sábado, 5 de março de 2016

Atravessando o estreito de Málaca

O estreito de Málaca já foi um dos lugares com mais ataques de piratas no mundo. Hoje em dia os ataques praticamente acabaram e mesmo alguns velejadores tentando nos fazer medo, fundeamos, entramos em dois portos diferentes, cumprimentamos pescadores e estamos aqui são e salvos. Reza lenda que pescadores jogam seus barcos para cima dos veleiros propositalmente para depois processá-los. Isso faz com que existam ralys de veleiros subindo ou descendo o estreito.  Cruzamos com dois grupos. Eu acho que é mais uma desculpa, porque ô galerinha medrosa, Gzuis!

Entramos na cidade de Porto Dickson e fundeamos em frente a marina. Poderíamos desembarcar de graça e deixar o bote em segurança, com o tempo fomos a prendendo que a Malásia tinha a segurança como sobrenome. Pena de morte, chicotadas, cadeia. A lei funciona por lá.

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Praticamente todas as marinas que conhecemos  na nossa volta ao mundo não cobra nada ou bem baratinho para podermos passar entre suas dependências, o que me dava raiva por lembrar de como somos explorados no Brasil.

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Só ficamos uns três dias na cidade que era limpa, organizada, arborizada com o povo simpático etc…

Na marina haviam vários veleiros diferentes (adoro passear em marinas). Soubemos que o estreito é um dos lugares com maior incidência de raios no mundo. Eita lugarzinho cheio do lero-lero!

20150416_180649Pense num catamarã “bocudo”

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Esse catamarã todo em fibra de carbono tomou uma raiada  `a poucas milhas de Porto Dickson. Os estais estouraram, perderam todos os equipamentos eletrônicos, mas a tripulação ninja conseguiu manter o mastro de pé e chegar no porto. Conhecemos uma segunda tripulação (a primeira recebeu férias) que embarcariam o barco em um navio em Singapura e fariam as instalações de novos equipamentos na Turquia. O barco tinha bandeira dos EUA, porto de Las Vegas, logo imaginei que o proprietário fosse dono de um cassino hehehehe. Esse catamarã custa uns bons milhões de dólares.

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Um belo prato malaico. Pedimos sem pimenta, mas tivemos dor de barriga do mesmo jeito. A comida maláica é meio adocicada e apimentada ao mesmo tempo, não curtimos.

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De Porto Dickson fomos para Lumut, estávamos procurando um local para retirar o barco da água e pintarmos o fundo. Lumut tem uma marina de serviços com uma boa estrutura e bons preços, mas não conseguimos comprar a tinta que desejávamos.

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A marina ficava afastada do centro da cidade, então fomos para o centro e fundeamos em frente ao Iate Clube de Lumut. Um excelente fundo de areia como todo o estreito de Málaca. O iate clube de Lumut super receptivo (algo raro para iates clubes)  tinha um calendário náutico ativo. A prefeitura mantinha veleiros de regata que quando não estavam regateando, eram usados para cursos de vela com estudantes. Depois de cada aula, as crianças ganhavam lanches do KFC, uma franquia de restaurantes de frango frito que também apoiava a iniciativa. O clube sempre estava cheio, festivo!

Todos que nos cumprimentavam diziam que eu poderia usar a piscina do clube quando quisesse. Achei estranho depois de cada conversa: De onde vocês são, como foi a viagem etc. eles terminarem recomendando a piscina. Só depois fui entender, quando vi um grupo de mulheres praticamente com roupas de mergulho fazendo natação. Acho que os safadeeenhos queriam me ver de biquini! Não dei o gostinho hahahaha

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Em uma dessas regatas dei a minha primeira entrevista para a TV local em inglês, acho que me saí bem.

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Olhem como são as coisas. Depois da entrevista recebemos o convite de um senhor para tomarmos um café na cidade, ele gostaria de nos fazer uma proposta de trabalho. Gastei meus miólos pensando em que trabalharíamos, mas nem me veio a cabeça o que sempre fizemos: Charter. O senhor queria alugar nosso barco para days charters com grupos da sua igreja/mesquita. Ofereceu uma grana tão boa que foi impossível recusar. Lumut têm uma ilha muito usada para veraneio dos maláicos do interior do país, ilha com vegetação e enseadas muito parecidas com a Ilha Grande em Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Tudo combinado, mas travei no lanche que estava incluído no passeio. O que fazer para mulçumanos que praticamente só comem frango e peixe? Ráaa, entrou em ação as minhas santas coxinhas e o bolo de coco gelado. Resumindo: Os charters foram excelentes. É muito fácil lhe dar com os maláicos que adoraram o barco, o bolo mas ficaram apaixonados pela coxinha, tive que traduzir e distribuir a receita . A grana entrou em uma boa hora. Santa entrevista!

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Em um cemitério chinês com estátuas bonitinhas, só não chegamos mais perto com medo da placa que dizia que poderíamos ser nós os enterrados Fantasma 

20150423_115026Ainda cabeluda, para que não nos acompanha nas redes sociais, raspei a cabeça, máquina zero Smiley surpreso

Em todos os lugares do mundo, iates clubes são bastante procurados para fotos de casamento. Tive o prazer de fotografar dois casais recém casados no mesmo dia. E nada de vestido branco, os asiáticos em geral gostam de cores, muitas cores! Eles estavam tão felizes, nossa, uma energia tão boa no ar que ganhei a minha semana Coração vermelho

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Até mais.

Comentários
3 Comentários

3 Comentários:

Flavio Mancini Jr disse...

Os seus rélatos são sempre deliciosos.

Flavio Mancini Jr disse...

Os seus relatos são sempre deliciosos.

Anônimo disse...

Amei esse relato! Manda mais! kkk

Lilamar

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