domingo, 21 de dezembro de 2014

Fausto meu marido cabrito

Sério que comentei isso com ele outro dia. Fausto deve ter sido um cabrito em uma vida passada! O cara não pode ver um morro, uma montanha que diz: vou subir até onde der!

Na ilha Isabela em Galápagos ele ficou animado com a possibilidade de subir um vulcão, mas se frustrou porque não era uma subida subiiiidaaaa, eram 16 km de caminhada no plano, o que não deixou de ser difícil porque estava chovendo e fizemos a caminhada no meio da lama, não teve uma pessoa que não escorregou.

Eu divido os seres humanos do grupo dos fortes e grupo dos fracos. Fausto têm 28 anos a mais do que eu, mas fisicamente, eu pareço uma velhinha de 90 anos! Quer dizer, mais, porque a mãe do Fausto têm 92 anos e sem dúvida é mais forte do que eu! Fausto faz parte do grupo de pessoas que têm uma musculatura forte,( toda família dele é assim) que precisam gastar energia. Acordam cedo, têm uma disposição de fazer inveja. Aquele tipo de pessoa que depois de correr 5 horas em uma maratona, posta fotos no facebook “mordendo” uma medalha. “ Organismos atléticos”. Tá cheio de pessoas assim no facebook e eu morro de inveja de todos eles. Eu Guta faço parte do grupo dos fracos, até acordo cedo, não sou preguiçosa, mas não tenho essa disposição muscular (só pode ser isso) que o Fausto têm! Um exemplo: Fausto deu a volta a ilha de Bora Bora, são 32km num sol de rachar o coco. Se chamassem para ele dar a volta na ilha novamente no outro dia, e no outro dia, ele iria. Ele era atleta quando mais jovem. Jogava futebol, descia rios de caiaque, surfava de caiaque. Hoje, caminhar 30, 40 km para ele é tranquilo, e ainda por cima, volta da caminhada “renovado” como se não tivesse feito esforço algum. Eu simplesmente não consigo acompanhar! Fico cheia de calos, quebradassa!

Voltando ao meu marido cabrito, aqui em Maupiti a última ilha das ilhas sociedade que visitamos, ele olhou o morro e… Como eu fugi da aventura de Bora Bora (ele subiu o morro de lá com o nosso amigo Cristiano), dessa vez animei-me (mentira) de ir junto. Eu tinha que ir né. Vi as fotos que ele fez de Bora Bora e fiquei doida com tanta beleza, eu tinha que arranjar coragem (essa é a palavra correta) para ir junto com ele. E fui.

Começamos a subir a trilha. Se eu fosse fazer um guia de Maupiti colocaria que a trilha é altamente difícil (mas sou suspeita), subida, subida, subida. Sabe aquele tipo de trilha que você sobe sobe sobe e não chega nunca?! Era essa! Caramba gente, muitas vezes eram escaladas, tinha cordinha para ajudar a escalar e tudo.

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Uns anos atrás fomos fazer uma caminhada na Serra da Bocaina(São Paulo), por uma das trocentas trilhas do ouro que existem por lá, uma caminhada light, de acordo com Fausto, tudo plano. Bem, era plano, mas caminhávamos de 6 da manhã até as 5 da tarde, a distância entre uma pousada e outra. Foram quatro dias de caminhada. No último dia foi só descida em escadas feitas por escravos para que o ouro passasse vindo de Minas Gerais e embarcassem em naus em Angra dos Reis. O dia inteiro descendo as benditas das escadas. Chegamos no bairro Perequê em Angra dos Reis. Depois daquela caminhada, meus joelhos nunca mais foram os mesmos. Alguns parafusos afrouxaram, agora eles estalam.

Então chegou uma hora que na subida meus joelhos começaram a estalar, ploc, pluf, ploc, pluf. Fausto têm muita paciência  porque me esperava descansar a cada 10 metros que subíamos. Meu coração parecia que iria explodir, sim, é vergonhoso!

Dai chegamos no mirante, o lugar onde “os fracos” ou os normais vão normalmente. Tudo tão lindo, as fotos saíram lindas, por mim já bastava. Vi o restinho de uma bandeirinha lá na PQP no alto do morro e deduzi, caramba, falta muito, tô ferrada! -Chegamos Fausto?! -Não, nem na metade do caminho ainda. Tudo que eu já sabia e não queria ouvir! Continuamos. Outro detalhe, Fausto é do tipo que sobre um morro falando. Fala, fala, fala. Chega a fatídica hora que me fez uma pergunta. Eu quase tenho um treco, só consigo responder hãrã, ou sim ou não. Ele insiste! -O que você acha de tal coisa?! Caramba Fausto! Tenho que tirar, não seu de onde, um fiozinho de energia para respondê-lo.

Fausto é homem, e como quase todos, só consegue fazer uma coisa ao mesmo tempo. Se concentra e fica quietinho, fazendo a tal coisa, mas subir um morro com quase 90 graus falando ele consegue!

IMG_9042Vista do mirante

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IMG_9055A bandeirinha, ou o que restou dela com o zoom da câmera

IMG_9056A distância que estávamos da bandeira.

Tive uma ótima professora de educação física, a tia Luciana. Ela ensinou-me  que em uma caminhada ou corrida devemos respirar pelo nariz. Acho que todo mundo sabe disso e o porquê, mas chega uma hora que parece que minhas narinas não são suficientes.  Só tendo o nariz do Carlinhos Brow para conseguir fazer uma subida com alto controle de não respirar fundo pela boca. Eu respirava pelo nariz, fundo, mas tinha hora que recaía e respirava pela boca, mesmo sabendo que não era tão eficiente quanto respirar pelo nariz.. Por que fazemos isso né? Continuamos fazendo errado mesmo sabendo estarmos errados…

Nessa de respirar pela bocarra feito um aspirador de pó, um mosquitinho deu bobeira e pluft, engoli um mosquito! Nunca engulam um mosquito! Claro que é uma coisa do tipo involuntária, mas tentem nunca passar pela experiência. Dai, toda hora que eu tinha vontade de respirar pela boca, lembrava-me do mosquito e do gosto amargo que que deixou na minha garganta, mosquitos são amargos tá gente…

Conseguimos chegar, quer dizer, consegui chegar no topo da montanha e morri, na verdade, estou escrevendo esse post do além (dramática). Morri de alegria de ter conseguido chegar e morri de ver tanta beleza! Vejam as fotos e escolham os adjetivos!

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O aeroporto da ilha. quando o avião pousa, olhando lá de baixo, parece que o avião está pousando na água.

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Fausto foi ainda mais longe, e depois me levou junto.

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Tentei fazer pose de “modela” deitada, mas com aquelas pedras vulcânicas  quentes não foi possível. Vocês foram poupados! Alegre

Quando Fausto estava fazendo uma “boquinha” acabando com laranjas que ainda tínhamos a bordo desde as Marquesas, apareceu um francês que estava em lua de mel. Cadê a sua esposa perguntei? -Ela ficou no mirante, não veio até aqui em cima porque têm medo de altura. Hãrã, me engana que eu gosto!

O cara se disponibilizou para tirar fotos de nós (chegou tarde porque já havíamos esgotado o cartão de memória) e não queria que tirássemos fotos dele lá de cima. Vê se podia uma coisa dessas? Praticamente tomei a câmera da mão dele e tirei várias fotos. Tenho certeza que depois ele iria me agradecer!

O meu marido e seu amigo Cristiano subiram o morro de Bora Bora e ninguém tirou fotos dos dois lá de cima. Esqueceram desse pequeno detalhe.

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Depois de tanta beleza e um milhão de fotos. -Ai meu véio sarado, vamos descer?!

Para baixo todo santo ajuda, diz o ditado. Na descida dei um apelido a trilha. Como sou uma brasileira da roça, inglesei a coisa para meu texto ficar mais chique: caminho “Rolling Stones”.  A gente pisava em uma pedrinha dava uma mexidinha jurava que era segura, dai a filha da mãe rolava, uma perna ia para um lado, a outra perna para o outro e eu esparcava sem querer. Cai uma, duas, três vezes, depois da terceira parei de contar. Pernas raladas (mais uma cicatrizes para minha coleção), short rasgado, aff.! Quando não era uma pedra que rolava era um pedaço de pau que quando apoiávamos quebrava. Raízes, muitas raízes que as vezes ajudavam na descida como se fossem uma escadinha e as vezes atrapalhavam, quando eu quase não conseguia mais levantar as pernas para dar um passo, elas me faziam tropeçar.

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Acabamos a trilha e fomos direto a um restaurante. A garçonete não muito simpática nos disse: Escolham logo porque o restaurante fecha as 13:30h. Eram exatamente 13:26h. A cozinha era do tipo americana e a cozinheira me olhou com uma cara de que nos mataria se fizéssemos algum pedido. -Já morri por hoje fia! Fica ai com seu mal humor que eu vou cozinhar no barco mesmo. Ferrada, ferrada e meia.

Fiz uma comidinha básica que estamos comendo bastante ultimamente. Salada, arroz e frango grelhado. Yes mami, falta o feijão que vai voltar a mesa. Estávamos com um casal de tripulantes a bordo e praticamente ficávamos o dia inteiro fora do barco. Só jantávamos a bordo, geralmente uma pasta ou um lanche. Pelo Fausto, ele comeria feijão todos os dias no almoço e jantar. Agora sozinhos, voltaremos ao “normal”.

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Quando chegamos no barco eu só conseguia pensar: Amanhã não vou conseguir nem andar! Correto! Estou quietinha aqui no barco escrevendo. Meio que dopada de relaxantes musculares que só fizeram efeito no meu cérebro para eu ter escrito tanta besteira junta, porque no restante do meu corpo, juro, não funcionou.

Perguntei: Qual a altura do diacho desse morro Fausto? Uns 400m. É pouquinho Guta, o de Bora Bora tinha 727m. Quando ouvi isso, pensei que já poderia estar morta desde Bora Bora.

Estou escrevendo, e o Fausto, sabem onde foi?  Foi em terra ver se é possível dar a volta na ilha de Maupiti.

Abraços da fracotinha reclamoma,Guta.Smiley piscando

PS: Post escrito durante a estadia na ilha de Maupiti. Infelizmente pela dificuldade de conecção à internet, vocês só estão lendo agora, muito tempo depois.

Comentários
1 Comentários

1 Comentário:

Flávia Mahara Bull disse...

Uma vez eu andei da UFES até Valparaíso de chinelo...uma vez pra nunca mais. Se reto eu quase morri imagina subindo...RS. Mas valeu a pena Guta, as fotos estão lindas! Curti junto com você durante o texto e lembrei da prof Luciana.

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