domingo, 22 de agosto de 2010

Como colocamos o Guruçá Cat na água

Estou em Vitória, descansando das exaustivas útimas semanas e matando as saudades da família. Fausto também está cansado, mas ficou no barco, agora ele não vai sair dele tão cedo…

Vou tentar explicar, sem a supervisão do Fausto, como foi a colocação do barco na água, ou seja, uma visão totalmente feminina. Para os marmajos de plantão, não saberei explicar da forma técnica todo oGuruçá procedimento:

Assim que a turma de Vitória chegou, começaram imediatamente a retirar as peças de madeira que eram a  estrutura do nosso galpão, madeiras que foram utilizadas para que os berços deslizassem sobre elas. A irmã de Fausto Giselda, achava engraçado, berço? Parece coisa de bebê… Mas na verdade era como se fosse, como se estivéssemos em uma gestação de 3,5 anos e o nosso filho prestes a nascer.  Berço é a estrutura feita embaixo dos casos, forte o suficiente para aguentar o peso do barco. Também, usamos uns tubos de aço que serviam de roldanas. Então o nosso kit colocação de barco na água era formado por berço – roldanas – madeiras - braços fortes.

Nos dois primeiros dias a rapaziada trabalhou somente nos berços, reforçando toda a estrutura já existente. O barco já estava acomodado nos berços desde que os casos foram virados, mas não estavam reforçados o suficiente para se movimentarem. Foi um tal de fura daqui, coloca parafuso dali, enrosca de lá…

Agora seria mais fácil entender com as fotos, mas esqueci o pen drive no barco e só tenho as fotos que estão na máquina fotográfica. Assim que eu chegar em Angra, colocarei todas!

Puxamos o barco com dois “tifor”, um para cada casco. Mais dois dias  trabalhando com a maré baixa. Assim foi, até que colocamos o barco no ponto que o barco flutuaria. Retiramos as madeiras, os tubos e os berços. O barco ficaria apoiado somente nos patilhões (são duas estruturas que servirão de apoio para os cascos quando precisarmos fazer algum reparo no barco. Poderemos encalhar o barco em alguma enseada para fazermos qualquer serviço. Aqui no Brasil para retirar um catamarã do tamanho do nosso da água é muito caro e muito arriscado…). Apoiamos também os patilhões para  não deixá-los na areia. Quando a maré subiu (2:00 hs da manhã) o barco se mexia e parecia estar flutuando. Os rapazes que estavam no carro na praia, somente aguardando o barco flutuar para voltarem a Vitória, nos ligavam dizendo que estava flutuando, mas não estava. Quando Fausto começou a acionar motores a ré, o barco começou a balançar e parecia que iria sair, fui dar uma olhada na sala de máquinas  para ver se estava tudo bem e percebi que um líquido verde havia escorrido. Imediatamete avisei ao Fausto e abortamos a operação. Os parentes e amigos de Fausto foram embora, decepcionados, claro. Tadinhos, trabalharam tanto e não conseguiram ver o barco flutuando. Somente no dia seguinte podemos entender o que aconteceu e como estávamos. Imagine você acordar assim:

colocação do Guruçá Cat na água 004  colocação do Guruçá Cat na água 003

Encalhados! Bem, como em tudo tentamos ver o lado bom, foi bom saber que o o barco agüentou, e o patilhão funcionou.

Com a maré baixa novamente visualizamos que no casco de bombordo (lado esquerdo), estava solto, era somente esse lado que flutuava. E no casco de boreste (lado direito), as madeirinhas colocadas embaixo do patilhão “calçaram” o casco, nós girávamos sobre o casco, mas não saíamos do lugar.

Com os técnicos da YANMAR a bordo, descobrimos que foi esquecido de fechar os tampões dos boiles,  foi o que entendi. Os técnicos fecharam tudo e os motores voltaram a funcionar.

Trabalhamos o dia inteiro levando nossa mudança para o barco e no final do dia cavamos, quer dizer,colocação do Guruçá Cat na água 030 Fausto cavou em torno do casco para que as madeirinhas afundassem o máximo possível. Na madruga, quando a maré subiu novamente,  eu sentido muito frio (temperatura) e com frio na barriga (de medo mesmo), começamos a puxar o cabo na popa (parte de trás do barco), e Fausto usou os motores, os dois a ré, e PIMBA! eu nem senti, mas estávamos flutuando, foi rapidinho!!! Nossa, que felicidade! Alívio!

Passamos o resto da noite fundeados (estacionados), e no dia seguinte voltamos a trabalhar fazendo nossa mudança. Caramba, não sei de onde saiu tanta coisa, isso porque eu já estava levando objetos para o barco uma semana antes de tudo isso. Depois de tudo a bordo, e das despedidas, fomos com o barco no motor até o centro e Angra e fundeamos. Nessa noite, cansados, e para variar, essas coisas só acontecem a noite na madruga, acordei com Fausto se movimentando, e com um ventão danado, havia entrado uma frente fria, e estávamos vulneráveis, precisávamos de um lugar abrigado do vento sul. Ou seja nossa primeira “pauleira”, vento frio, ondas espirrando água salgada. A natureza nos dando as boas vindas!

Toda vez que digo a alguém que moro em um veleiro, as pessoas reagem dizendo: Nossa que beleza! Que vida mansa você deve ter hein? Outras dizem Deus que me livre, eu morro de medo. Eu adoro morar a bordo, mas para as pessoas que acham que morar em um veleiro é tudo festa, não é muito bem assim. A situação acima que passamos é muito comum. Quando entra uma frente fria, as pessoas que moram em casas ou apartamentos, só tem que se preocupar em fecharem as janelas, ou tirar as roupas do varal etc.. Nós não, temos que vigiar para que a âncora não garre ( se solte), isso pode acontecer dependendo do fundo em que fundeamos e da velocidade do vento. Já passamos por cada situação, depois vou contar alguns causos aqui. Geralmente são situações tensas, e acabamos com frio e todos molhados. Mas graças a Deus, tudo sempre terminou bem.

Saimos do centro de Angra e fomos para o Bonfim, bairro depois do tradicional Colégio Naval. Fundemos pertinho da ilha do Maia, onde nossos amigos Maria Helena e Osmar trabalham há 20 anos ilha.

colocação do Guruçá Cat na água 032 Osmar, Maria Helena e Fausto, na varanda da casa deles, olha que vista…

colocação do Guruçá Cat na água 035   colocação do Guruçá Cat na água 036

colocação do Guruçá Cat na água 037   colocação do Guruçá Cat na água 039

Lindas as flores e ervas que a Maria Helena, cultiva na ilha. Manjericão, pimenta, hortelã etc..

colocação do Guruçá Cat na água 055

 colocação do Guruçá Cat na água 051 

colocação do Guruçá Cat na água 029   colocação do Guruçá Cat na água 028

colocação do Guruçá Cat na água 049Fausto lavando com água doce nossas bicicletas, que haviam tomando banho de água salgada…

colocação do Guruçá Cat na água 054

Esta semana estaremos terminando os preparativos para velejarmos direto a Recife. Serão uns 10/12 dias, dependendo do vento, direto em alto mar. Assim que chegarmos lá, contarei como foi a viajem.

Uma ótima semana a todos!!!

Bjs,

Guta

Comentários
3 Comentários

3 Comentários:

Anônimo disse...

Parabéns Guta e Fausto
O Barco ficou maravilhoso.
Que tenham uma vida tranquila e feliz a bordo.
Muito obrigado por seguir em frente sempre, mesmo quando o mais simples seria desistir. Vocês são um grande incentivo para todos nós seguirmos atrás de nossos sonhos.
Um grande abraço
Manuel e Rafaela
www.duplaventura.blogspot.com

Anônimo disse...

Olá amigos,
Parabéns pelo lançamento do Guruçá Cat. Que realização, essa de vocês !!!
Nas fotos vejo um Fausto totalmente relaxado, com o bravo Sansão na barriga.
Vocês merecem muito.
Agora é partir para a parte melhor do sonho...
Tudo de bom na viajem inaugural para Recife e nas tantas outras que vão fazer na nova "casa",
Continuem dando notícias pelo Blog para que possamos acompanhar as aventuras.
Beijos e abraços,
Ivan e Egle

sandra disse...

Admiro demais vcs.
Foi uma luta construir este catamarã.
Parabéns aos dois.

Bons Ventos.San

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