segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Quando pensamos que já passamos por tudo...

Era exatamente 2:30hs da madrugada. O vento chegou quente, sabem quando abrimos um forno que está assando algo e vem aquele bafo quente no rosto? Então, foi a mesma coisa, sem exageros. Rajadas quentes! Daí as rajadas foram aumentando de intensidade até chegar ao ponto de podermos escutar o vento uivar. Sim o vento uiva, intimida, mostrando a sua força, seu poder. Nessas horas, em fração de segundos me lembro da história dos três porquinhos. O vento é o lobo mau soprando e eu uma porquinha, rezando para que a nossa âncora e corrente segurem o tranco. Mas dessa vez estávamos em uma poita, que teoricamente, segurava nosso barco. Fausto ficou em alerta e fui dormir. Até que Fausto gritou: Gutaaaa. E dos 50 tons sonoros que conheço, com Fausto chamando o meu nome, aquele era um tom de urgência. Pulei da cama e peguei meu kit (óculos de grau para miopia e lanterna de cabeça). Por mais que tenhamos feito uma volta ao mundo velejando e tivéssemos trocentas experiências diferentes, vem "alguém" e PÁH, tomem seus bestas, isso nunca aconteceu com vocês né?! Então bora, vamos ver como irão se safarem dessa! É como se sempre estivéssemos passando por testes. 
Estávamos arrastando a poita e seguindo para cima de uma pedra muito usada pelos velejadores para o abastecimento de água, na praia da Tapera, Ilha Grande. Simplesmente a pedra se encaixaria entre os cascos. Fausto ligou os motores e arrastou a poita de volta para o lugar nos safando da pedra, mas a missão quase impossível era minha: puxar a poita e retirar o engate com ventos de 40 nós. Eu sou uma zero a esquerda nos motores. Odeio manobrar o barco. Teria que baixar o espírito "Mulher Maravilha" para eu conseguir retirar o engate. Não sei explicar, mas nessas horas tensas, a gente realmente vira super herói, também temos força e poder dentro de nós que por necessidade (se fosse romântica usaria a palavra coragem) partimos enfrentar o problema. 
 Fausto dava o avante e eu tinha pouco tempo para puxar a poita e retirar o engate, antes da próxima rajada. A comunicação ficou difícil, o barulho do vento, dos motores. Gritava de um lado, Fausto gritava do outro, no final das contas Fausto já intuia o que acontecia lá na frente. Fiquei no quase em duas tentativas. Na terceira consegui! Jogamos âncora e minutos depois o vento diminuiu. Foi um teste, tenho certeza!!! 
Alguns hematomas, uma mão cortada, mas o coração alegre com a adrenalina que há tanto tempo não sentíamos. 
 Nos abraçamos. 
 Ufa, passamos por mais uma. 
 Qual será a próxima???




Foto Nancy Zunino, catamarã El Arca.



Comentários
1 Comentários

1 Comentário:

Alex photografer disse...

Hahaha ando assistindo os videos do gurçacat em sua jornada. Me rachei com o chinês que deram carona. Kkkk espero um dia poder encontrar com vcs em alto mar! Abraço e boa viagem! Já foram ao Japão? Se for mande videos de lá.

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