domingo, 27 de setembro de 2015

Coisas chatas que aconteceram conosco em Bali

Assim que chegamos em Bali, fundeamos distante da maioria dos barcos. Dois dias depois, um velejador australiano arrastou uma poita e jogou-a muito próximo do nosso barco mesmo com um espaço gigante na ancoragem. Ele ficou na poita e nós no ferro, estávamos próximos mas passávamos pela proa dele, então continuamos no mesmo lugar. Com a entrada de um pirajá onde o  vento bateu em 48 nós a minha maior preocupação foi o peste do veleiro australiano que ficou na nossa popa durante a pauleira, caso tivéssemos garrado eu praticamente não tinha  folga para resolver o problema sem bater no barco dele. No dia seguinte, o que o Australiano fez? Colocou uma outra poita e amarrou também a sua popa, ou seja, ele não girava mais com o vento e nós bateríamos no barco dele em questão de tempo, com a mudança do vento ou maré.  Levantamos âncora, e fomos para longe do cara, que tinha um jet sky em um veleiro de uns 40’. Nada contra quem têm jet sky mas em um veleiro é um equipamento que não combina, assim como uma velejadora usando salto alto a bordo.

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Horas depois o cara veio no seu “possante” falar conosco. Não deu bom dia, um olá e já veio dizendo que foi bom termos saído de perto dele! Como se nós é quem estivéssemos errados. Nessas horas Fausto fica tão calmo que me dá até raiva, eu teria no mínimo mandado ele para aquele lugar. Fausto não disse nada, só virou as costas e saiu. Foi uma porrada porque o cara ficou muito bravo e saiu gritando, nos ameaçando dizendo que iria na imigração verificar se estávamos legais em Bali. Ou seja, provavelmente  deve ser comum velejadores ficarem ilegais por lá para ele nos fazer essa ameaça. Só que, se ele foi a imigração quebrou a cara porque sempre estamos com nossos documentos em dia. Pensem na “tupetisse” do sujeito?!

Um outro problema pior ainda tivemos com nativos. Nessa praia que estávamos fundeados havia mais ou menos umas demarcações em sua extenção. Uma faixa enorme eram dos resorts, uma outra faixa era para os nativos e assim ia. Sempre deixávamos nosso dingue na praia dos resorts mas era um pouco distante do nosso barco. Bem pertinho, havia uma praia cheia de pedras na maré baixa e nunca havia ninguém nela, praticamente uma praia deserta (cheia de casais namorando, principalmente a noite). Fausto saiu sozinho na maré alta e deixou o barco nessa praia.  Quando voltou, reparou que o dingue estava cheio de areia. Pensou que crianças poderiam ter brincado e sujado o dingue (ou bote). Saímos juntos no dia seguinte, e na praia havia uns homens sentados (eles se sentam na “posição do Buda”) e quando começamos a puxar o dingue para areia um dos caras gritou nos chamando. Não gostamos da maneira que ele nos chamou, mas fomos ver do que se tratava. O cara disse que tínhamos que pagar para deixar o dingue naquela praia, e cobrou um valor exorbitante. A praia era particular, pertencia a comunidade, tínhamos que pagar. Falei que não iria pagar nada, que o que tinha que pagar para entrar em Bali já estava pago ao governo, que ele fosse cobrar ao governo dele. Não havia aviso nenhum de que era uma praia particular e de que tínhamos que pagar alguma coisa para passarmos por ali. Daí havia um policial fardado no meio do grupo e chamei o policial querendo saber se a cobrança era legal. O policial fingiu que não entendia inglês e ficou quieto. Falei que não iríamos pagar nada e que eu iria a capitania dos Portos saber como proceder. O cara ficou falando na língua deles e teve a cara de pau de pedir para ver nossos passaportes. -Para que você quer ver meu passaporte? -Para saber se você é uma terrorista, o idiota respondeu! Daí eu xinguei…  Chamei o cara de tudo quanto é nome e ele deu uma recuada, acho que nunca havia visto uma mulher tão brava. Fausto já estava com o dingue na água e fomos embora, eu de alma lavada porque se tivesse me calado, estaria com um sapo boi entalado na garganta até agora. Têm coisas que não podemos deixar pra lá, até para preparamos a cama para outro velejador que chegar. Essa coisa de nativos quererem cobrar por passarmos na praia aconteceu também em Kavieng na Papua Nova Guiné.

Não acabou por ai. Fausto havia esquecido a chave do motor no bote e a chave desapareceu. Quando voltamos a bordo a gasolina estava acabando. Fausto foi reabastecer e para nossa decepção o tanque de combustível estava cheio de areia. Os caras haviam jogado areia no dia anterior, antes mesmo de dizerem que tínhamos que pagar para passar pela praia, pura a mais pura maldade. Felizmente temos anjos da guarda muito bons, é aquela coisa, ficamos na nossa, não fazemos mal a ninguém, ajudamos várias pessoas durante nossa viagem até agora,  velejadores e muitos nativos sem querer nada em troca. Deus nos ajuda, nos protege. A areia ficou no fundo no tanque e a mangueira estava mais alta do que normalmente fica, então não aspirou nada para dentro do motor de popa.  Aqui se faz e aqui se paga, ele ou eles terão o que merecem.

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Em ambos os casos pessoas se fizeram donas de um espaço que pertencem a todo mundo. Um dono do mar e outro dono da praia. Nós que somos de fora não temos o que fazer. É sair e ir para outro lugar. Se fôssemos reclamar as autoridades a dor de cabeça seria muito maior. Fato é que maldade existe em todos os lugares.

 

Comentários
2 Comentários

2 Comentários:

Nita disse...

Pois é, não se pode baixar a cabeça e aceitar tudos o que nos dizem só porque somos estrangeiros. Foi mau colocarem areia no depósito......
Gosto muito do vosso blog.
Estamos agora a dar os primeiros passos como velejadores, e este blog é uma inspiração.
Continuação de boa viagem.

sailingwithkiaora@blogspot.com

Guta ou Fausto disse...

Oi Nita, tem coisas que não podemos deixar passar mesmo, eu ficava me sentindo péssima quando deixava pra lá, mas agora não deixo mais não.
Boa sorte e felicidades na sua nova caminhada. Qualquer coisa que pudermos ajudar estamos a disposição!

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