanto é lugar do mundo. Fiz três horas seguidas e me decepcionei pq já sabia o conteúdo. Acabei dando uma de professora de um italiano e de uma moça da Macedônia! Como se chama quem nasce na Macedônia?! Muita gente não fala, nada, nem Hi! Mas já dei meus pulos e estou seguindo para o nível intermediário. 

Conheçi uma Francesa que falava quatro línguas, dentre elas o português e inglês (não sei como ela não caiu morta com minha inveja). - Mas se vc fala inglês, pq está no curso? - Pelo emprego! Sou tímida e não tenho coragem de sair de sair entregando curriculuns. Não conheço ninguém aqui. Ela praticamente pagou pela oportunidade de emprego. Hoje fui buscar minha carteirinha e quem estava trabalhando na recepção?! A própria e super feliz! 

Para trabalhar em Londres somente com cidadania européia, no meu caso tenho a italiana. E mesmo assim, estão dificultando por causa do Brexit, a saída do Reino Unido da União européia.

Hoje minha irmã avisou sobre o incêndio. Eu não sabia pq não tenho TV e estou até evitando esse tipo de notícias. Saber do Brasil é uma coisa, mas estando aqui é melhor não pensar no assunto. Parece que a cidade está sempre em alerta. Ambulância, carros de polícia a mil a todo momento. Já faz uma hora que tem um helicóptero sobrevoando meu bairro, daí já fico pensando merda. E não durmo.
Só para finalizar o textão. Não tem lixeira de papel higiênico, jogamos tudo dentro do vaso. Isso a bordo é quase um crime pq estraga a descarga e todas as vezes tenho a sensação de estar faz algo errado. 
Tô postando vídeos no insta stories, me sigam por lá @pelomarafora"


"Pizza é o meu almoço aqui em Londres. Trabalho em um restaurante italiano adaptado ao gosto inglês (que na minha opinião é péssimo) então, essa pizza margarita + cogumelos é minha única opção. Deliciosa, mas já tô enjoando.
Nunca andei tanto na minha vida! Apesar dos meios de transportes eficientes (metrô e ônibus) a "Viação canelinha" está sendo muito usada. Ando pacas até chegar na estação de metrô que geralmente são enormes! Muuuuitas escadas e mais caminhada até o trabalho. Já chego acabada pra trabalhar!
Estou super decepcionada com a qualidade das músicas tocadas nas rádios inglesas. As músicas atuais praticamente não tem letra, se resumem em : bá bá bá e baby. Só consigo ouvir boas músicas com os cantores que se apresentam dentro das estações de metrô. Artistas maravilhosos, mas o que faz sucesso é uma porcaria. Literalmente sofrência é o que escuto por 8hs seguidas no trabalho. Tô pagando todos os meus pecados.
As mulheres grávidas recebem um broche escrito "Baby on board" e assim são identificadas dentro dos metrôs. Fiquei imaginando o que deve ter rolado para chegarem a essa medida.
Estou trabalhando em dois horários. De dia em um restaurante e a noite em um lugar mágico! Ainda não posso contar pq estou na semana de treinamento, mas se eu for contratada terei muitas experiências inesquecíveis.
Antes de ontem nasci novamente. Estava sentada em frente a uma estação de metrô quando um carro em alta velocidade, desgovernado veio em minha direção. Vi a morte e não tinha o que fazer! O carro chegou a subir na calçada, mas meu anjo da guarda que está sempre a postos fez o motorista conseguir desviar e bater de frente a um muro do outro lado da rua. Fiquei em estado de choque e só chorava. As pessoas na rua correram para me acudir, me ofereciam água, suas casas e diziam que eu era muito sortuda! A polícia chegou em 2 minutos. Horas depois, um policial me ligou dizendo que o motorista que estava hospitalizado machucado e em estado de choque, havia tido um mal súbito, e que ele só repetia perguntando se havia conseguido me salvar, se eu estava viva?! Ou seja, ele me viu, sentada no cantinho encostada no poste e conseguiu desviar.”



“Vocês já ouviram a expressão : "Para inglês ver"?! Não dei um Google para saber com certeza, mas acho que sei o que significa. Esses sandubas que eu estava preparando visualmente são lindos, mas com sabor ruim, na minha opinião, apesar dos ingredientes de primeiríssima qualidade. Não estou dando sorte, pq tudo que experimentei aqui foi assim. Muito mais bonito do que gostoso. 
Parece que existe uma lei que é proibido colocar sal na comida, pelo menos onde trabalho nada tem sal. Também não tem sal na mesa, o cliente tem que ir em uma mesa separada e ele fica responsável pela quantidade que sal que consome. Se a intenção é diminuir o consumo de sal e os malefícios que ele causa, o tiro está saindo pela culatra! O povo simplesmente derrama metade do saleiro na comida. Se ela já fosse bem temperada da cozinha (o que não significa salgada) não haveria esse problema. Mas tempeiro por aqui = pimenta do reino. O sal parece aqueles feitos para hipertensos, não salga e o açúcar, não adoça. Sim, é uma merda.
Tô chocada com disperdício de água em um restaurante, a enorme quantidade de lixo que produzimos e de comida que vai para o mesmo. Em nome da higiene não podemos usar pano de prato para enxugar as mãos ou utensílios. Devemos usar um tipo de papel toalha azul para tudo. E usamos pelo menos três rolos enormes de papel por dia, o que enche fácil três sacos de lixo. Tudo isso me dói o
coração
Trabalho em um restaurante Italiano que tem funcionários de várias partes do mundo, mas claro, a maioria são italianos. Tenho um em casa então, para mim, nada me surpreende. Só que lhe dar com um italiano no seu ouvido é uma coisa, mas 10 de diferentes partes da Itália me faz pensar que aquele país poderia ser chamado de hospício. Os italianos são artistas natos, por qualquer coisinha fazem um drama, reclamam como se fossem seus últimos dias na terra! Adoram dar shows. Outro dia um deles estava embalando biscoitos na minha sessão. A máquina de filme plástico parou e ele começou a ficar nervoso. Xingou até o inventor da máquina e deu uma porrada na bichinha que voltou a funcionar. Minha colega de trabalho que é da Romênia, saiu da sala assustada. O cara que em 10 segundos já estava calmo se virou e disse: - Qual o problema dela?!
Uma chef adora gritar o nome das pessoas. Se ela não nos ver na sessão já começa a gritar fulanooooo, beltranaaa. Nem preciso dizer que tem gente que quer esganar a moça né?! Aqui me apresentei como Maria, pq gritar Gutaaaa, só Fausto quem pode.
No fim das contas, com toda confusão que eles arranjam, tudo funciona. Entre tapas e beijos todos se ajudam.
Já ia me esquecendo da força de trabalho dos italianos. Vejo pelo Fausto que já passou dos 60 e quer construir outro catamarã que se deixar, ele projeta com 100 pés. Eles trabalham muito e gostam de muito trabalho. Os chefs do meu restaurante trabalham entre 12 a 15 hs por dia sem parar (literalmente) e um deles no final do expediente ainda vai para casa correndo. Outros vão para o Pub. Gzuis. Não sei de onde eles tiram tanta energia!
Respondendo as futuras e repetidas perguntas :
1) Não estou separada do Fausto, estamos separados pq estou em Londres e ele em Angra, mas estamos juntos. Entenderam né?!
2) Estou trabalhando pq gosto
3) Estou em Londres estudando inglês e adquirindo novas experiências, diga - se, passando por perrengues inimagináveis.
4) Não abandonei a vida a bordo, se eu aguentar, volto em dezembro quando retomamos o trabalho com charter no verão, aliás, faça já sua reserva! Mais informações no site: www.brasilsailcharter.com.br
Tenham todos uma boa noite! Eu agora sigo para meu trabalho noturno, se tudo der certo, conto depois de amanhã.
5) Sim, estou trabalhando em dois lugares diferentes + estudando (também tenho sangue italiano nas veias)”



“Senta que lá vem história... 
Lembram que eu estava em treinamento para trabalhar em um lugar "mágico"?! Então, só agora posso dizer que estou trabalhando no Royal Albert Hall. Uma casa de shows que funciona desde 1871 e claro, pertence à família real. Quando consegui os documentos necessários para trabalhar lá, já havia perdido shows do Eric Clapton e Phil Collins. Infelizmente não dá para ganhar todas.
O que eu faço?! Limpeza! Vcs não tem noção de quanto lixo as pessoas deixam no carpete vermelho que para mim é praticamente um pecado sujar aquele lugar. Então, tipo, trabalho nos bastidores, na equipe de limpeza e com muito orgulho. O lugar é sim mágico! Os artistas mais famosos do mundo já se apresentaram por lá e a energia do local me faz feliz.
No começo me enrolei com o aspirador de pó que teimava em aspirar meu pé, minha perna, menos a sujeira, mas agora já nos entendemos e eu fico aspirando, relembrando das minhas viagens e aspirando. Um trabalho de boa que estou transformando em terapia. Outro dia limpei o camarim do Woody Allen. Semana passada, em um jantar de gala da Cartier, penso que parte das pessoas mais ricas do mundo estavam desfrutando de uma orquestra divina.
Aliás, poder assistir aos shows foi o que me fez querer trabalhar lá, mas desde que entrei, só estava acontecendo eventos particulares e nada de shows. Até que soube do Proms, um evento organizado pela BBC, e considerado o maior festival de música clássica do mundo. Fiquei histérica! Pensem em uma pessoa animada?! Mas claro, nem tudo são flores. Eu trabalho rápido, quem me conhece sabe que faço o que for com rapidez e eficiência. Só que, outras pessoas (ou a maioria) não é assim. E o que aconteceu ?! Descobri que ser eficiente nesse trabalho é sinônimo de burrice, pq tenho que ajudar aos que trabalham devagar-quase-parando e que ficam esperando por "ajuda". Ou seja, trabalho dobrado. Semana passada faltou pessoal (muita gente não consegue se adaptar em trabalhar durante a noite) no caso, das 23hs até às 7 hs. Então fui escalada para trabalhar seis dias na semana. Bateu um desespero pq também tenho meu trabalho durante o dia no restaurante onde trabalho por 8hs das 8 às 16hs. Eu só teria 3hs para dormir por dia! Chorei muito, com medo de não dar conta do recado e aproveitei as orelinhas da Mariana Garcia Markoska para desabafar. Graças a Mariana que também já morou aqui e sabe como tudo funciona, fui "abraçada" com tanto carinho e palavras de conforto. Respirei fundo e comecei a trabalhar. No último dia da semana, no restaurante, meu chef me deu um saco de cebola roxa e disse : Hoje vc vai aprender o corte fulano de tal. Nem prestei a atenção no nome do corte pq estava preocupada em não cortar todos os meus dedos. Eu tinha que cortar as cebolas em uma expessura mínima. Caramba, era muita provação em só uma semana! Cadê a concentração da pessoa que estava de pé mas feito um zumbi?! Pá, consegui cortar as cebolinhas! Essa semana volto a trabalhar somente quatro dias a noite e consigo consiliar os dois empregos e voltar ao curso de inglês. Daí vocês pensam, mas Guta, pq dois empregos?! Não pretendo ficar nesse ritmo frenético pq uma hora meu corpo não vai aguentar. Por enquanto, só emagreci 5kg então, tô no lucro hehehe. O que acontece é que me comprometi em ajudar no restaurante agora no verão, onde o movimento aumenta bastante e ao mesmo tempo consegui o emprego no teatro, onde realmente quero ficar. Estou amarrada e tenho que aguentar o tranco até o final de agosto.
Sentiram meu perrengue?!
Não tá fácil!
Ainda não acabou a história. Aguardem os próximos capítulos da novela, pq olha, tem coisas que acontecem comigo que até eu duvido e fico pensando se realmente aconteceu.
Detalhe, dizem que o teatro tem fantasmas durante a noite. Ainda não vi e nem ouvi nenhum. Chateada.”



“Há muitos anos escrevi uma daquelas listinhas do que gostaríamos de fazer antes de morrer. Conhecer a Polinésia Francesa estava no topo da lista e eu nunca iria imaginar que conheceria muito mais países.
Nadar com golfinhos, fazia parte do "quase impossível" da lista, mas consegui realizar antes do "tomar banho de banheira", que parecia ser simples, mas só fiz aqui em Londres. Um outro ítem da lista era "assistir a um orquestra" em um lugar bem lindo. Mas no Brasil, a sensação que sempre tive é que orquestras em teatros era coisa de rico (o que pensam de nós velejadores) e que eu deveria estar vestida adequadamente, diga - se em traje de gala. Ou seja, nunca fui, com medo de passar vergonha. Bobeira minha?! Provavelmente sim, mas...
Quando surgiu a oportunidade de trabalho no Albert Hall, uma das casas de shows mais tradicionais de Londres, quis trabalhar lá de todo jeito! Consegui a vaga e adorei conhecer os bastidores, como fazem para tudo aquilo funcionar perfeitamente! Duas semanas depois de começar a trabalhar, haveria a abertura do Prom, considerado o maior festival de música clássica do mundo, organizado e transmitido ao vivo pela BBC. Pei , eu iria riscar mais um ítem da minha lista com chave de ouro! Sentados?! A história ainda vai longe...
Para quem não sabe, sou técnica em enfermagem, daquelas que fazem a linha carniceira. Devo ser uma vampira pq sinto cheiro de sangue há 200 metros de distância e de pus/infecção também. Para terem uma idéia, quando estou sem sono, assisto vídeos de pequenas cirurgias no YouTube. Os de furúnculo são meus preferidos. Sou doida??? Sim ou com certeza?!
Bem, no dia da bendida abertura do festival, tirei meu dia de folga do trabalho diurno e organizei meu dia para ir ao curso de inglês e direto para o teatro mais cedo. Meu trabalho era sempre depois dos shows.
No dia anterior, eu senti um cheiro de pus dentro do metrô e pensei: Vixe, tem alguém com alguma infecção aqui. Vi que era uma moça, mas ela logo saiu e a perdi de vista.
Eis que reencontrei a moça, com o dedão do pé roxo, gigante com muito, mas muito mal cheiro. O que que eu fiz? Ao invés de seguir para o curso, corri atrás da moça. Foi difícil convencê-la de que queria ajudar. Só não saiu correndo pq o dedo não deixou. Ela mancava e era perceptível que estava sofrendo, muito. Resumo: A moça era Venezuelana e está ilegal em Londres. Por isso ela não foi ao médico e por isso ficou com medo de mim. Para quem não sabe, a pessoa que denúncia um imigrante ilegal aqui, ganha 300 libras e tem gente que vive disso. Trabalhando como camareira em um hotel, ela arruma 25/30 quartos, enquanto uma imigrante legal arruma 18 nas mesmas 8hs de trabalho. O dedo estava com a unha "encravada" devido a um objeto que caiu no pé dela no trabalho. Ela continuava trabalhando com o pé "podre" e os gerentes se fazendo de egípcios, não viam nada de errado. Enfim, consegui levá-la para minha casa. Eu sempre tenho luvas na bolsa pq uso nos dois trabalhos. Peguei meu kit de unha (alicate e espátula) e não tive como fazer muito com relação a limpeza. Tipo, ou vai ou racha. O coração da moça estava no pé, tadinha. Coloquei ela sentada em um banquinho minúsculo, que uso para subir no meu beliche. Ela sofreu, mas consegui limpar a sujeira toda e desencravar a unha. Assim que terminei, fui ao banheiro descartar o objetos que eu não poderia mais usar. Voltei em um minuto e ela estava dormindo sentada. Caraca, aquilo partiu meu coração. Ela não devia dormir há dias. Infelizmente, tive que colocá-la deitada no chão. Eu durmo na parte de cima de uma beliche e não quis arranjar problemas com as colegas de quarto. Passou uma, duas, três horas. Não me aguentei e acordei a moça que deu um pulo que até me assustei. Deve ser horrível viver ilegalmente. Uma sensação de que sempre alguém vai te pegar, credo! Dei uma cartela de antibióticos que trouxe do Brasil a ela (não me julguem) e emprestei minha rifocina (antibiótico tópico). Ensinei-a a fazer o curativo e ganhei um abraço apertado. Sai correndo para o ponto de ônibus. Faltava 1 hora para começar o espetáculo. Daria tempo. 10, 20 minutos no ponto e nada de ônibus... Isso em uma linha que os ônibus passam de 5 em 5 minutos. O que estava errado? Ouve uma denúncia de terrorismo não sei onde e a polícia fechou a avenida. Aff, corri 1 km até onde os ônibus teoricamente estavam desviando, mas não, eles haviam parado mesmo. Corri mais 1km e meio até chegar na estação de metrô que estava com atrasos. A estação que eu deveria descer, fechada. Corri para outra, entrando em desespero. Cheguei no trabalho, coloquei o uniforme, subi quatro andares pelas escadas e quando cheguei na galeria, o local mais alto do teatro, só ouvi as palmas para os músicos. O show havia terminado.
O pior foi entrar na sala dos funcionários e todo mundo gargalhar da minha cara. Para todos com quem conversei, muitos trabalhos ali há anos, música clássica era um porre. Eric Clapton, quem é essa pessoa? Só para terem uma noção... De boa, trabalhei triste. Duas semanas imaginando aquelas horas mágicas.
Que orelhuda! Quanta bobeira Guta (conclusão depois de horas pensando, claro). Como criamos coisas na nossa cabeça que se não se realizam como queremos o "mundo acaba" né?! Dois dias depois a moça deixou um alicate novo na porta de casa e disse que estava bem.
Assisti seis espetáculos e chorei em todos. Aqui o povo usa jeans e carregam um copo de cerveja nas mãos. Ninguém se importa com o que você está vestido, aliás, na galeria, local onde eu tinha acesso, muitas pessoas estavam deitadas no chão e de olhos fechados. Eu que sou visual, ainda não conquistei esse nível de sensibilidade.
Consegui o que queria e fiz o que?! Mudei de emprego! E agora estou na padaria orgânica. Tô curtindo, vamos ver até quando,
#gutaemlondres

PS 1: Tô fazendo insta o Stories, quem quiser acompanhar a vida de uma imigrante-estudante-temporária em Londres é só me seguir no @pelomarafora
Facebook: Guta Favarato



See you later,


quinta-feira, 1 de junho de 2017

De férias

Oi Oi Oi Povo do mar,

Entramos de férias do trabalho com charter em Angra dos Reis. Pretendemos retornar somente no segundo semestre de dezembro. Até lá, colocamos em prática novos projetos. Fausto continua a bordo, literalmente vidrado, projetando o novo catamarã. Eu Guta irei bater perna, depois contarei mais hehehe

Já falei que o Guruçá Cat está a venda né?! Em tempos de crise, tá cada vez mais difícil vender alguma coisa, maaaas não temos pressa! Enquanto isso, vamos vivendo no paraíso... O novo dono do Guruçá aparecerá na hora certa. O que tiver que ser será! 


O Guruçá é forte, seguro e confortável para viver em família ou para somente um casal.

Foi testado em duras travessias durante a volta ao mundo sem nenhuma quebra. Está pronto para quem deseja viajar ou trabalhar com charter. É um barco que pode ser usado da maneira que preferir.

Modelo: Pignaton 54’
Projetista: Fausto Luiz Pignaton
Material: Madeira (frejó e cedro) fibrada com epoxi
Capacidade diesel: 1200l
Capacidade água: 1200l
Deslocamento: 12t
Motorização: 2 Yanmar 39HP
Comprimento: 16,35m (54’)
Waterline: 16m
Comprimento de brigdeck: 11m
Boca Máxima: 9,50m
Calado: 0,90cm á 2,20m
Altura do mastro: 20m (deck) / 23m (água)

Velas:
Grande: 96m2 (Dacron hidranet alemão)
G1:  68m2 (Darcron square alemão)
G2:  32m2 (Darcron square alemão)
SPI: 150m2 (amarelo e branco)
Todos cabos são da Leopoldo cordoaria

5 catracas 53 SEawinche
5 catracas 40 Seawinche
Moitões: Lewmar e Nautos
2 enroladores Harkem (12mm e 8mm para stay)
Sistema Fullbaten Harken
16 gaiútas Lewmar
10 stopers duplos Lewmar
de inox 8mm Guincho elétrico 1500w Ancorlift (inox)
Controle de guincho manual (Lofran waterproof) e de pé
45 metros de corrente
70 metros de corrente galvanizada 8mm
1Â ncora Rocna 45kg inox
1 Âncora Rocna 35kg galvanizada
1 Âncora Bruce 20 kg galvanizada
1 Âncora C.Q.R 15kg inox
1 Âncora Britanie 15kg galvanizada

300m de cabo 25mm para fundeiro (poliamida)
1 bomba Jabsco pressão para lavagem da âncora
1 painel de distribuição elétrica (3 bancos de bateria) Blue Sea
Remote Batery switch (PN 7700) da Blue Sea
Xantrex Link 20 Battery monitor
9 painéis solares 135W
2 reguladores de voltagem PHOCOS 40 Ah
4 baterias de 255 Ah LIFE LINE (USA) Deep cicle
1 inversor Xantrex 2000W Sine wave
2 selos mecânicos PPS
2 bombas porão Johnson 2200 (gph)
2 acopladores elástico “R &D”
2 filtros água Vetos para motor
2 válvulas para botijas de gás padrão internacional2 Watrelock
2 Goosemek Vetos
Manete de controle do motor Morse SL-3
Sistema pressurizado para banho e bidê
4 toilets manual Jabsco
1 acomulador de tanque Jabsco
4 bombas manuais MK.4 WHALE para pia
2 bombas manuais WHALE para pia da cozinha
1 fogão inox 4 bocas com forno Eletrolux – (Fogão normal de casa)
2 botijas de gás em alumínio 9kg
2 botijas de gás aço 9kg

1 microondas 800w Panasonic
1 geladeira 12v 360l CU-200 ‘Super cold’ machine
1 Tanquinho de lavar roupas Suggar
1 bússula Danforth Corsair IV com balança global
1 sonar colorido Twinscope da Interphase
1 luz de targa Optolamp Sírius LxPLUS 4 em 1
1 luz de tope em LED com sensor de luz da Orcagreem (off-tricolor-ancor-strobe)
1 biruta Windex 15
4 ventiladores CAMANO modelo 743 com 3 velocidades
16 luminárias LED
1 Stereo KMR – 700U com IPOD/USB receiver da KENWOOD
4 Alto falantes PIONNER (200 W)
Sistema de direção Hidráulica da TELEFLEX
1 unidade de direção H-50
1 reservatório de óleo com válvula de alívio R60
1 cilindro hidáulico K-1
1 piloto automático Raymarine – 4000 MK2 WHEEL
Driver mecânico e hidráulico
1 anemômetro Raymarine
1 speedômetro Raymarine
1 Sonda Raymarine

2 charterploters Garmim 4012
1 Carta ‘Blue Charter”G2 Vision (Argentina – Angra dos Reis)
1 Carta ‘Blue Charter”G2 Vision (Angra dos Reis- Fernando de Noronha)
1 Carta ‘Blue Charter”G2 Vision (Caribe – Galápagos)
1 Radar GARMIN GMR 18” HD
1 Rádio VHF com AIS MATRIX G x 2150 STANDART HORIZON
1 Antena VHF Shakespeare-style 4200
1 Antena AIS Shakespeare-style 5215-AIS
1 Antena para TV/FM da Shakespeare-style2030
1 Rádio SSB IC-M802 da ICOM
1 automático antena tunner AT-140
1 Antena Shakespeare para SSB em poliuretano
1 Dynaplate 4018 da Guest para aterramento
1 AIS HP-33 A ( AIS com GPS navigator acoplado) MATSUTEC
1 Water maker SPECTRA VENTURA 150 galões por dia
1 DVD PLAYER da LG
1 TV 22’ LED da LG

1 Antena de WIFI BAD BOY 1 Antena de distribuição de WIFI BAD BOY
1 bote rígido 3,70m de madeira/epóxi
1 motor de popa Johnson 15hp
Tinta anticrustante Cooppercoat com garantia de 10 anos



























Quem quiser comprá-lo para viver como nós, morando e trabalhando a bordo, podemos passar todas as informações sobre o negócio, o site e redes sociais em pleno funcionamento.

Mais informações pelo tel/whatssap: (24)999654069
e-mail: gurucacat@hotmail.com


sexta-feira, 3 de março de 2017

Pós Viagem

Eu tive um sonho, vou te contar, imaginava pelo mundo velejar...

E foi possível depois de muitos percalços esse sonho realizar. Mas após quase quatro anos viajando e vivendo aventuras inimagináveis, dia pós dia, de volta a casa (Brasil), a vida a bordo “normal” não é tão legal.

Atravessamos o oceano atlântico na maior santa paz! Saímos de Simons Town na África do Sul e só usamos três horinhas de motor para passarmos pelo cabo da Boa esperança. Depois velejamos com a brisa e um mar tão calmo que me fazia duvidar, estava bom demais para ser verdade. E foi verdade,  até avistarmos a ilha de Trindade que pertence ao Espírito Santo. Daquele ponto até Vitória, velejamos em três dias o que normalmente se veleja em sete dias. Era como se a natureza estivesse contribuindo para chegarmos mais rápido em casa e matássemos as saudades da família, dos amigos, da comida do calor brasileiro. Sim, estávamos saudosos.
A ficha demorou a cair que o sonho havia terminado porque de uma certa forma ainda o vivíamos, cada vez que contávamos as histórias, as palestras que fui convidada a fazer. Essa foi uma parte ótima!   Dei palestras para crianças em escolas públicas e para entusiastas da vela. Foi muito bom receber as reações das pessoas a cada foto mostrada e os aplausos calorosos das crianças em uma palestra que nem consegui terminar. Depois de cada foto havia um haaaaaaa, o que fez atrasar um pouco as coisas. Foi prazeroso saber que alguns pais, no dia seguinte, foram a escola saber que história maluca era aquela que o filho estava contando, de uma moça que havia nadado com golfinhos e tirado foto com um tigre.
Dai com os bolsos furados, começamos a nos recolocar no mercado para trabalhar. Recomeço difícil, apesar da “fama” que tantos dizem que temos. Há quatro anos não havia crise e somente uns três catamarans faziam charter pelo Brasil. Hoje todo mundo pensa que fazer charter é fácil e estão tentando, aumentando a concorrência. Nos recolocamos e começamos a trabalhar, trabalhar e trabalhar. E é isso que basicamente fazemos hoje. Trabalhamos e juntamos dinheiro, mas não sabemos para quê!
Poxa Guta, vocês poderiam fazer outra volta ao mundo né? Verdade, aliás, dizem ser o ideal. A primeira volta ao mundo é a que nós realmente aprendemos a velejar, a navegar, a sermos pacientes, a respeitarmos a cultura dos outros, a não querer matar todo burocrata de uma figa (mentira isso ainda não aprendi). A segunda volta ao mundo seria a que a gente realmente aproveitaria: Sabendo as manhas, não perderíamos tempo e dinheiro em tais lugares, aproveitaríamos muito mais em outros. Mas fazer uma volta ao mundo atrás da outra  é um sonho praticamente impossível sem patrocínio. Então voltando a realidade, quando a ficha caiu que tudo acabou, fiquei deprimida, estou deprimida. As pessoas continuam a cobrar vídeos novos, perguntam quando o livro sairá! Mas quando começo a pensar a escrever me emociono. É diferente de contar para uma pessoa ao vivo, escrevendo parece que estou revivendo cada momento. Sinto o frio na barriga que tinha de cada saía de um porto e já tive verdadeiramente dor de barriga quando recordei os momentos difíceis. E recordar de tudo, hoje, não me faz bem. Evito lembrar, evito de uma maneira que já não consigo sonhar mais com as lembranças. E hoje, 10kg mais gorda (as saudades da comida brasileira foi “bem matata”) perdi o entusiasmo. E sinto um cadinho de inveja do entusiasmo de quem está começando agora na vida náutica, que tem percorrer todo o longo caminho até chegar lá. Seja somente “abandonando” tudo e vivendo a bordo, seja pensando em fazer uma longa viagem. O “lá” não interessa, o que interessa é a vontade de fazê-lo.
Agora, trabalhando aqui em Angra, parece que tudo ficou simples demais, fácil demais, tranquilo demais. Uma volta ao mundo não é fácil, simples, tranquila. Nos acostumamos com a adrenalina a nos preparamos para o pior, para resolver qualquer problema que aparecesse e de repente nada, somente calma.
Antigamente, ir até Recife para participarmos da REFENO (regata Recife x Fernando de Noronha) erá “a” viagem. Hoje seria como se fôssemos a esquina comprar pão. Sete dias direto dependendo do vento do Rio de Janeiro até Recife. O que são sete dias para quem já ficou 22 dias com o mar do cão, atravessando o pacífico, sem ver terra e ter contato com ninguém?!
 O máximo de emoção depois que voltamos foi arrastarmos uma poita com um vento de 30 nós, forte para os “padrões” brasileiros, mas normal para os padrões de fora, como o caribe por exemplo. Deu um certo trabalho conseguir colocar a poita no lugar e nos soltarmos dela. Rendeu gritos entre eu e Fausto, uma mão cortada, o coração saindo pela boca e alegria! Nunca imaginei ficar feliz com uma situação que poderia ter dado muito mal.  Loucura isso né? Agora, toda vez que vou pegar uma poita me enrolo, não sei se faço inconscientemente só para sentir aquela raivinha por não ter dado certo de primeira. Tô enlouquecendo, sim ou com certeza?

Como não podemos viver nessa apatia náutica, resolvemos seguir em frente com novos planos, que não serão realizados a bordo do Guruçá que está a venda. Mas até lá...

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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Quando pensamos que já passamos por tudo...

Era exatamente 2:30hs da madrugada. O vento chegou quente, sabem quando abrimos um forno que está assando algo e vem aquele bafo quente no rosto? Então, foi a mesma coisa, sem exageros. Rajadas quentes! Daí as rajadas foram aumentando de intensidade até chegar ao ponto de podermos escutar o vento uivar. Sim o vento uiva, intimida, mostrando a sua força, seu poder. Nessas horas, em fração de segundos me lembro da história dos três porquinhos. O vento é o lobo mau soprando e eu uma porquinha, rezando para que a nossa âncora e corrente segurem o tranco. Mas dessa vez estávamos em uma poita, que teoricamente, segurava nosso barco. Fausto ficou em alerta e fui dormir. Até que Fausto gritou: Gutaaaa. E dos 50 tons sonoros que conheço, com Fausto chamando o meu nome, aquele era um tom de urgência. Pulei da cama e peguei meu kit (óculos de grau para miopia e lanterna de cabeça). Por mais que tenhamos feito uma volta ao mundo velejando e tivéssemos trocentas experiências diferentes, vem "alguém" e PÁH, tomem seus bestas, isso nunca aconteceu com vocês né?! Então bora, vamos ver como irão se safarem dessa! É como se sempre estivéssemos passando por testes. 
Estávamos arrastando a poita e seguindo para cima de uma pedra muito usada pelos velejadores para o abastecimento de água, na praia da Tapera, Ilha Grande. Simplesmente a pedra se encaixaria entre os cascos. Fausto ligou os motores e arrastou a poita de volta para o lugar nos safando da pedra, mas a missão quase impossível era minha: puxar a poita e retirar o engate com ventos de 40 nós. Eu sou uma zero a esquerda nos motores. Odeio manobrar o barco. Teria que baixar o espírito "Mulher Maravilha" para eu conseguir retirar o engate. Não sei explicar, mas nessas horas tensas, a gente realmente vira super herói, também temos força e poder dentro de nós que por necessidade (se fosse romântica usaria a palavra coragem) partimos enfrentar o problema. 
 Fausto dava o avante e eu tinha pouco tempo para puxar a poita e retirar o engate, antes da próxima rajada. A comunicação ficou difícil, o barulho do vento, dos motores. Gritava de um lado, Fausto gritava do outro, no final das contas Fausto já intuia o que acontecia lá na frente. Fiquei no quase em duas tentativas. Na terceira consegui! Jogamos âncora e minutos depois o vento diminuiu. Foi um teste, tenho certeza!!! 
Alguns hematomas, uma mão cortada, mas o coração alegre com a adrenalina que há tanto tempo não sentíamos. 
 Nos abraçamos. 
 Ufa, passamos por mais uma. 
 Qual será a próxima???




Foto Nancy Zunino, catamarã El Arca.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Guruçá Cat à venda


Moramos e trabalhamos a bordo do Guruçá Cat, mas para quem não sabe, ele está a venda. 
Testado na volta ao mundo, super equipado, com bandeira brasileira, excelente preço e lindo, modéstia a parte. 
 Daí você me pergunta: Mas Guta, vocês já têm o barco dos sonhos de muita gente, moram e trabalham em um paraíso. Por que vender o barco? 
Acho que só quem conquista o que tanto batalhou pode realmente entender. Hoje eu vivo um tipo de "depressão pós viagem" ou "pós sonho realizado" . "Invejo" o entusiasmo de quem está começando na vida Náutica. E é isso que estamos procurando, entusiasmo para novos sonhos que não serão realizados a bordo do Guruçá Cat. Claro que tudo são planos, mas uma coisa que aprendemos na viagem foi não fazer planos. A gente traça uma rota mas as vezes um tufão nos desvia prum lado, um guia novo desvia pro outro e vamos vivendo dia após dia com esperança de uma nova realização. 
 Quem tiver REAL interesse sobre o Guruçá, envio memorial descritivo e preço pelo email: gurucacat@hotmail.com ou whatssap: (24)999654069

Até breve,

Guta Favarato