domingo, 18 de janeiro de 2015

Uma visita a um barco de pesca profissional

Navios e barco de pesca são o terror de qualquer velejador. Sempre que vemos um, tentamos passar o mais longe possível. A vida de um pescador na minha opinião é uma vida duríssima. Desde os barcos de pesca amadores que cansamos de ver chaqualhando em alto mar (só de lembrar já fico enjoada), e também os profissionais, que trabalham por até três meses todos os dias e dependendo da pescaria, todas as noites também.

Em Samoa Americana Fausto conheceu o  senhor José Finette, um português dono de um barco de pesca profissional que estava passando por uma reforma geral. Fomos convidados para almoçarmos com ele a bordo, e aproveitei para fazer umas perguntinhas.Anjo 

Para começar, a história de vida dele era interessante, o tipo de pessoa que venceu na vida ralando, e muito.

O José nasceu em uma pequena vila no interior de Portugal onde segundo ele, o governo da época só oferecia estudo até a 4 série primária. Depois disso, o que restava era trabalhar na lavoura, ajudando na subsistência da família. Com 12 anos ele foi  para os EUA, e lá voltou a estudar. Como estava atrasado nos estudos para sua idade, teve que estudar em um tipo de supletivo para imigrantes que como ele não sabiam nem dizer olá em inglês. Ele nos contava a história achando graça, como se tivesse voltado no tempo e se sentado novamente na cadeira escolar. Disse que os adultos apesar de não falarem inglês, conheciam a história Americana mas ele com 12 anos, não sabia de nada e só tirava notas baixas porém quando se tratava de matemática, os números não precisavam de tradução e ele, era ótimo em matemática. Aos trancos e barrancos, estudando e trabalhando ele completou o equivalente ao segundo grau e logo depois conheceu  o capitão de um barco de pesca que trabalhava em Samoa Americana.  Assim começou  sua vida de pescador por vários anos até chegar a  ser capitão e dono de um barco de pesca. Hoje em dia ele mora em San Diego na Califórnia- EUA, têm três filhos com estudo universitário (ele se orgulhava em dizer) e só vêm a Samoa Americana para fiscalizar o barco.

20140831_125701O projeto do barco

O cozinheiro era muito bom e a comida era servida  como restaurantes self service no Brasil. Bem variada, principalmente nas saladas. Até sorvete de sobremesa tinha.

20140831_120900A cozinha

20140831_125614

Nessa mega reforma estavam trocando os geradores. Três mecânicos Neo Zelandeses estavam fazendo a manutenção dos motores. O tanques estavam sendo repintados. Como usam muito sal para conservar os peixes, os tanques que são de aço como o barco enferrujam rapidamente.

20140831_132938Tanque de armazenamento dos peixes pecados, antes da reforma.

20140831_132231Tanque quase novo.

20140831_132240

20140831_133239Os geradorezinhos

20140831_133159O geradorzão

20140831_133058Manutenção nos motores

20140831_130025Sala de comando

20140831_130621

20140831_131938Controles para comandar o guincho que puxa as redes de pesca.

20140831_131948O guincho

20140825_152735

20140831_131548Um helicóptero, todos os barcos de pesca têm um.

20140831_131418

20140831_134416O senhor José e Fausto.

O José nos mostrou uma nota fiscal em que havia gastado US$ 60.000 somente em cabos para as redes de pesca. Têm que pescar muito não?!

Tudo que pescam é vendido para fábrica de atum de Samoa Americana. Pelo que entendi, ele e outros barcos (são todos muito parecidos) têm um contrato de exclusividade com a fábrica.

Todos os funcionários têm que ter uma boa alimentação e distrações como filmes e jogos em suas horas de descanso, se não, ninguém aguenta a vida no mar. A maioria dos funcionários são Filipinos, segundo o José, são trabalhadores e calmos.

Durante o tour dentro do barco deu para perceber que o José conhece funcionário por funcionário. Passando por um deles, o José perguntou ao rapaz se ele havia ido ao dentista para tratar de uma dor de dente. O funcionário respondeu que sim, e agradeceu ao patrão. “Fico sabendo de tudo durante as partidas de pôquer'” disse ele.

Alguns dados do barco:

Barco  Jeanette (nome da esposa dele), fabricado no ano de 1975.

Capacidade de 1.500 toneladas de peixe

Consome 4.000 galões de diesel em 24h

Leva 100 toneladas de sal para cada pescaria

22 funcionários

Cada compartimento (iguais aos da foto acima que estavam sendo reformados)armazenam 100 toneladas de peixe

3 geradores de 600 kva

A fábrica enlata 500 toneladas de peixe por dia.

O José nos deu uma boa notícia: De que nós velejadores não precisamos nos preocupar quando avistarmos um barco de pesca profissional. Eles têm sempre alguém de vigia no caralho 24hs por dia, para avistar cardumes, vigiar a rede etc. Não sei se acredito!Smiley piscando

Caralho. Sim, eles têm um e bem alto no barco. Não sabe o que é caralho? Então assista o vídeo, que eu explico!

o que significa caralho.

Aqui eu posso dizer caralho, caralho, caralho, sem a minha mãe brigar comigo! hahahaha Smiley piscando

 

Comentários
1 Comentários

1 Comentário:

Anônimo disse...

Guta, seu video é do caralho ! Muito bom mesmo. Bjs

Postar um comentário

Estamos viajando e não temos uma conecção a internet fixa a bordo.
Por esse motivo, certamente seu comentário demorará a ser postado, poderá não ser respondido, mas será lido.
Se ainda assim, quiser comentar fique a vontade!