quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O lado duro da REFENO

A REFENO 2012  foi cansativa, trabalhamos bastante! O vento, uma porcaria, orça na ida e na volta para Natal. Mar ruim também, cometemos um erro e acabamos quebrando nossas duas bolinas (esquecemos que reduzir o tamanho delas quando o vento e mar aumentaram).

Tivemos tripulantes que não sairam satisfeitos da regata. Paciência, fizemos o possível!

O Veleiro Entre Pólos quebrou o mastro; O catamarã Aquamundo quebrou os brandais e também quase perdeu o mastro; O catamarã Zen teve uma avaria na borda de ataque e chegou em Natal no motor tirando água do barco; Vários veleiros com velas rasgadas; O veleiro Nanuk e um trimarã com bandeira Alemã afundaram. Se eu perguntasse de veleiro em veleiro, praticamente todos tiveram alguma avaria.

Nós tivemos as bolinas quebradas e ancorados na ilha nossa corrente partiu (ficamos um dia inteiro trabalhando entre recuperar o restante da corrente  e a nossa amada âncora modelo alemã, ambas em inox 316). Vocês têm idéia do que é recuperar e recolocar uma âncora de 45 kg no lugar com a ondulação de Noronha? 

Algumas pessoas reclamam do valor que cobramos por tipulante para REFENO, mas na pontinha do lápis, ainda é pouco pelo risco em que colocamos o barco (nosso único patrimônio) a responsabilidade com os tripulantes inexperientes; O trabalho super cansativo a bordo (eu nas refeições e Fausto na navegação), e a insegurança do fundeio de Noronha (muito vento, pouco espaço entre os veleiros, ou eu ou Fausto sempre ficando a bordo, não relaxamos). Chegamos em Natal “moidos” entre o trabalho físico e o psicológio para tentar contornar os problemas que surgiram durante a regata.

Quando alguém me envia um e-mail ou quando alguém me pergunta pessoalmente o valor da vaga para tripulante na REFENO (quase sempre fazem careta quando respondo), digo o seguinte:

Invista (compre) um veleiro registrado como mar aberto. Peça dispensa do trabalho, tire férias ou se não tiver tempo, contrate um skipper para levar o seu barco até Recife. Pague a inscrição da REFENO, abasteça o barco (comida, diesel) e participe da regata. Levante as mãos para o céu se nada quebrar (o que é praticamente impossível). Depois traga seu barco de volta, ou contrate alguém para trazê-lo. Somente explicando esses “pequenos detalhes” é que a pessoa percebe o quantas vezes mais caro custaria toda a viajem.

Esse é o sonho de muita gente, participar da REFENO no seu próprio barco. Mas muitos, somente quando participam da regata como tripulantes é que “percebem” ou “descobrem”, o quanto não é tão simples como parece; O quanto é despendioso; O quanto é cansativo; O quanto é arriscado. 

Dos nossos 14 tripulantes, praticamente todos não tinham experiência de mar aberto, mas tínham boa vontade. Aprenderam no que foi possível.

PS: Os banheiros de Noronha continuaram um chiqueiro, precisando com urgência de uma reforma. Continua faltando água e todo quebrado, mas pelo menos esse ano, arrumaram alguém para limpá-los uma vez por dia.

Felizmente não tivemos que ver/ouvir o digníssimo administrador da ilha no palco na festa de premiação agradecendo a nossa presença. Enviou um representante, com a cara um pouco mais simpática, mas com o mesmo discurso falso e político; ou seja, pelos próximos anos nada mudará.  

Guta

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