domingo, 4 de janeiro de 2015

Porque não dar a César o que é de César?

Quando estivemos em Kavieng na Papua(post mais adiante)recebemos uma família de Americanos de um barco vizinho (Laggom 50’) a bordo. O James e a família adoraram o Guruçá Cat e nos presentearam com elogios sobre o projeto em seu blog SOPHIE CAT . Observações que só um velejador cruzerista faz. O post está em Inglês mas se eu consegui ler, vcs também conseguem. Caso seu inglês seja pior do que o meu, use o Google translations, fica dica!Smiley piscando 

Guruca: A Very Cool Cat

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We’ve been out cruising for 2 years now, and we have seen many interesting boats, but we haven’t seen many that are cooler than the Brazilian cat Guruca. Guruca is Portuguese for “little crab”, and she was hand-built out of wood in a little over 3 years by Fausto and Guta, a couple that has sailed her from Brazil. Fausto also designed her. She’s 54 feet long, weighs 12 tons, and has some design features that I could see on our next cat if we ever decide to upgrade Sophie.

As you can see from the photo above, she has a roof that extends from the dinghy davits forward to the mast, creating a living space that is over 25 feet long.

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Since the boat is made from wood, it results in a warm interior that Fausto and Guta have left relatively uncluttered. Here is a shot of Jenna and Guta in the galley. We have always liked the idea of aft-facing galleys on cats, because it can create a connection between the inside and outside living areas. The island behind Jenna contains a deep fridge and freezer.

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There is a table and benches in the forward part of the salon, including a duplicate set of instruments for when you are doing watches inside. There is a lot of room under the benches for food storage. And yes, Leo got a haircut.

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The main part of the salon is open, creating a space that is large enough to host 20 people for an indoor dance party. All that is missing here is a disco ball. For Fausto, that is not a problem, because in his view when you build in wood, you can change anything whenever you want to. And yes, my outfit matches my Brazilian coffee cup.

A big challenge for the designers of large cats is the decision about where to put the wheel. Lagoon chose the approach of building a flybridge and putting the wheel up top. This creates a great and social sailing area but separates the helm from the salon and the aft cockpit. Chris White and the Gunboat designers put it in a small cockpit directly behind the mast. Catana puts a wheel out on each transom, which I assume gives you a great view but can also get you wet. Other designers put a bench on the front of the salon where the hemsman sits and drives.

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Fausto solves this problem by putting the wheel on a platform in the center of the aft cockpit, with a sliding hatch that gives the helmsman access to all of the sail controls. When I first saw this, I didn’t think it would work. But the more I think about it, the more I like it, especially for distance cruising.

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You have an excellent view of the sails.

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And easy access to the sail controls.

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Once you’ve made your sail adjustment, you just close the hatch and continue with your day. The roof must be close to 600 square feet, and Fausto built rain gutters around its edge to fill his 1,200 liters of water storage. He doesn’t need a watermker or a genset. The helm platform also contains the clothes washing machine, which is a setup that would be perfect for me.

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Here is a photo of me and Fausto enjoying his aft cockpit. They spend most of their time here.

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Fausto and Guta invited the crews of Sophie and Per Ardua over for coffee and cake yesterday afternoon, and the kids spent all of their time playing in the aft cockpit as well.

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It was clear that they were both very proud of their beautiful boat. Fausto spent an hour showing us his rigging, hulls, mast, engine rooms, and various pieces of joinery. At one point he even broke out his line drawings of the boat and walked us through his equations for various stress loads and righting angles. It was a wonderful experience.

One final observation. We have written a bit about the potential crime issues in the Solomons and PNG, and we are feeling very safe in Kavieng right now. But Guruca has just about the best crime deterrent we’ve seen on any cruising boat: a Size 1, 2 kilo alpha male Miniature Pinscher named Faisca. No one is going to mess with this guy.

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I guess we are not the only lucky ones out here right now. Fausto and Guta plan to sell Guruca when they return to Brazil next year so they can build a new boat. She would make an excellent day charter boat for an exotic location somewhere, like, say, Montenegro.

http://www.gurucacat.com.br

Somente aos 35 anos Fausto viu pela primeira vez um veleiro de perto e naquele momento decidiu mudar de vida. Acho que todos já sabem que ele construiu seu primeiro barco, um monocasco Cabo Horn 35’, projeto do Cabinho na Fazenda Camping - Barra do Jucu no Espírito Santo. Com esse barco o Guruçá, foi para o Caribe, passou por ventos de cinco furações. Quase morreu, quase perdeu o barco. O que seria suficiente para muitos desistirem da vida náutica com Fausto foi o contrário. Retornou ao Brasil, e decidiu contruir um catamarã, mas os projetistas de catamarãns disponíveis na época cobravam entre US$ 40.000 e US$ 60.000 por um projeto exclusivo. Fausto cursou engenharia elétrica, pegou informações com o projetista Pieter Spronc enquanto esteve em San Martin, comprou livros, estudou e decidiu projetar e construir seu próprio barco. Depois dessa decisão, louco foi o adjetivo mais carinhoso que ele recebeu. O Cat Guruçá  de 62’, ideal para charter e viver a bordo ficou pronto depois de 5 anos e meio. Partimos para a construção do seu segundo projeto, o Guruçá Cat de 54’ que seria o ideal para fazer charter e uma volta ao mundo. Uma coisa que Fausto aprendeu é que somente viajando, colocando o barco em “prova”, somente vivendo a bordo se pode saber o que é ideal em um barco. Muitos projetistas de escritório não sabem o que é pegar um mar brabo, não sabem onde, e o que em um barco têm que ser reforçados. No Guruçá Cat compramos o projeto de um mastro asa do projetista Kurt Hugles mas tivemos sérios problemas. Fizemos um novo mastro em Recife em um mês, e está aqui funcionando perfeitamente.

Infelizmente no Brasil, as pessoas não são valorizadas pelo o que fazem. Pelo contrário. Quando estávamos no começo da construção do Guruçá Cat em Monsuaba- Angra dos Reis, eu participava de uma comunidade chamada Construção Amadora no Orkut, e a cada foto que eu postava, a maioria dos comentários eram críticas. Os críticos, sem a mínima noção e também outros com conhecimento, sentiam prazer em questionar a capacidade do Fausto como projetista. Percebi que essa e outras comunidades, que deveriam ser um para estímulo a construção, na verdade era um local onde quem estava construindo seria julgado.  Bem, hoje estamos em uma volta ao mundo e aquela galerinha provavelmente continua a falar mal de alguém. Como o Orkut faliu, devem estar no Face, quem sabe?!

Pense se você conhece alguém que tenha tido coragem de largar absolutamente tudo e colocado todo seu dinheiro, conhecimento e suor em um projeto como esse? Fausto pode ser chamado de louco mas não é burro.

O que quero dizer é que brasileiro não se valoriza. O que é de fora sempre valeu mais, mesmo não sendo bom, mesmo sendo uma porcaria na verdade. No Maranhão estão fazendo muitos catamarans de projetistas brasileiros e de madeira, um material mais desvalorizado ainda por pura e simples ignorância. Projetista brasileiro + madeira = barco ruim. É assim que muitos brasileiros pensam. Aqui fora, os europeus e Americanos dão um valor danado para barcos em madeira, para quem fez seu próprio barco, para projetos exclusivos. Aqui nós somos valorizados. Não que quiséssemos reconhecimento no Brasil, mas teria sido bom se tivéssemos tido mais apoio do que críticas.

Construimos nosso barco, o pintamos de amarelo com estrelinhas, simbolizando o Brasil e adivinhem?! O barco era “meio gay” de acordo com os “especialistas”. Fomos em frente. Conseguimos sair do Brasil para a realização do nosso sonho. Nunca poderíamos imaginar que faríamos tanto sucesso, nós não, que o barco faria tanto sucesso. Em TODOS os portos recebemos elogios de outros velejadores e de nativos. Já perdemos a conta de tanta gente que quis visitar o nosso barco. Sempre somos os primeiros a ser fiscalizados. Em Galápagos, o capitão dos portos veio a bordo somente do nosso barco. No final da visita ele confessou que sabia que estávamos com toda documentação correta, ele só queria conhecer o barco… O Guruçá Cat chama atenção por ser amarelo? Pelas estrelinhas? Ou porque é bonito mesmo?

Desde o Cat Guruçá, com o projeto pronto em 1996, Fausto contruiu o teto do cock pit todo madeira. Os cats da época tinham o cock pit aberto.  Esse teto rígido nos permite ter painéis solares (temos nove), um varal de roupas interno, ficarmos protegidos do sol e coletamos água da chuva. Um tempo atrás, recebemos um e-mail interessante, o cara falou mais ou menos assim: Gostei do seu projeto, só não achei legal você ter copiado o teto rígido do cock pit que os Lagoons usam. A vontade foi de mandar o cara para aquele lugar, mas não, expliquei direitinho que os laggons começaram a fazer esse teto a pouco tempo. Não sabemos se Fausto foi o primeiro a fazê-lo, apesar de eu não ter encontrado nenhuma foto de um catamarã com o teto rígido antes de 1996 mas definitivamente ele não copiou de ninguém. O teto, claro, também foi criticado. Tudo que é diferente é errado e não vai dar certo. As pessoas criticam sem nem pensar direitinho. Fausto sempre foi alheio a tudo isso. Sempre fez o que quis, do jeito que sempre quis. Morrerá assim.

Quem leu o post do James (todo o blog é ótimo), viu que ele comenta que pretendemos colocar o barco a venda depois de terminarmos a viagem e pretendemos construir, um novo projeto um novo catamarã. 

Fausto têm 61 anos e não pensa em parar. Sem a “meta da viagem” ele construiria o barco na mais santa paz e tranquilidade. Depois que voltarmos faríamos o que?! Ele já têm um novo projeto,  quer construí-lo. O que eu Guta posso fazer a não ser apoiá-lo? É o que ele ama fazer. Não participarei da construção em sí, mas trabalharei com os fornecedores (quem já passou por isso sabe que é um trabalho árduo). 

Recebemos muitos e-mails de pessoas e famílias que pretendem entrar para vida náutica. Não é fácil mas penso que Fausto é um bom exemplo de que tudo é possível quando realmente desejamos alguma coisa.

E viva os projetistas e construtores brasileiros! Smiley piscando

 

Comentários
1 Comentários

1 Comentário:

michelle.andrade18@gmail.com disse...

Incrível e totalmente incentivador esse post.

Sou uma leiga no assunto embarcações. Me descobri apaixonada pela vida à bordo à pouquíssimo tempo e tenho encontrado muitas coisas legais aqui com vocês.
Uma pena essa mania que nós brasileiros temos de não valorizar o que é nosso e de fazer vista grossa às nossas ideias. Bem, enfim, a prova de que o projeto do Fausto deu super certo é vocês estarem aí rodando o mundo com catamarã de vocês. Parabéns.

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