quinta-feira, 30 de maio de 2013

Comentários técnicos: TRINIDAD–GRENADA

Viemos para Trinidad com o intuito de fazer algumas melhorias no Guruçá Cat. Tínhamos vindo de Angra até aqui sem radar (funcionou por um mês e depois não teve cristão nenhum que o fizesse funcionar); sem AIS (o nosso é o Garmin 300, que também se recusou a interagir com o nosso Chartplotter Garmin 4012); com algumas adriças que quando solicitadas, ficavam toda enroscada como rabo de porco e não passavam nos moitões, tive que subir no mastro algumas vezes para desenrosca-las;… e algumas coisinhas à mais.

Pelas informações que tivemos, Trinidad seria definitivamente o lugar ideal para irmos, pois dispunha de revendedores das mais renomadas marcas e de excelentes prestadores de serviços, principalmente na baixa estação. Pegamos nossa “listinha” e fomos à luta, de forma que em quinze dias tudo estaria á bordo. Pois é, depois de 2 meses recebi a informação que o restante de nosso material havia chegado e eu não conseguira trazer nenhum técnico a bordo. Hoje eu teria ido de Natal para San Martin e feito os pedidos nos USA, ai sim  receber-los-íamos em 15 dias.

Depois de tudo instalado, no dia 10/03/13,às 17:40, levantamos ferro com destino à Grenada. Este trecho é de 81 milhas. A previsão rezava que teríamos ventos de leste com 12 nós de velocidade, a corrente de 2 nós também de leste.Isto é,um travesinho tranquilo. Eu iria com o grande no segundo rizo mais as duas genoas. O nosso objetivo seria chegar com luz em Prickly Bay. Sempre tentar chegar com luz.

Saímos de Chaguaramas devagarinho no motor, quando chegamos  em frente à Scotle Bay, entrei no vento, levantamos o grande no segundo rizo e seguimos para a Boca do Dragão onde tínhamos um waipoint. Na nossa rota, incluía esse waypoint e um outro na entrada de Prickly Bay. Na saída  da Boca do Dragão, não tinha vento, então seguimos no motor e com o grande por mais quinze minutos e ai o vento entrou, mas de Nordeste e com 12 nós, portanto uma orça em torno de 45 graus. Desenrolei a G#2, desliguei os motores e o Guruçá Cat fazia, no rumo, 6,7 nós, legal. O único inconveniente é que a ondulação vinha de NNE e com 2m, e ai, eventualmente o Guruçá Cat dava uma batidona, mas para quem já bateu de Angra-Natal via Fernando de Noronha, tudo bem, mas que doía, doía.

Algumas milhas antes da chegada, o mar alisou, a velocidade do vento caiu para 10 nós e  mudou a direção mais para a nossa proa e o Guruçá não andava, estava à 3 nós e perdendo velocidade e o vento continuou a rondar mais para proa. Alguma coisa esta errada, o vento não muda tanto assim em tão pouco tempo. Liguei os motores e fui até 1800rpm e ai tudo voltou ao normal,o Guruçá andando a 6 nós e o vento à 45 graus por BE. Mas ainda alguma coisa estava errada, era para estarmos andando à pelo menos a 8 nós. Olhando para carta eletrônica reparei que a profundidade perto de Grenada, saia  de 150m, para 500, 600, 700m e depois para 30 m, formando assim um leito como se fora um rio. O Guruçá navegava no piloto automático no modo Track. Quando entramos nesse “leito”, a corrente aumentou , nós derivamos e o piloto corrigiu, fazendo com que entrássemos no vento. Se não tivéssemos ligado os motores, o ciclo se repetiria até as velas panejarem.

Entramos em Prickly Bay junto com o sol, jogamos ferro em frente à Marina Prickly Bay e fomos dormir.

Fausto

Comentários
1 Comentários

1 Comentário:

Anônimo disse...

Muito bons seus comentários Fausto.
Fico imaginando a situação e tentando aprender com seus relatos.
Não deixe de escrever.
Ricardo

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