terça-feira, 3 de abril de 2018

Tenho medo do meu vizinho!

Para quem não sabe, morávamos há anos na praia do Bonfim, aqui em Angra dos Reis e há uns meses nos mudamos para a enseada ao lado, a Praia Grande. Uma praia linda, que recebe muitos turistas e onde fica a sucursal do Iate Clube do Rio de Janeiro.

A quantidade de barcos de todos os tipos e tamanhos aqui é grande, principalmente de veleiros em poitas alugadas. Muito mais em conta do que deixar o veleiro em marinas (pretendo falar sobre isso em um vídeo em breve). Depois de anos “no ferro” ou seja, usando a âncora, passamos a usar uma poita. E como é bom! Na âncora tínhamos que viver de olhos abertos nas previsões do tempo. Com a entrada das frentes frias, nos mudávamos para uma ancoragem mais protegida do vento Sudoeste além dos pirajás que adoravam nos dar sustos.
Essa semana entrou um pirajá a noite. Eu já estava na cama quase dormindo quando o vento começou a assobiar. Automaticamente dei um pulo da cama, até raciocinar: Guta sua orelhuda, você está em uma poita, relaxa! E fui dormir lindamente… Estávamos seguros, ou pelo menos pensávamos que estávamos, bobinhos…

Na praia do Bonfim, tínhamos poucos vizinhos. Um argentino com dois cachorrinhos que choravam de vez em quando e mais nada que incomodasse. Aqui na Praia Grande temos vários bons vizinhos, mas tem um que incomoda, e a muita gente. Infelizmente somos vizinhos “de porta” do Lord Jim, para entender a história desse veleiro CLIQUE AQUI. A história é longa, trágica e o veleiro hoje, abandonado em uma poita. Dizem que como corre um processo na justiça a respeito dele, relatado no link acima, o veleiro está sobre a responsabilidade da Marinha do Brasil. Toda a semana, quando o veleiro, praticamente todo podre se enche de água, um bote da marinha aparece e com a ajuda de uma bomba, retira a água de dentro dele. Também dizem que esse veleiro ainda não afundou porque existem dois tanques de diesel vazios e lacrados a bordo que mantêm sua flutuação. 
O problema é que o veleiro é grande demais  para o espaço da poita que foi colocado. Dependendo do vento e da maré, ele se choca com as outras embarcações ao lado. Já bateu e quebrou duas janelas de um trawler, que não teve a quem reclamar do prejuízo. E nós que achávamos estar longe de qualquer problema quebramos a cara. Cadê o sossego? E o medo dele se soltar da poita e vir para cima da gente?
Paranóia? Não! Foi exatamente o que aconteceu!!!


Domingo passado, dia 25/03/2018 entrou uma ondulação anormal aqui em Angra, não tinha vento forte, mas uma ondulação grande. De alguma forma o Lord Jim se soltou da poita e foi parar no Gurupé de uma escuna ao lado. Com isso um dos mastros de partiu em duas partes e caiu, começou uma chuva de tudo quanto é material podre a cair. Os dois ficaram ali atracados, mas longe da gente. Ligamos para os dois números que estavam disponíveis na escuna de passeio sem sucesso. Ligamos para um amigo que trabalha no Iate Clube que estava sem o bote de apoio aos sócios e não tinha como ajudar. Restou ligar para a marinha pedindo ajuda.
Os barcos ficaram muito tempo se batendo, com a ondulação de lado. Daí a outra escuna de passeio da empresa chegou e começaram as sucessões de erros. Conseguiram retirar o Lord Jim do Gurupé da escuna, mas para onde levá-lo?
Os rapazes na boa vontade, acredito sinceramente nisso, começaram a rebocar o veleiro com a ajuda da escuna. O correto seria o reboque pela proa do veleiro, de preferência com alguém no leme, ou o mesmo no meio, e o veleiro deveria ser levado para longe de todas as outras embarcações, havia espaço para isso e seria o caminho mais fácil, mas não. O reboque foi feito pela popa. Um dos rapazes ficou pendurado na popa do veleiro de frente a um cabo relativamente fino para aquela operação, exposto ao risco do cabo estourar e ele ser ricocheteado. Daí chegou a marinha e pensamos: Ufa, agora tudo será resolvido!

Como somos bobinhos Gzuis!

Que nada, o bote da marinha ficou pra lá e pra cá, não ouvimos orientação nenhuma por parte deles aos meninos das escunas. Uma operação de risco como aquela, feita a base do improviso. Arranjaram uma poita e o veleiro, rebocado pela popa, provavelmente com o leme virado de qualquer maneira, tudo sem nenhuma organização prévia.

 
Fausto começou a gritar avisando que o veleiro rebocado não tinha manobrabilidade e que o Guruçá poderia girar, gritava para que eles não chegassem tão perto. O rapaz fez um sinal de positivo, mas eu tive o pressentimento que uma colisão poderia acontecer. E foi tudo muito rápido! O veleiro que estava longe e não nos apresentava perigo, de repente, em questão de minutos estava em cima da gente e graças aos anjos protetores do Guruçá o pior não aconteceu, por um triz! 

Postei nas minhas redes sociais (ainda não me segue? fala sério heim?!) e choveram comentários. O que mais foi perguntado: Porque a marinha não ajudou no reboque com o bote? Não puxando o veleiro é claro, mas o empurrando lateralmente para mantê-lo em um desejado rumo, fazendo o papel de um leme? Teria ajudado muito!

Se eles estivessem empurrando o veleiro lateralmente (o que é muito comum nas marinas pelo mundo afora), não teríamos corrido o risco que corremos e se tivessémos o prejuízo, não teríamos a quem recorrer.
A sensação que tenho é que o barco podre e abandonado é mais importante do que todos os outros.
Se dizem que esse veleiro é responsabilidade da marinha brasileira, por que não o colocam em uma das poitas da baía do Colégio Naval? Uma baía enorme e vazia, assim o Lord Jim não ofereceria perigo aos outros. 
Não acredito que alguém compre  e restaure o Lord Jim tamanha a podridão que ele se encontra. Se aparecer um milionário e corajoso para tal trabalho, o barco seria completamente refeito e só manteriam o nome.

O próprio dono do Lord Jim, o senhor Holger Kreuzhage, fez um comentário no meu facebook, dizendo algo como se tivesse desistido do barco após gastar mais de 250 mil dólares na rua restauração. Mas foram tantos comentários, que não encontro o dele especificamente.

Uma outra pessoa comentou “  Deveriam desenhar um plano de afundamento controlado. Colocá-lo em um local seguro, sem representar risco para a proteger a vida marinha e criar um local para mergulho de naufrágio. É melhor do que deixa-lo se acabar, enquanto representa um perigo para a navegação. É lamentável, mas fazer o que?

Da maneira que está, a chance dele ir parar em pedras e afundar é grande. E menos mal se isso acontecer, afundar seria o ideal, porque se não fosse a escuna que serviu de paredão, Lord Jim iria parar em uma praia em frente a um hotel. Quem arcaria com os custos da limpeza da praia?

Ficaremos para ver as cenas dos próximos capítulos ou acataremos a frase:
Os incomodados que se mudem!

Fiz os vídeos ao vivo pelo Facebook, e não sei postá-los aqui. Quem quiser assistir ao asburdo só acessando no meu perfil do Facebook Guta Favarato.

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