domingo, 24 de abril de 2016

Experiências com o Islamismo na Ásia

Acho que comentei que a Indonésia é o maior país Mulçumano do mundo. A religião também predomina na Malásia e cresce cada vez mais em Singapura e Tailândia, países onde o Budismo é maioria. Assim que chegamos em terras mulçumanas eu não sabia como proceder, li horrores a respeito. Não sabia se seria obrigada a cobrir a cabeça, usar roupas compridas, sóbrias etc. Cada vez que via uma mulher de burca eu tinha um misto de vergonha e medo de me aproximar. Era uma sensação estranha, como se para o meu bem o quanto mais longe ficasse, melhor. Nossa viagem foi prosseguindo, até chegarmos na Malásia. Assim como na Indonésia vi mulheres trabalhando nos mais variados empregos, como garçonete até como motoristas de ônibus e caminhões. Ué, tá diferente do que eu tinha em mente com relação ao islamismo/mulçumanos. O que aprendi, assisti na TV a vida toda foi uma religião que oprime as mulheres, escravizam crianças, soltam bombas em prédios, explodem a si mesmos, ou seja, tudo de ruim. Mas não era o que eu estava vivenciando desde que chegamos por aquelas bandas, muito pelo contrário. Como ficamos por mais tempo na Malásia pude vivenciar uma cultura tranquila, de pessoas simpáticas, que se preocupam com a união de suas famílias. Fausto saia para caminhar e eu ia para algum lugar observar as pessoas e conhecê-las o máximo que era possível. Todas as vezes fui bem tratada. Daí começei a ter raiva de mim mesma. Uma por ter demorado tanto tempo para tomar a decisão de deixar os pré-conceitos de lado e outra por ter sido tão ridiculamente manipulada pela mídia que praticamente culpam todos mulçumanos por todo o mal que acontece no mundo. Que consideram todos os mulçumanos terroristas. No fundo no fundo era isso que eu pensava que eles fossem por natureza: Terroristas, mas não, o islamismo praticado na Ásia pelo menos, não têm nada disso. Não se parece nem um pouco com o que assistimos nos países árabes (que com certeza também têm suas exceções).

IMG_0939

Quero deixar bem claro que só quero passar a minha experiência, de como mudei a minha visão com relação a um tema tão delicado. Isso é o máximo de viajar! Quebrar paradigmas, abrir a mente, conseguir sair do nosso mundinho manipulado que só têm a intenção de disseminar a discórdia pelo mundo.
Para começar, vou tentar explicar o que vivenciei por lá. Tanto em Singapura, quanto na Malásia muitos imigrantes chineses e indianos e uma minoria árabe se estabeleceram e não se misturam. Por isso nunca se tornaram “um só povo” como nós brasileiros. Não se misturam mas se respeitam, vivem em harmonia. Existem os bairros maláicos, chineses  Indianos, árabes. Escolas separadas. Religiões diferentes. Cada um só fala seu indioma entre si, mas o inglês é obrigatório como indioma oficial. Todos os pais são obrigados pelo governo a ensinarem inglês a seus filhos desde pequenos, se na idade idade escolar não souberem falar inglês os pais são punidos até com detenção.  É muito comum na cafeteria Starbucks por exemplo um funcionário de cada origem. Indiano, Chinês, Malaico, árabe. E esse funcionário atender o cliente falando sua língua pátria.
O homoxessualismo. Vi vários travestis (odeio esse nome), conhecidos por lá como Lady Boys. Pensei que fosse motivo para forca ou apedrejamento, mas os lady Boys trabalham normalmente em lojas, cafés etc. Podem não serem levados a sério, mas não vi serem mal tratados. Aparentemente tem as mesmas oportunidades de trabalho que as mulheres. Mulheres que eu achava serem presas em uma coleira para poderem sair de casa com seus maridos. As mulheres mulçumanas me deram o maior tapa de luva. PEI! Toma sua cretina mal informada! Foi assim que me senti, uma cretina mal informada- preconceituosa-de-uma-figa. No começo, quando fui perdendo o medo, de que eu não seria explodida por uma bomba se conversasse com alguma mulher de burca, todas as vezes que me aproximei fui recebida com educação sempre com sorrisos nos rostos e cada vez mais eu me sentia mal por pensar tantas coisas ruins sobre elas. A maioria fala baixo, pausadamente. Passam serenidade quando falam. Não vi mulheres gritando com seus filhos por exemplo. As crianças são educadíssimas desde cedo. Nada de criança gritando em um restaurante, fazendo pirraça em público.
Fiz um vídeo que conversei com um grupo de meninas fazendo um piquenique na praia. Perguntei o porquê delas usarem a cabeça coberta e porque algumas usam burca e outras não (nesse grupo apenas uma estava de burca). A moça que parecia ser a líder do grupo respondeu que é uma exigência da religião manter a cabeça coberta e que seria complicado explicar os fundamentos disso, mas que exceto essa obrigatoriedade, a burca (roupa geralmente preta só os olhos ficam a mostra) ou cobrir o corpo (com roupas normais) é opcional. Percebi que ela escolhia as palavras, como quisesse se explicar sem me ofender de alguma forma. Não teve como não fazer uma comparação e antes mesmo de falar me pediu desculpas: – No ocidente as mulheres fazem plásticas, exercícios para ficarem mais bonitas, maquiagens e usam cada vez menos roupas. Cultuam o corpo para conquistarem um marido que possa cuidar dela, que seja um bom pai, para constituírem uma família. Aqui nós pensamos o contrário. Aqui nós nos escondemos. Não somos obrigadas a esconder o corpo inteiro mas quando o fazemos queremos mostrar ao nosso futuro marido que seremos exclusivamente dele. Somente ele poderá ver o nosso corpo. Quando começamos a namorar e se o homem quiser se casar, ele fará o pedido porque está amando a minha pessoa e não o meu corpo, ele nunca verá o meu corpo antes do casamento. Eu terei a certeza que ele gosta de mim pelo que eu sou. Porque serei uma boa esposa, uma boa mãe. Por isso que algumas usam a burca, porque querem se mostrar ainda mais exclusivas. Outro tapa de luvas!
Essas moças deviam ter na faixa de uns 20 anos e me disseram que podem trabalhar no que quiserem, fazerem faculdade, dirigir, namorarem. – Não nos casamos com o primeiro namorado, isso é muito raro! Disse a líder do grupo.
Fiz até um vídeo depois dessa conversa, é só clicar AQUI. Fiquei remoendo por horas e passei a olhar aquelas mulheres com admiração e respeito. Vivem da maneira que acham ser correta não se importando com a opinião do resto do mundo.
Pude perceber que o islamismo árabe é realmente mais rígido que o malaio em varias situações. Praticamente todas as mulheres árabes usam burca e algumas até com meias, luvas pretas e um véu cobrindo o rosto. Os homens árabes são fisicamente muito parecidos (cabelos e barbas negras, pele branca) as mulheres, claro, não deu para ver. Somente as crianças. O interessante é que entre os malaios, as meninas usam o lenço cobrindo a cabeça desde pequenas já entre os árabes não. Vi adolescentes com os pais com os cabelos a mostra, penso que deve existir alguma coisa com relação a primeira menstruação. Só depois disso as meninas árabes são obrigadas a usarem o lenço. Estou  supondo  ok?! Depois fui saber que na religião católica, antigamente as mulheres só podiam entrar nas igrejas também cobrindo suas cabeças. Já repararam que todas as imagens de Maria são com a cabeça coberta? Ainda não dei um Google para saber a respeito.
Passei por uma situação estranha. Estava em uma fila atrás de três rapazes árabes, ambos com idades na faixa de uns 18 anos. Vestiam roupas parecidas (calça jeans, sapato e blusa gola polo), brancos, barbas negras bem aparadas e cabelos negros, também bem cortados. Dois estavam de costas para mim e um de frente. Conversavam entre si enquanto faziam o pedido. Quando terminaram, eles não saíram da fila de forma que eu não tinha espaço para chegar até o caixa. Pedi licença e eles agiram como se eu nem estivesse ali. Pedi licença novamente, quase encostei em um deles, pedindo licença e empurrando ao mesmo tempo, mas achei melhor não. Pedi uma terceira vez já querendo dar um chute e nada! A moça do caixa pediu para que eles saíssem e eles não saíram. Então eu gritei: EXCUSE-ME PLEASEEEEE, olhando firme para o que estava de frente para mim. Todos na lanchonete se viraram para olhar (eles falam muito baixo). Só depois disso, o rapaz puxou os amigos para o lado e pude chegar até o caixa. Os que estavam de costas, continuaram de costas e agiram como se nada tivesse acontecido. Não consegui contato com nenhum mulçumano árabe, mas vi casais de mãos dadas, o que já é uma evolução porque entre os árabes do oriente médio as mulheres só andam atrás dos homens.

20150513_154246_thumb2

20150525_180157-1_thumb

20150530_110203_thumb2

Só tenho que agradecer ao Deuses a oportunidade de conhecer tantas culturas e fazer meus julgamentos baseados no que vivenciei.
Segue o vídeo contando sobre essa minha experiências e muito mais.




Comentários
1 Comentários

1 Comentário:

João Paulo Rojas Vidal disse...

Guta, só pude ver o vídeo hoje.
Mas que gostoso que é assistir seus vídeos. Sempre tão autêntica e fazendo as perguntas que eu gostaria de fazer.
O vídeo na feira foi demais. Que vontade de comer aquilo tudo...
É do seu bom humor nem o Fausto escapa. Demais, demais, demais.

Parabéns, sempre. Obrigado, sempre.

Fico feliz que vocês concluíram a volta ao mundo. Pena que os vídeos pararam de serem filmados. Ainda bem que você ainda tem "munição" no arquivo e continua postando desse arquivo.

Um abraço para você e o Fausto.
E o Fung? Tá mais animado agora em terrá firme?

Postar um comentário

Estamos viajando e não temos uma conecção a internet fixa a bordo.
Por esse motivo, certamente seu comentário demorará a ser postado, poderá não ser respondido, mas será lido.
Se ainda assim, quiser comentar fique a vontade!