segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Tobago

Chegamos em Tobago depois de 14 dias. A travessia de Natal até aqui foi muito tranquila, com ventos muito fracos ( média de 5 a 9 nós), velejamos devagar-quase-parando e se não fosse a corrente a favor, em vários momentos teríamos parado. Felizmente só pegamos dois pirajás (mal tempo).

Se há 10 anos quando conheci Fausto, ele tivesse me colocado em uma travessia de 15 dias em alto mar eu teria literalmente surtado (eu era muito ansiosa). Agora quando finalmente aconteceu me senti bem tranquila, criei uma rotina a bordo (exercícios, livros, DVDs, novas receitas, estudar Inglês/Francês), e alcancei meu objetivo de não me sentir entediada.

Fundeamos em Charlotteville, um porto de pesca artesanal no extremo norte da ilha de Tobago as 22:00h de um domingo, ou seja, já sabíamos que pagaríamos multa por chegarmos em um final de semana, mas devido ao horário, deixamos para ir fazer os papeis da polícia federal deles e a imigração na segunda-feira logo cedo.

No dia seguinte no caminho do escritório,  encontramos um casal de Sul Africanos que também estavam indo fazer os papéis. Quando lá chegamos, também tinha a tripulação de um barco Polonês e um barco francês, enfim, cheio de velejadores… Estávamos todos esperando do lado de fora do escritório quando o policial saiu gritando, brigando mesmo, perguntando quem era o capitão do Big Yellow catamarã? Os outros velejadores ficaram com as caras de super sem graça e apontaram para nós, o policial continuou gritando, e eu e Fausto não entendendo bulhufas nenhuma (não saber inglês direito têm lá suas vantagens), eu olhava para os outros velejadores e eles olhavam para o chão… Pensei: Que merda nós fizemos? Porque para esse cara estar tão bravo assim, fizemos alguma coisa muito errada. Quando o policial parou de falar e continuou a nos deixar em pé no sol quente esperando, a Sul Africana nos explicou que ele nos viu chegando na noite anterior e que nós deveríamos ter ido fazer os papéis na mesma noite, que o escritório estaria fechado, mas que o funcionário mora em frente e nos atenderia. Imagine se nós iríamos sonhar com isso?! Até parece que iríamos sair a noite em um lugar desconhecido, dar de cara com o escritório fechado, sair procurando onde o oficial morava, bater na porta dele as 22:00h para pedir a gentileza de dar entrada no país. O cara não regula bem…

Depois de tanto gritar, ele se acalmou e nos passou na frente de todo mundo (lado bom), ainda deu uns esporros (que também não entendemos), e acho que ele só parou porque percebeu que estava gastando saliva a toa. Teve uma hora que quase tive uma crise de riso com a situação….

Tivemos que pagar o equivalente a U$ 50 por termos chegado no domingo + a multa por não termos feitos os papeis imediatamente. Preenchemos muitos formulários que perguntavam a mesma coisa e cada formulário ainda tinha 3 ou 4 vias… 

Depois que fizemos a entrada do barco, fomos a um escritório ao lado fazer a imigração. Logo que entramos, já haviam outros velejadores na sala, quase me deu uma outra crise de riso, a sala estava muito fedorenta! Um mal cheiro danado, do tipo: velejador-suado-com-cê-cê-vencido-que-não-toma-banho-há-muito-tempo.  O funcionário da imigração me olhou e fez uma cara do tipo: também estou sentindo… Segurei para não rir e para aguentar a marofa. Fiquei pensando: quem será o fedorento? Chutei em um cara e estava enganada… Assim que um outro sujeito saiu o péssimo cheiro acabou e o funcionário da imigração me olhou de novo com a cara do tipo: Graças a Deus!

Com a imigração foi outra coisa, o funcionário simpático, fez algumas piadinhas, nos orientou com a maior paciência, muito gentil.

O Faísca não pode ir em terra.  Aliás o pessoal daqui não é  lá muito chegado em animais de estimação não viu… Não vi nem um gato sequer, não ouvimos latidos de cachorros nas casas e os poucos cachorros que vimos na rua são magérrimos, dá dó de ver, a galera aqui não dá comida aos bichinhos de rua não.. Acho que todos morrem de fome, credo!

Enfim, a nossa chegada a Tobago não poderia ter sido mais animada!

Está chovendo muuiiittooo por aqui e a ondulação onde estamos fundeados é imensa, o Guruçá Cat nunca balançou tanto!

Devido as chuvas, a conecção a internet aqui que já não é lá essas coisas ficou pior ainda, por isso este post não têm nenhuma foto.

Como o tempo está muito instável, o pessoal do veleiro Top to Top organizou um buffet em uma cabaninha na praia para  comemorarmos o natal com todos os velejadores juntos. Pagaremos 60 Titis por pessoa (moeda local), o equivalente a R$ 20. Fausto come até pedra, eu literalmente vou pagar para ver, porque não fui muito com a cara e o cheio da comida local… (cara gordurosa e cheio de óleo velho queimado).

Depois eu conto como foi…

Um feliz Natal para todos que nos acompanham, para todos os parentes e amigos!

Mamãe, coma um pedaço de peru assado pensando em mim!!!!

Bjs, 

 

Comentários
2 Comentários

2 Comentários:

Nelson disse...

Parabéns amigos pela velejada e pelo relato cheio de hilariedade. É nessas horas de pouca educação das autoridades estrangeiras e que vemos que o nosso Brasil está muito na frente dos outros. Feliz Natal e um grande abraço, Nelson e Lucia

Anônimo disse...

Feliz Natal, filha.Que bom que vocês fizeram boa viagem. Divirta-se,apreenda conhecimentos pelo mundo para que um dia você coloque-os a serviço dos mais necessitados.Não deixe de rezar e agradecer a Deus , em nome do Senhor Jesus Cristo pelas graças e sonhos alcançados. Feliz Ano Novo. Abraços e beijos para voces!!!!!! Mãe Lila

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