domingo, 19 de abril de 2015

Vulcão na Papua Nova Guiné

Continuando os posts programados… Das Salomões fomos para a Papua Nova Guiné.

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Para ir de Gizo nas Salomões até até Kavieng na Papua Nova Guiné, tínhamos duas opções: Navegar pelo lado leste ou pelo lado oeste da ilha de New Ireland. Em ambos os lados não teríamos vento, só usaríamos os motores (foi o que aconteceu) mas pelo lado oeste, ou “por dentro” havia uma cidade chamada Rabaul, considerada uma das belas ancoragens do mundo, segundo um guia europeu.  Como aprendemos que o padrão de beleza europeu é suspeito, resolvemos pesquisar um pouco mais. Acabamos desistindo de “pagar para ver” pelo simples fato de que havia um vulcão ativo. Depois dessa erupção, várias vilas tiveram que ser evacuadas, e com isso a criminalidade que já era alta, aumentou mais ainda. Muita pirataria rolando por lá. Decidimos navegar pelo lado “de fora” dessa confusão toda. Daí vocês pensam: Fala sério Guta que vocês não foram conhecer de perto um vulcão em erupção? Muito irado e vocês perderam? Como assim?!

Depois da pesquisa, conheci o Flickr do CRISANDLEAH, um velejador que estava fundeado em Rabaul exatamente na hora da erupção do vulcão. O cara que é fotógrafo profissional, ganhou um presentão e tirou essas fotos incríveis:

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Espetacular não?! Mas essas outras duas fotos me deixaram de cabelo em pé:

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Deus que me livre, essa sujeira no barco, nem nem.  Se vocês quiserem ter uma experiência parecida no Brasil, é só fundearem em frente ao iate clube de Vitória no ES. Seu barco ficará preto, cheio de sujeira que é jogada no ar vindo das siderúrgicas capixabas. Só que as siderúrgicas garantem  usarem filtros (com análises e mais análises dos órgãos competentes)e que não poluem o ar da cidade, o que nos resta a crer que deve ter um vulcão ativo na capital capixaba ainda não descoberto Smiley sarcástico. Como eu já conhecia a terrível sensação de impotência com relação a sujeira, só lamentei não ter fotos tão belas como essas com o meu focinho na frente e o vulcão atrás de mim. 

Um tempo depois, já em Jayapura na Indonésia, conhecemos o Robin, um velejador solitário Canadense, que conhecia o Cris. Já não bastasse o cara ter essas fotos iradas, ele tinha uma história mais irada ainda que o Robin me contou: As fotos do Cris que é americano, rodaram o mundo. Depois da Papua Nova Guiné ele passou por várias ilhas na Indonésia e chegou em Bali. Lá, ele alugou uma moto pequena (lambreta) e foi passear. Acabou sofrendo um acidente que o deixou em coma. Foi levado para um hospital e só encontraram uma foto no bolso dele (estranho ele só ter uma foto no bolso, mas enfim), essa foto abaixo:

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Não tinha passaporte. Então o cara ficou largado em um hospital público em Bali em coma.  Falando assim, parece até absurdo as autoridades não procurarem o cara, mas pelo que conhecemos dos Indonésios (estou escrevendo esse post de Ambon, depois de quase dois meses pela Indonésia), posso dizer que o povo daqui é muito devagar. A primeira coisa que eu faria, seria procurar a Capitania dos Portos ou nas marinas, com toda certeza alguém o reconheceria, mas se bobear, eles nem atinaram para o fato do cara estar dentro de um barco. Uma enfermeira, com dó do cara (menos mal), foi pelo caminho mais difícil, e colocou a foto na internet contando o caso do rapaz  sem nome. Uma semana depois, o Cris foi reconhecido por alguém nos EUA e a família contatada. Quatro dias depois da família ter chegado em Bali, o Cris acordou, depois de três semanas dormindo. Agora ele já retornou para o barco e seguiu viagem. Já estava em Singapura da última vez que vi fotos. Vale a pena passear  pelo Flickr dele AQUI e ficar impressionado com fotos tão belas (eu fiquei).

Acabamos seguindo pelo lado leste de New Ireland, sem paradas, somente nos motores, sem vento mas com uma corrente contra tenebrosa ( 4 e até 5 nós de corrente contra). Chegamos em Kavieng na Papua Nova Guiné (PNG), depois de uma viagem tranquila e sem quebrar nada (muitíssimo importante).

Lábios vermelhosLábios vermelhos Guta

Comentários
1 Comentários

1 Comentário:

Anônimo disse...

Nossa! Um relato muito show. Amei!

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