domingo, 7 de junho de 2015

Dia-a-dia em Jayapura- Indonésia

Como não tínhamos a intenção de passar pela Indonésia, não me informei sobre o país. A respeito das Filipinas eu sabia até o nome das praias de cór, mas sobre a Indonésia, chegamos no escuro. Fui pesquisar nos guias: Religião Mulçumana - Recomenda-se que as mulheres se vistam adequadamente, calças compridas ou bermudas pelo menos até os joelhos e blusas de manga. Cabelos presos, que evitássemos de passar as mãos sobre eles, um desrespeito gravíssimo para os Mulçumanos etc.…  Bem, saí de casa “engessada” não sabia como me comportar, o que poderia fazer de errado sem querer. E olha, que guia estúpido! Não tinha nada disso. Gente, quando saímos as ruas, todos nos chamavam de mister. Hello mister pra lá, mister pra cá. Eu Guta era mister! Umas mulçumanas dentro de um carro (tipo estudantes fazendo bagunça sabem?!)inclusive com uma dirigindo (o que eu não sabia ser possível) mandou um hello para o Fausto, e quando ele respondeu acenando, elas começaram a dar gritinhos! Fausto artista de cinema! Daí, toda aquela imagem que eu tinha dos mulçumanos foi caindo por terra. A imagem que “vendem” para nós no Brasil são de pessoas radicais, mulheres oprimidas, abuso de menores etc. Nada a ver com a realidade mulçumana na Indonésia e também na Malásia (que falarei mais tarde).  As mulheres tinham uma vida normal, como qualquer ocidental. Estudavam, dirigiam, trabalhavam etc.

A Indonésia é um país gigantesco e cada lugar por onde passamos, tinha sua particularidade. Em Jayapura havia um grande problema com os nativos das montanhas, que na verdade são os nativos da Papua Nova Guiné. Tem uma briga entre os dois países a respeito de uma mina não sei de que, que o governo indonésio explora e o governo da Papua briga na justiça internacional pelo direito de explorá-la. Não entrarei em detalhes, até porque não dei um Google para saber ao certo, o que sei é que o governo Indonésio, bobo nem nada, paga uma “bolsa família” de US$ 2,000 para os nativos das montanhas como ajuda. Fazendo uma analogia, a coisa toda funciona como na ilha Malvinas para a Argentina. A Inglaterra tomou na marra e apesar de todos sabermos que as Malvinas por direito deveria ser território Argentino, a população não quer ser, fazer parte da Argentina. A mesma coisa acontece entre os nativos da Papua Nova Guiné dessa cidade onde fica a tal mina. A cultura é da Papua, eles falam inglês, mas têm cidadania e a bufunfa do governo Indonésio.

Conhecemos o Felipe, um militar que queria treinar inglês conosco(ô coitado) e junto com os Argentinos, nos levava para passear por Jayapura, para jantar, enfim, o cara não sabia o que fazer para nos agradar.

Assim o tempo foi passando, o assédio nas ruas do mesmo jeito, mister prá lá, mister prá cá, pausa para fotos, sim! Eles pediam para tirar fotos conosco! Em um dia, eu respondia, sem brincadeira, hello a todos que passava por mim. Tipo povo da “roça” ou de cidades pequenas que todos se cumprimentam? Mas na roça tem pouca gente, e em uma cidade como Jayapura eram muitas pessoas! Nisso eu saia mais arrumadinha né, para não fazer feio nas fotos porque a mulherada de lá, só na chiquesa! Super bem maquiadas e adoravam um brilho (isso não deu para mim). Mas as minhas roupas básicas e o cabelo solto, faziam diferença. As crianças, eram uma atração a parte. Como deviam estar aprendendo inglês na escola, eles queriam mostrar que sabiam falar. Aconteceu muito de encontrarmos um grupinhos de crianças ou jovens e  sempre o mais saidinho gritava: Mister, mister hello! How are you?! Quando respondíamos, eles caiam na gargalhada.

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Claro que depois de um tempo, sermos novidade cansou nossa beleza hehehehe, e eu estava enjoada de ser famosa. Vida de artista não deve ser fácil! Cansei do assédio, cansei de tirar fotos, mas tratei, tratamos todo mundo bem até irmos embora. Eles eram muito carinhosos, curiosos! Jayapura recebe muito poucos turistas, na verdade não tem nada para fazer por lá, os turistas que aparecem somos nós velejadores ou pessoas de outros países que vão trabalhar em empresas. Jayapura é considerada uma cidade rica, e depois descobrimos que tudo por lá era mais caro, mais caro até do que Bali!

O inglês era raro, então como nos comunicávamos? Na base do sorriso e dos gestos! Estudei em vão, a língua local e só consegui aprender: Bom dia, obrigada e contar até dez. O restante era nos gestos. Os gestos sempre funcionavam muito bem, até irmos em um restaurante. Impossível entender o cardápio. O que eu fazia? Passava pertinho de mesa em mesa para ver os pratos. Era sempre muito engraçado as reações das pessoas. Algumas famílias ficavam sérias, mas por timidez, depois davam sorrisinhos. Quando eram grupos de amigos, eles ficavam quietinhos e quando eu saia de perto, começavam a rir sem parar, e claro, a maioria parava de comer para pedirem uma foto. Eu perguntava se tinha pimenta (o gesto de abanar a boca) e sempre respondiam que sim.

20141222_002050-1Os preços variavam entre US$ 2 e US$ 5 por prato.

Os restaurantes de rua eram bem simples e tudo havia pimenta. Depois de muito pesquisar acabei encontrando um restaurante barato e com opções sem pimenta dentro de um shopping. A comida em toda Indonésia é tão barata que não valia a pena cozinhar a bordo. Primeira dificuldade: Perguntei se havia frango no macarrão tipo nudles e a garçonete não entendeu. Fiz o gesto de uma galinha (imaginem a cena), continuou não entendendo. Daí começei a achar que ela estava tirando sarro da minha cara. Pô, tô eu “batendo asas”, cacarejando e ela não entendia?! Quando pensei em ir embora, a moça percebeu, me puxou pelo braço, mostrou uma vitrine onde havia patos, marrecos e frangos assados pendurados. Coitada! Ela não devia saber o som que uma galinha faz né?! Se eu quisesse pato, teria batido assas e dito quá quá quá e não có có có! rsrsrsrs A gente entra em cada situação, que agora recordando e escrevendo estou morrendo de rir.

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Bom, Fausto que têm cú de ferro (me perdoem a palavra), experimentava tudo quanto é restaurante que encontrava. Ele que adora um PF (eu também gosto mas tenho minhas limitações) se enfiava em tudo quanto era botequim para comer, quanto mais “pé sujo” mais ele gostava. No final do dia, ficava lá no trono reclamando que estava “ardendo”. PS: Geralmente eu leio os posts para Fausto antes de postá-los e vou omitir esse parágrafo hahahaha #esposamalvada.

Eu só ia no restaurante do shopping (os preços eram os mesmos dos de rua) já era cliente da casa. Só havia duas opções sem pimenta: O nudles (macarrão tipo miojo com frango e verduras) e o Nasi Goreng (o PF deles, praticamente arroz temperado, com ovos e verduras). Nesse dia, pedi o nudles. O prato era um combo e vinha junto com chá gelado. Dei a primeira garfada caprichada , estava faminta! Dei a segunda e senti alguma coisa errada. Vou imitar os evangélicos: Posso dizer que a pimenta indonésia é de Satanás! Quando você come, não sente rápido. Ela começa a arder devagarinho, e vai aumentando a ardência, aumentando e aumentou de uma maneira que travei. Embolou tudo e eu não conseguia respirar. Sai correndo, para beber alguma coisa (o meu chá não havia chegado) e quando a garçonete me viu, fez uma cara de muito assustada, eu devia estar vermelha ou pálida, sei lá. Sentei respirando com dificuldade quando começou  minha boca começou a sangrar, a pele do céu da minha boca saiu. Queimou de uma maneira que ficou em “carne viva”, conseguem imaginar a minha garganta como devia estar?  Tomei o chá e parecia que estava com a garganta inflamada, desdeu arranhando. O pior foi o cozinheiro dizer que não colocou pimenta. O gerente do restaurante apareceu, pediu desculpas, perguntou se eu queria ir a um hospital e tudo. Pedi um tempo, fiquei na dúvida se eu tive uma reação alérgica, mas não, a pimenta é que era do satanás do capeta mesmo de tão ardida! Chinguei até a última geração do cozinheiro (que parecia se divertir com a situação) e fui embora. Fiquei uns três dias só na base de líquidos e pastosos.

20141219_073511O que era isso? Não sabemos! Fausto comeu e gostou!

20141219_074141Nasi goreng, o PF dos indonésios. Arroz temperado e ovos. Alguns levam frango…

Nossa, são tantas experiências que esse post já está enorme! Continua… 

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