sábado, 24 de março de 2018

O veleiro amarelo

Oi Oi Oi povo do mar, tudo bom com vocês para variar? hehehe

Esse meu querido blog que estava me causando peso na consciência há tempos pelo abandono, quase foi para o brejo.  Motivo principal: Falta de assunto. Não estamos mais viajando e acho que tudo que fazemos a bordo é trivial para compartilhar. Até que hoje abri um e-mail que não sei o porquê não havia feito antes. A minha caixa de e-mail é uma bagunça total, demoro a responder as perguntas que nos fazem porque a nossa prioridade é o trabalho, enfim, estou no processo de organização da minha vida virtual e o blog era uma das coisas que estava indo para forca.

O bendito e-mail se tratava de uma proposta para que eu escrevesse uma coluna mensal para um famoso site náutico. O pagamento seria de R$ 100 por texto, pode parecer pouco, mas pelo menos a pessoa teve a dignidade de explicar o porquê só poderia me pagar esse valor simbólico. Já fui convidada a escrever para revistas e jornais náuticos sem receber nada, “só pela fama” como um deles teve a cara de pau de dizer.

Foi ai que acordei e saí da minha jaula de preguiça mental. Tenho o meu blog há anos, onde escrevo o que eu quiser e como quiser (sem editor sabichão mudando meu texto para pior) um público pequeno, mas que está ai do outro lado aguardando minhas postagens pacientemente.

Então, estou de volta com todo o gás (espero que ele dure bastante) e como na nossa vida atual não fazemos mais do que charters, Fausto trabalhando no novo projeto e eu começando a escrever o livro, vou comentar o que deu o que falar nas redes sociais náuticas essa semana, especificadamente no grupo Navegantes do facebook.

Observem essa foto:

mini barco amarelo
Assisti ao novo filme Tomb  Raider (em cartaz) e em uma cena, Lara Croft quer ir a uma determinada ilha e tenta convencer o capitão de que seria uma aventura! E o capitão responde: – A morte não é uma aventura!


Daí lembrei-me do post que foi publicado no grupo Navegantes, muito bem administrado pelo Jorge Dino.  Para vocês entenderem melhor, em resumo, esse senhor da foto de 78 anos projetou e construiu um micro-barco de seis metros e com ele pretende navegar da Suécia até a Nova Zelândia. Detalhes: O barco tem somente duas velas em dois mastros e sem motor, ele usará remos em dias de calmaria. 
Eu já leio o post correndo para ler os comentários logo em seguida e é claro que deu o maior bá fá fá. Uns dizendo que o senhor era maluco, outros defendendo o sueco com unhas e dentes. Eu  comentei que achei o barco feio e só havia gostado da cor, não sei o porquê rsrsrsrs
Recordei-me de um colega holandes que uma vez me contou que assistiu a uma palestra de um famoso velejador da Holanda e o cara começava a palestra dizendo mais ou menos assim:

Querem saber como é velejar em alto mar com o tempo ruim? Coloque uma roupa de tempo, entrem embaixo de um chuveiro gelado e comecem a rasgar notas de 100 euros.

No nosso caso, tentávamos fazer uma aventura segura, mas quando estamos no mar e ele resolve virar o capeta, não tem muito o que fazer.  Ou se esconde na cabine (e rasgue os 100 euros depois se não pior) ou vai pro pau tentar ter o mínimo de danos possíveis.  Já tomei muito banho de água salgada, já dei muita topada, fiquei com hematomas que só Deus sabe como e em um catamarã de 54’! Então, olhando essa foto, se ela for realmente verdadeira, esse velejador vai sofrer e muito! Se eu não soubesse que ele é suéco, diria que era o holandes da palestra. 
Para os defensores que disseram “é melhor morrer sofrendo no mar do que sentado no sofá da sala”, esses que creio eu, nunca passaram por um perrengue no mar, fiquem atentos:
Tô pensando em abrir um curso “sofrimento a bordo” onde colocaremos o Guruçá na orça de uma frente fria bem forte. Os turnos seriam feitos na proa do barco e a cada caturrada e banho de água salgada, eu daria uma chicotada em um por um, só para animar a tripulação. Que tal?
Acho que a turma iria lotar, porque pelo que vi tem muita gente disposta a pagar para sofrer…

Uma coisa é fato, o velejador tem a memória mais curta do mundo, praticamente temos a síndrome da Dolly, a peixinha azul do filme Procurando Nemo. Eu já passei por situações no mar que chorei, me descabelei e jurei que assim que chegasse em terra nunca mais pisaria em um barco novamente. Então, quando chegava em terra, esquecia tudo e já estava preparada para próxima.

Dizem que pela beleza as pessoas não sentem frio, calor e nada custa tão caro que não valha a pena pagar (mesmo que em 12 vezes rsrsrs)

Acho que para um aventureiro, o sofrimento, as adversidades não contam, o que importa é chegar lá e realizar o seu propósito. Mas também acho que existem níveis de sofrimento e no meu caso, prefiro sofrer em um catamarã de 54’ rsrsrs

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Comentários
3 Comentários

3 Comentários:

Jorge M B Aragao disse...

Sempre valerá a pena !não é sofrer é aprender e alem do mais no fonal o sabor é indescritivel. Bons ventos

Andrea disse...

Que leitura gostosa, divertida e interessante, Guta!
Acho q devia manter seu blog e escrever para revistas também! Pq não? Vc merece muita fama, sucesso e dinheiro!!! Pq a elevação espiritual certeza q já tem!
Sobre o veleiro amarelo, tem certeza q chega a 6m? Na foto parece um barquinho de controle remoto de algum parque Da Disney, 2m no máximo!
E da Holanda a Nova Zelândia? Esse cara acredita em D'us! Também desejo sucesso e que volte pra contar como conseguiu! Aprendi a não duvidar de mais nada nesse mundo!
Me deixe fora do curso do sofrimento... minha memoria é curta pra maternidade... quero ate engravidar de novo, né?!
RSRS é cada maluco nesse mundo...

Unknown disse...

O veleiro Said daquele russo também não tinha esse tamanho? Ele deu 2 voltas ao mundo com ele. Sofreu com certeza. Mas deve ter rasgado menos dinheiro nos perrengues. Abraços, Vinicius.

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