domingo, 27 de novembro de 2016

Minha opinião sobre o filme “O pequeno Segredo”

Tenho o péssimo habito de ler críticas de filmes. Raramente concordo com alguma delas depois de assistir mas é um hábito que não consigo evitar. As críticas ao filme O pequeno Segredo foram duras, até infantis em certos pontos. Fiquei curiosa.

Assisti o trailer pela página da família Schurmann pelo facebook. Fiquei mais curiosa.

Sigo uma pessoa em algum estado no sul que não me recordo agora e que postou uma foto no cinema vazio. Essa pessoa depois comentou que esperava mais do filme. Fiquei mais curiosa ainda, mas já havia perdido a esperança de assistir nos cinema. Aqui em Angra, não entraria em cartaz.

Eu adorava acompanhar a família Schurmann no Fantástico! A Kate loirinha, sempre de maria chiquinha, era a cerejinha do bolo. Encantava sempre sorrindo, pendurada nas costas do pai, dançando ou mergulhando no paraíso chamado Polinésia Francesa. A sintonia da família mais as belas imagens, deixava muita gente deslumbrada. Eu era uma delas.

Até que fomos ao Espírito Santo visitar a nossa família e corri ao cinema assim que pude.


O filme começa com uma música bonita, uma cena aérea em que a câmera desliza sobre o mar e do nada começa a aparecer uma borboleta. Uma borboleta em alto mar? Como assim? Lá estava eu, com a carga de negatividade que havia recebido sobre o filme se manifestando. Já estava criticando na primeira cena! Dei uma respirada, sentei melhor na cadeira e fiquei lá, apreciando a borboletinha sem entender o que ela fazia ali, mas optei por me deixar levar pela música e as belíssimas cenas que vieram a seguir.

O filme intercala  histórias da família Schurmann dos pais e da avô da Kate. Os diálogos são simples e acho que isso foi um ponto positivo. Conseguiram com simplicidade e leveza contar uma história real trágica, sem apelos e dramas desnecessários. Em uma das cenas no Brasil, os pais da Kate, Robert um Neo Zelandês e a Geanne, uma paraense, já apaixonados estão em um barquinho ao luar. Ela pergunta: Tem mar na sua terra? Sim, ele responde. Tem rio? –Sim. Tem barcos? Sim, muitos barcos! Haaa, então é igual aqui!!!

No filme o casal fica doente e por ter uma péssima relação com a mãe preconceituosa do tipo de dá vontade de entrar na tela e estrangular a senhora, o pai Robert decide doar a criança para o casal Schurmann, que havia conhecido poucos anos antes, quando os mesmos passaram com seu veleiro pela Nova Zelândia. Na época, Geanne estava grávida e ainda não sabia que havia contraído a doença depois de uma transfusão de sangue que precisou fazer após ter sido atropelada, ainda no Pará. A cena do atropelamento é forte e ela sobreviveu, para mim por um milagre.

E o que dizer da Julia Lemmertz como Heloísa?  Uma atuação impecável! A atriz tem um brilho no olhar, ora de deslumbre com as cenas náuticas e com a natureza, ora de preocupação, ora de orgulho da filha. Ela conseguiu transbordar emoção em cada cena!
Muitos criticaram o fato da Heloísa ter lido o diário da filha, coisa que sinceramente, acho que qualquer mãe faria, não só pelo fato da filha ser doente e precisar de cuidados especiais, mas se nos dias de hoje, os pais não “respeitassem” tanto os filhos, não teríamos tantos casos de garotas se auto mutilando, sendo aliciadas pela internet, adolescentes com depressão. Se os pais não sabem o que está acontecendo com os filhos, como ajudá-los?!

A atriz mirim que faz o papel da Kate é uma fofura. No filme ela manca, de leve, mas na vida real, o problema nas pernas da Kate, que eu me lembre, era muito mais acentuado, o que me leva a crer que ela tenha passado por maus bocados na escola, muito mais do que foi mostrado no filme. E o que adorei saber é que a Kate não levava desaforo para casa, não deixava de tentar realizar seus sonhos. O filme deixa claro o apoio e força que a Heloísa dava a menina, que passava pela terrível fase da adolescência cheia de dúvidas e frustrações, como a maioria de nós passamos. 

Uma das cenas que mais me emocionou  foi quando kate conta seu segredo a melhor amiga. Ambas estavam fazendo natação e no vai e vem na raia da piscina a amiga quando entende a situação, mergulha e começa a chorar embaixo da água. Chorei de escorrer lágrimas e ter que tirar os óculos para limpar o rosto.

Saí do cinema feliz apesar da história triste.  Nos dias de hoje, são raras as coisas que me emocionam positivamente. Positivamente Guta? Como assim?! 

Gente, o filme é sensível e emocionante, uma história comovente sobre encontros e desencontros da vida. Fausto costuma dizer que a maioria das pessoas não sabe o que é o amor. Para ele amor é quando você doa alguma coisa sem querer nada em troca. E o que a família Schurmann fez, foi um ato do mais puro e incondicional amor.

Já pensou em se colocar no lugar deles?!  Você teria amor o suficiente?

Não deixe de assistir!

Quanto a indicação ao Oscar, como não assisti aos concorrentes, vou plagiar Glória Pires: Não posso opinar! rsrs

Abraços,

Guta

Comentários
2 Comentários

2 Comentários:

Patricia Scarpi disse...

Eu não confio em críticos de cinema, a arte é muito subjetiva...a impressão deixada em uma pessoa não não produz o mesmo efeito em outra! além do mais esses críticos são muito duros...acredito que haja um jogo de interesses...
Do seu ponto de vista parece bem interessante, e deve ser porque retrata o que realmente aconteceu. Para a maioria que não faz parte desse universo náutico e só enxerga a família Schumann como "desbravadores dos mares", é muito interessante ver essa outro aspecto da vida da família...Que se doa ao amor e ao outro!
Valeu pelas dicas... Fiquei curiosa em ver o filme!

Jonatas disse...

Também assisti ao filme, e é tocante, emocionante. com simplicidade e sem exageros artísticos, pois ele mostra a vida, e a vida é assim. Eu saí do cinema achando um filme maravilhoso. Depois li as críticas, e não entendi como tantos críticos de cinema da grande mídia julgaram tão mal o filme. Mas a eles não interessa a emoção, a humanidade do filme. Concluí que a crítica ruim não passa de uma crise de raiva, um piti dos críticos esquerdosos que estão magoados com o fracasso do filme Aquarius, e agora querem usar o Pequeno Segredo como uma oposição que só existe na cabeça oca deles. A eles sobra socialismo de boutique e falta humanidade.

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