domingo, 30 de março de 2014

Porto Lindo-Porto Belo: Ancoragem dos barcos abandonados.

Começei escrevendo esse post de Porto Lindo, à 43 milhas de San Blás-Panamá. Ficamos impressionados com a quantidade de veleiros abandonados por lá. São barcos de vários tamanhos e nacionalidades, construídos com diversas matérias primas (madeira, alumínio, aço, fibra). Passamos por Porto Belo e agora aqui na cidade do Panamá, também vimos muitos barcos abandonados.

As histórias são muitas. Um exemplo é esse catamarã da foto abaixo que estava em uma poita ao nosso lado. Nos disseram que o dono foi preso aqui no Panamá, e não tiveram mais notícias do velejador.

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Esse outro catamarã, foi comprado por um casal que está reformando a parte interna por lá e que devem retirar o barco da água para fazerem o restante depois.

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Sabemos de três barcos recém comprados sendo reformados. O ruim é que na época chovia muito e era muito úmido também. Mas com barco recém comprado o pessoal está com todo gás e nem liga para esses detalhes.

IMG_6206Esse foi comprado por um Colombiano que também está na luta, trabalhando a bordo.

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Têm veleiro escondido no meio do mangue, abandonado há vários anos.

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Outros estão sendo cuidados por nativos, mas quando fomos nos informar, “sentaram o pau” reclamando que os velejadores se foram há anos e a maioria não paga pelos serviços. E mesmo assim, eles continuam cuidando e não roubam nada dos barcos. Aliás, têm veleiro muito velho, com churrasqueira, com gerador, radar, com dingue a vista que ninguém mexeu.

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Fizemos amizade com um brasileiro que já mora aqui na cidade do Panamá há dois anos e ele nos disse que são muitos os motivos que levam uma pessoa a abandonar o veleiro. Ele conhecia pelo menos uns três casos de tripulação traumatizada. Como o caso de um velejador americano que saiu com sua família para o Equador, pegou uma tempestade, um dos estais partiu e o cara chegou em estado de choque na cidade do Panamá, foi embora e nunca mais retornou. O veleiro estava “zero bala” e equipadíssimo.

Existem casos de velejadores solitários que morreram a bordo e a família não veio buscar o veleiro ou de velejadores solitários que foram visitar a família, morreram e a família provavelmente não sabe onde o veleiro está.

Diferente de Porto Lindo e Porto Belo, que os nativos não mexem em nada dos veleiros abandonados, aqui na cidade do Panamá,  depenam tudo. Todos os veleiros abandonados aqui não têm nada a vista. Já vimos veleiros abandonados até sem gaiutas! (as janelas de um veleiro).

Esse catamarã azulzinho estava abandonado em uma ilha perto daqui da cidade do Panamá. Havia ido parar em pedras e se quebrou bastante. O dono simplesmente largou o barco na praia e foi embora. Um tempo depois um francês correu atrás, localizou o dono que deu o barco para ele. O fundo foi todo recuperado e agora o cara está reformando a parte interna.

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IMG_6813Um Beneteau antigo

Quando saímos do Brasil, vários amigos nos pediram para ficar de OLHO nos preços de barcos aqui fora. Não é lenda de que no Caribe encontra-se veleiros monocascos com bons preços e em bom estado de conservação.

Entre os catamarãs a coisa muda de figura. Conversamos com um famoso vendedor de barcos em Grenada que nos disse ter uma lista de espera para catamarãs. Muita gente está optando por morar a bordo e os cats são os mais procurados. O cat mais barato que vimos foi um de 38’ com mais de 12 anos de uso por charter pelo Caribe, sem equipamentos, os dois motores teriam que ser trocados, enfim daria um trabalhinho para estar no “jeito”, por US$ 200 mil.

Em Trinidad um colega comprou um veleiro de 45’ em ótimo estado de conservação por US$ 30 mil. O antigo dono era um americano que tinha seu dinheiro aplicado em imóveis nos EUA. Quando veio a crise por lá, o cara foi embora para os EUA e nunca mais voltou. Na verdade os US$ 30 mil foram para pagar a dívida na marina.

Nessa mesma marina, estavam dando, isso mesmo, dando veleiros. A marina foi comprada por uma empresa e ela teria que “se livrar” de vários veleiros abandonados na mesma condição citada acima. Tinha veleiro de ferro e cimento que seria destruído, porque ninguém queria.

Passeando pelas marinas em Trinidad encontra-se muitos barcos a venda com bons preços.

Infelizmente no Brasil não é permitido a importação de veleiros usados, somente de novos e pagando altíssimos impostos, mas para quem quer viajar pelo mundo, seria uma boa ideia comprar um barco usado por aqui.

Entre os barcos abandonados, teria que ser um bom  detetive para encontrar os donos, tarefa que não parece ser impossível. Para encontrar o dono do nosso  catamarã  vizinho seria só procurar pelas prisões de estrangeiros aqui no Panamá!Smiley sarcástico 

Essas fotos eu tirei de barcos que estavam perto da gente, deu preguiça de ir mais longe. No meio dessa galera, têm vários outros:

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Antes que me perguntem, não tenho mais informações sobre os barcos, não sou broker (quem sabe um dia), então não adianta perguntar, porque tudo que sei, já escrevi.

Estou dizendo isso porque no post do Monocasco diferente, choveu perguntas de qual era o estaleiro, qual era o preço do barco, enfim, a galera ficou louca com o barco e me deixou louca também!

Recebemos e-mails de muitas  pessoas que estão na dúvida em qual barco comprar e pedem a nossa opinião. Gente, de longe e sem ver o barco, fica complicado né?!

Se quiserem barco barato, não têm jeito, têm que “investir” viajando procurando de marina em marina. A maioria dos barcos baratos não estão em anúncios pela internet.  E além de bater perna, têm que rezar para ter a sorte do nosso colega. De estar no lugar certo na hora certa! Smiley piscando

E ai, gostaram?

PS: Esse post é programado. Nesse momento já estamos em Galápagos.

Comentários
1 Comentários

1 Comentário:

nelson magalhaes disse...

olá sou muito fã de vocês. já vi todos seus vídeos. seu blog é muito legal. estamos nos preparando para morar num veleiro. velejem com Deus.

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