domingo, 29 de novembro de 2015

Estadia na Malásia

Na Malásia ficamos em uma cidade chamada Johor Harbour (pronuncia-se Jorror) eu não sabia e falei errado várias vezes no vídeo do post anterior. Fundeamos em frente ao condomínio Danga Bay.

Há uns três anos havia uma MARINA chamada Danga Bay, onde não se pagava NADA para deixar seu barco por lá. Mas essa marina como toda a orla da cidade de Johor Harbour foi vendida e estava sendo aterrada. Faria parte de um complexo de condomínios. Para vocês terem uma idéia dos empreendimentos,  só o condomínio onde ficamos fundeados em frente haveria capacidade para 15 mil pessoas. Público alvo: Os Chineses.

Logo que chegamos na ancoragem avistamos somente um veleiro fundeado, os outros estavam no píer do condomínio. Estava chovendo mas mesmo assim demos uma passada no veleiro para perguntar se era segundo fundear por ali e se teríamos como deixar nosso bote para desembarcarmos em terra. O velejador russo disse que não poderia nos ajudar pois não falava inglês. Agradecemos e jogamos âncora. Pensamos: Ele deve ser ser igual a nós. Sempre dizemos que não falamos inglês mas dá para o gasto. Amanhã a gente passa por lá novamente.

O fundo era areia, lama e lixo. O canal entre Singapura e a Malásia é um esgoto e lixão a céu aberto com direito a um cheio quase insuportável na maré baixa e mosquitos, muitos mosquitos. Ou seja, ficaríamos ali somente o tempo necessário. E para piorar, nossa tinta de fundo já havia acabado há tempos e certamente teríamos que mergulhar no esgoto para limpar pelo menos os hélices.

No dia seguinte fomos ao barco do russo, e ele realmente não falava nadinha em inglês. Queria ajudar, tentava falar mas ficava travado, que agonia! Mesmo com a dificuldade de comunicação estava com um sorrisão no rosto, e o sorriso é uma linguagem universal. Tinha boa vontade, coisa rara entre muitos velejadores hoje em dia. Depois contarei uma história desse russo, rende um post exclusivo.

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Fomos em terra e logo um segurança com direito a terno gravata e chapéu de motorista de limusine nos parou com educação. Explicamos que gostaríamos de falar com o Martin (o nome que o russo repetia) e que imaginamos ser alguém que tratava a respeito dos veleiros. O segurança passou um rádio e fomos levados ao salão do condomínio. Fazia tempo que não entrávamos em um lugar chique e com pessoas tão bem vestidas. Ficamos sem graça porque estávamos vestidos de maneira simples. O Martin nos atendeu com simpatia, uma moça veio nos oferecer café, água, suco, enfim, ficamos meio que sem ação com aquela paparicação toda. Martin nos explicou que o condomínio tinha aquela marina para os moradores, mas que como não estava totalmente ocupada eles abriram as vagas para barcos de fora. Nós não tínhamos interesse em ficar no píer (e sermos devorados mais ainda por mosquitos) só queríamos poder deixar o bote em segurança para irmos em terra, o que era possível por US$ 7 por dia, valor que achamos caro. Conversa vai, conversa vem, no final das contas, acabamos pagando o equivalente a US$ 50 para deixar o bote no píer (acho que por duas semanas, não me lembro de tempo, datas…) e acessar a internet ultra rápida no salão. Valeu a pena. Pude postar vários vídeos e posts atrasados no blog. O Martin, gerente na área náutica é Indonésio e migrou para Malásia, um dos poucos que trabalhavam nesse complexo de condomínios que não era chinês. Ele e um rapaz chinês gerente de um outro setor (esqueci o nome dele injustamente) nos passaram várias informações sobre a cidade e sobre Singapura. O rapaz tinha um amigo que consertava computadores e em três dias meu computador estava novinho em folha. Nem preciso dizer que nele estavam todos os meus vídeos, posts, fotos que eu não havia feito backup, claro. Literalmente fiquei passando mal por vários dias, desde do “pau” na travessia, até o conserto. Bem feito pra mim!

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Tinha Starbucks dentro do condomínio, e eu achei chiquesa pura! Depois fui saber que o condomínio terá um shopping com direito até Mac Donald e loja da marca de roupas Channel, entre outras marcas famosas. Um condomínio para 15 mil pessoas, e chineses (povo que tá com dim dim pra gastar) faz sentido né…

A baixo as plantas (é assim que fala?) do condomínio, um condomínio cinco estrelas com praia exclusiva para o esgoto, tipo assim, não compreendi essa parte. Qual será o milagre que farão para limpar o canal e deixar aquilo pelo menos, menos fedorento?!

20150407_204640Na planta

20150405_103427Ao vivo

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Conhecemos um casal de Alemães que estavam na marina e nos passaram algumas dicas de como ir a Singapura e onde procurar por peças de reposição. Precisávamos comprar rotores para os motores e uma nova antena para o GPS. 

Fazer os papéis de entrada na Malásia começava pela capitania dos Portos que ficava ao lado do condomínio, uns 5 minutos de caminhada. A Malásia não cobra nada por 90 dias de visto renováveis por mais 90 dias. Pelo que pudemos constatar, atrair turistas (e concorrer com Singapura) é a meta do governo Malaio. Pois bem, fizemos a entrada na capitania, mas tínhamos que ir até a Imigração e Customers que ficavam na zona livre de Johor Harbur, depois do centro da cidade ou seja, ficava longe, bem longe e não teríamos como ir a pé. O único caixa eletrônico que havia por perto estava em manutenção. Teríamos que pegar um taxi. Então os funcionários fizeram uma vaquinha e nos deram o dinheiro da passagem de ônibus até o centro. -O taxi vai custar muito mais caro! Fomos até o centro, trocamos o dinheiro, terminamos com os papéis e no final do dia Fausto foi até a capitania  devolver o dinheiro. Quando fomos fazer nossos papéis de saída para o porto seguinte, levamos uns donuts para o café da tarde como agradecimento pela gentileza que fomos tratados.

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Até agora, exceto a Malásia, onde fomos muito bem atendidos em TODOS os setores, os funcionários de capitania; Imigração; Customers; Vigilância Sanitária... dos outros países que passamos quando não indiferentes (nem respondiam um bom dia) eram arrogantes, mal humorados, nos atendiam como se estivessem fazendo um favor e nos deixavam esperando por horas. O pior é quando a gente via que o cara não estava fazendo porra nenhuma (desculpe-me a expressão), mas nos deixava plantados esperando. Acontecia de algum funcionário de um dos setores nos atender com gentileza, mas o em seguida nos atendia grosseiramente. Agora por exemplo, estou escrevendo esse post de Richard Bay, o nosso primeiro porto na África do Sul. Os três funcionários da Capitania dos Portos que vieram a bordo foram simpáticos e rápidos, em três minutos fizemos os papéis, mas a Imigração já está nos deixando esperar a bordo pelo terceiro dia consecutivo. Não podemos sair do barco enquanto não fizermos a entrada no país,ou seja, estamos praticamente presos a bordo. Estão sendo de uma cortesia que olha, haja paciência! Somos uns quatro barcos com a bandeira amarela hasteada na mesma situação. – ATUALIZANDO: Nos pediram desculpas pela demora e a moça da imigração foi MUITO gentil (três dias né, seria o mínimo). Agora só falta a alfândega. Vamos ver se algum porto da África do Sul entrará para o minha pequena “Lista de bom atendimento aos velejadores”.  Ainda não terminamos a viagem, mas hoje eu digo que o que mais me cansou não foram as travessias, os turnos, as tempestades etc. Foi a buRRocrasia, que suga toda nossa paciência e boa vontade. Eu já saí ofegante, tonta e com ânsia de vômito de um escritório. 

Até o próximo post,

Guta

 

Comentários
1 Comentários

1 Comentário:

Michelle Lima disse...

Muito interessante o post.
Uma pena essa demora toda e o descaso para a entrada de vocês nos países.
Porém, nada que tire o brilho da viagem de vocês.

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